sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Quero trazer à memória

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Lamentações – Capítulo 3


1 Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do furor de Deus.

2 Ele me levou e me fez andar em trevas e não na luz.

3 Deveras ele volveu contra mim a mão, de contínuo, todo o dia.

4 Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, despedaçou os meus ossos.

5 Edificou contra mim e me cercou de veneno e de dor.

6 Fez-me habitar em lugares tenebrosos, como os que estão mortos para sempre.

7 Cercou-me de um muro, e já não posso sair; agravou-me com grilhões de bronze.

8 Ainda quando clamo e grito, ele não admite a minha oração.

9 Fechou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas.

10 Fez-se-me como urso à espreita, um leão de emboscada.

11 Desviou os meus caminhos e me fez em pedaços; deixou-me assolado.

12 Entesou o seu arco e me pôs como alvo à flecha.

13 Fez que me entrassem no coração as flechas da sua aljava.

14 Fui feito objeto de escárnio para todo o meu povo e a sua canção, todo o dia.

15 Fartou-me de amarguras, saciou-me de absinto.

16 Fez-me quebrar com pedrinhas de areia os meus dentes, cobriu-me de cinza.

17 Afastou a paz de minha alma; esqueci-me do bem.

18 Então, disse eu: já pereceu a minha glória, como também a minha esperança no SENHOR.

19 Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do veneno.

20 Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim.

21 Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.

22 As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;

23 renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.

24 A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.

25 Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca.

26 Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio.

27 Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.

28 Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus pôs sobre ele;

29 ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança.

30 Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta.

31 O Senhor não rejeitará para sempre;

32 pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias;

33 porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens.

34 Pisar debaixo dos pés a todos os presos da terra,

35 perverter o direito do homem perante o Altíssimo,

36 subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor?

37 Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?

38 Acaso, não procede do Altíssimo tanto o mal como o bem?

39 Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.

40 Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o SENHOR.

41 Levantemos o coração, juntamente com as mãos, para Deus nos céus, dizendo:

42 Nós prevaricamos e fomos rebeldes, e tu não nos perdoaste.

43 Cobriste-nos de ira e nos perseguiste; e sem piedade nos mataste.

44 De nuvens te encobriste para que não passe a nossa oração.

45 Como cisco e refugo nos puseste no meio dos povos.

46 Todos os nossos inimigos abriram contra nós a boca.

47 Sobre nós vieram o temor e a cova, a assolação e a ruína.

48 Dos meus olhos se derramam torrentes de águas, por causa da destruição da filha do meu povo.

49 Os meus olhos choram, não cessam, e não há descanso,

50 até que o SENHOR atenda e veja lá do céu.

51 Os meus olhos entristecem a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.

52 Caçaram-me, como se eu fosse ave, os que sem motivo são meus inimigos.

53 Para me destruírem, lançaram-me na cova e atiraram pedras sobre mim.

54 Águas correram sobre a minha cabeça; então, disse: estou perdido!

55 Da mais profunda cova, SENHOR, invoquei o teu nome.

56 Ouviste a minha voz; não escondas o ouvido aos meus lamentos, ao meu clamor.

57 De mim te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.

58 Pleiteaste, Senhor, a causa da minha alma, remiste a minha vida.

59 Viste, SENHOR, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa.

60 Viste a sua vingança toda, todos os seus pensamentos contra mim.

61 Ouviste as suas afrontas, SENHOR, todos os seus pensamentos contra mim;

62 as acusações dos meus adversários e o seu murmurar contra mim, o dia todo.

63 Observa-os quando se assentam e quando se levantam; eu sou objeto da sua canção.

64 Tu lhes darás a paga, SENHOR, segundo a obra das suas mãos.

65 Tu lhes darás cegueira de coração, a tua maldição imporás sobre eles.

66 Na tua ira, os perseguirás, e eles serão eliminados de debaixo dos céus do SENHOR


No período em que Israel esteve no cativeiro babilônico, pelas suas tantas transgressões, o profeta Jeremias escreveu os poemas do livro de Lamentações, para tentar expressar a angústia e sofrimento que seu povo passava naquele tempo.

No capítulo três de lamentações, nos primeiros versículos, podemos ver que quanto mais o profeta se lembrava de toda a dor que havia passado e estava passando, ele esmorecia, ficava cada vez mais entristecido.

E ele mesmo confessa que mantinha na sua mente continuamente pensamentos de dor (Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim” Lm 3:20). Esta atitude quase o fez perder a sua esperança. Mas então, no verso seguinte, o profeta percebe que deveria pensar naquilo que poderia dar-lhe esperança (v.21).

Muitas vezes focamos a nossa atenção em experiências dolorosas do presente, e ainda naquelas do passado, sentimentos que foram feridos, perdas, sonhos frustrados.

E ao lembrarmos continuamente destes fatos, acabamos perecendo na mesma dor, sentindo uma imensa tristeza.

Mas o que pode nos dar esperança diante das adversidades? Esperança é a disposição do espírito que induz a esperar que uma coisa se há de realizar ou suceder.

Jeremias viu sua esperança voltar quando lembrou das misericórdias de Deus: 

“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (v. 22).

A palavra misericórdia, que em hebraico é “hesed”, pode ser traduzida por “aliança de amor” ou “amor imutável”.

Diante de tanta adversidade, parecia que não havia mais esperança, mas Jeremias lembrou que a “hesed” de Deus ainda permanecia sobre seu povo. Quando aparentemente parece que estamos vivendo em um “deserto”, devemos nos manter firmes na esperança de que Deus é por nós, e está do nosso lado. 

Devemos nos lembrar dos milagres que Ele já fez, da provisão que diariamente Ele nos dá, do presente da salvação.

Deus é imutável, e o que Ele quer para seus filhos é sempre o melhor.

Nossa mente tem a tendência de as vezes criar asas, e nos levar muito longe, por isso devemos ter cuidado com certos pensamentos que trazem descrença e tristeza na nossa vida ( Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai." Fp 4:8). Não devemos nos angustiar com o futuro e nem chorar pelo passado, mas devemos estar firmes na confiança de que “tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28). Não deixa com que a descrença, o medo, a dúvida ou a dor tenham lugar no seu pensamento.

Ao invés disso, lembre-se que Deus é sempre fiel e nunca irá nos abandonar. Nunca esqueça dos milagres que Deus já fez por você, comece a enumerar as pequenas e grandes bênçãos que Ele já te deu.

O Senhor é a nossa esperança ("Pois tu és a minha esperança, Senhor DEUS; tu és a minha confiança desde a minha mocidade." Sl 71:5) e ela jamais será frustrada.

As promessas de Deus na sua vida não vão se frustrar, tudo que Ele te prometeu Ele irá cumprir. Confie no Senhor e nunca esqueça que Ele é fiel. Quando na sua mente vier lembranças tristes, peça ao Senhor que lembre você da Sua fidelidade, das coisas que Ele já fez por você, do amor imutável dEle, e seja fortalecido e encorajado para continuar sua viajem rumo à terra das promessas. 

"Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.
consumidos,porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.

Grande é a Tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele. Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR" (Lm 3:21-26).
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Léa Mendonça - Chora Que a Vitória Vem

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

OS LEVITAS

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MINISTÉRIO DE LEVITAS


LEVITAS: Grupo de pessoas (tribo de Levi) separados para

a) levar a arca da Aliança do Senhor, para

b) estar diante do Senhor para o servir e abençoar em seu nome (no nome do Senhor) até o dia de hoje (Deu 10:8).

O levitas são aqueles designados para servir na casa do Senhor.

Os levitas não são e uma lenda ou uma ocupação do passado. Coisa do tradicionalismo do Antigo Testamento. A grande parte das igrejas hoje, deixam passar a grande importância do papel dos LEVITAS NA CASA DO SENHOR, e por isso muitas vezes não conseguem o comprometimento e a disponibilidade que é necessário a quem serve na casa de Deus. Só quem tem o chamado e a convicção de seu papel de levita pode abraçar a visão e realizar o trabalho que o Senhor estabeleceu para cada um de nós.

Dentro da igreja é importante que todos os trabalhadores, levitas, tenham em mente a visão do ministério local. Qual o foco principal. Qual a finalidade específica, o alvo a ser alcançado pelo ministério local.

O verdadeiro levita abraça a visão geral do ministério independente dos seus objetivos pessoais.

Isso aconteceu quando Davi escolheu os primeiros levitas para servirem na casa do Senhor.

A VISÃO DE DAVI: Trazer a Arca da Aliança de volta ao templo. Todos devem abraçar a visão. A visão central dada pelo Senhor é maior do que cada tarefa independente.

Existem características que diferenciam os levitas e os tornam especiais para o trabalho na casa do Senhor.

Os LEVITAS são SANTIFICADOS (separados) para levar a arca de Deus (I Cron 15:2): O trabalho reservado para os levitas só poderia ser realizado por eles. Levitas não podem ser qualquer pessoa que apenas tenha um desejo de servir ou fazer algo na casa do Senhor. Levitas são separados (santificados) para isso. Não podemos esperar que outros façam o nosso trabalho nem deixar que outras pessoas, que não foram separadas (santificadas) levem a Arca da Aliança do Senhor (a tarefa que Deus nos confiou e nos separou para fazer).

Os LEVITAS não esperam recompensa. A herança dos levitas é o Senhor (Deut 10:8-9): Nenhum dos levitas (os da tribo de Levi) tinham parte na divisão da terra e dos bens. Da mesma forma não podemos esperar recompensa e nem reconhecimento humano pelo nosso serviço na casa do Senhor. Não podemos entrar nesse ministério esperando recompensa natural ou promoção humana. Fomos separados pelo Senhor e Ele será sempre a nossa herança e Ele proverá a nossa recompensa.

Há uma tendência natural de relacionar LEVITAS a músicos. Isso não é totalmente errado uma vez que os LEVITAS mais destacados eram os que estavam a frente participando da música. Iniciando por esse grupo de Levitas, vemos que eles tinham características específicas que certamente devem ser evidentes nos levitas de hoje.

OS MÚSICOS designados para servirem no templo (I Cron 15:16-24) eram:

IRMÃOS – os da mesma família, a família dos levitas, e mesmos interesses. Levitas devem viver em união, em unidade defendendo os mesmos interesses como um família. Hoje, temos que reconhecer quem são nossos irmãos, aqueles que tem os mesmos interesses (apenas levar a Arca da Aliança do Senhor), que são parecidos e não podem viver separados pois pertencem a mesma família;

CANTORES – músicos que tocavam e cantavam com alegria. Devemos sempre expressar a alegria que sentimos em ministrar (servir) na casa do Senhor. Devemos faze-lo de forma pública e jubilosa. Os levitas músicos sempre são identificados pela alegria em servir ao Senhor;

PERITOS – os que participavam da música, canto e instrumentos, tinham habilidades específicas nos seus ofícios e o faziam sob orientação e organização. Todos eram especialistas (I Cron 15:22). Não podemos admitir amadorismo no serviço da casa do Senhor. Devemos procurar a perfeição para oferecer sempre o melhor. Se vamos cantar temos que ser peritos em canto. Devemos nos apresentar aprovados (2 Tim 2:15) diante de Deus e dos homens para o serviço na casa do Senhor. Devemos ministrar ao Senhor com arte e perfeição (Sal 33:3). Devemos aperfeiçoar o dom que o Senhor nos deu estudando e nos especializando. O mundo deve reconhecer que os melhores estão servindo na casa de Deus.

Além dos cantores, a Bíblia fala de outro grupo de levitas que da mesma forma foram separados para o serviço na casa do Senhor. Os PORTEIROS.

PORTEIROS – foram separados pessoas para guardar e cuidar da arca, não cantavam nem tocavam, apenas cuidavam da arca. Levitas não eram e não são apenas músicos. É necessário pessoas separadas para outros ofícios que dão suporte e contribuem para se alcançar a VISÃO CENTRAL. Pessoas devem estar envolvidas em manutenção, operação e suporte físico e espiritual. Os porteiros eram os que vigiavam a arca, tomavam conta da tenda. Hoje, é necessário que pessoas sejam separadas para vigiar pelo ministério, interceder em oração enquanto outros estão voltados para outros ofícios. Todos são levitas.

Ser levita é muito mais do que ser um mordomo na casa do Senhor, é fazer parte de um ministério muito especial que se caracteriza ainda por vários fatores:

Deus ajuda os levitas: O trabalho dos levitas nunca foi uma tarefa fácil no tem de Davi, e principalmente nos dias de hoje, onde muitos não tem disponibilidade de servir a Deus em tempo integral, mas mesmo assim atendem ao seu chamado. Contudo os levitas tem a grande vantagem de ter o auxílio de Deus (I Cron 15:26) que está do seu lado e sempre lhes dará o suprimento para realizarem as tarefas para as quais foram designados.

Os levitas, também, oferecem sacrifícios ao Senhor: servir ao Senhor não os exclui do direito de oferecer sacrifícios ao Senhor. Devemos Ter o pensamento que ser um levita é ter mais funções sem excluir nada de nossa vida com Deus. Não estamos fazendo troca nem negociando serviços com Deus. Os levitas são ofertantes, dizimistas e oferecem sacrifícios pessoais ao Senhor;

Todos os levitas, junto com Davi, estavam vestidos com roupa especial: a roupa especial de linho significava a pureza que devemos ter para nos apresentar para ministrar ao Senhor. Todos estavam prontos. Não podemos esperar que apenas o líder, o pastor, o ministro de louvor, estejam vestidos (prontos) para ministrar. Todos devemos estar preparados e da mesma forma, com o mesmo linho (o mesmo nível de pureza, santidade e unção). Isso é fundamental para que a glória do Senhor esteja presente nas ministrações dos levitas.

Guiados por Davi e os levitas, todo o povo com alegria levou a Arca da Aliança do Senhor (I Cron 15:28). Isso é revelado hoje como o louvor congregacional que acontece nas igrejas onde todo o povo é guiado a presença de Deus através do louvor e adoração sob a ministração dos levitas.

Os levitas ministravam diante da arca (I Cro 16:4) que representa o lugar onde os levita devem sempre servir. Cada um deve se manter fiel ao seu chamado;

Depois disso Davi ordenou a estreia dos levitas publicamente (I Cro 16:7): Todos os levitas apresentados já estavam prontos e já haviam ministrado junto com Davi, oferecido sacrifícios e tinham comunhão. Minstrar publicamente é uma conseqüência, não uma necessidade exclusiva. Levitas não procuram palcos, procuram a presença de Deus. Antes de serem apresentados publicamente os levitas devem já Ter adquirido experiência íntima com Deus, comunhão plenas com os seus irmãos e maturidade espiritual para exercer dignamente o seu ministério;

Os levitas eram designados nominalmente para ministrarem na casa do Senhor segundo se ordenara para cada dia (I Cron 16:37-42) cantando, tocando e cuidando da arca. Os levitas devem estar sempre em sintonia com a casa do Senhor e seus ofícios. Hoje, não vivemos literalmente na casa do Senhor para ministrar, mas nós somos o templo do Senhor e assim podemos continuamente, mesmo não estando na igreja (templo), podemos ministrar ao Senhor e oferecer sempre o nosso sacrifício (Heb 13:15). A prática de escalas e turnos para ministração é bíblica e deve ser obedecida e aceita quando for necessário;

Turnos e funções dos levitas (I Cron 23:1-5): Haviam quatro grupos de levitas: superintendentes, oficiais e juizes, porteiros e músicos.

Função dos CANTORES (músicos): profetizar com harpas, alaúdes e címbalos (I Cron 25:1). Esta prática é pouco ministrada e vista atualmente, mas é a perfeita vontade de Deus que músicos e cantores usem seus instrumentos para profetizarem com unção e poder para que haja milagres e prodígios sendo liberados durante o louvor e adoração. Todos os CANTORES eram MESTRES (I Crn 25:7), isso requer estudo dedicação e aperfeiçoamento para ministrar na casa do Senhor. Outra caracter´sitica importante dos levitas cantores era que havia mestre e discípulo (I Cron 25:8) e todos trabalhavam juntamente. A prática de formar discípulos é fundamental para que não faltem trabalhadores com habilidade e a mesma visão. Isso requer humildade, disponibilidade e amor pelo trabalho do Senhor.

Os PORTEIROS também eram habilitados para cuidar da arca segundo a sua necessidade e pelo que o Senhor fizera (I Cron 26:5, 6, 7, 8, 10). Havias vários tipos de porteiros. Hoje há muita necessidade de pessoas para assumirem posições de porteiros na casa do Senhor. Profissionais de manutenção, pessoas para trabalharem nos bastidores muitas vezes não são valorizadas como levitas e por isso poucos são discipulados para esses ofícios;

Haviam os responsáveis pelo TESOURO (I Cron 26:20-28), o patrimônio e valores da casa do Senhor eram responsabilidade dos levitas

Haviam pessoas para gerirem os negócios externos a serviço do Senhor e de interesse do rei (I Cron 26:29-30). Atualmente podemos relacionar as pessoas com habilidade de gerir bem os recursos disponíveis do ministério decidindo o que é o melhor para a casa do Senhor.

O trabalho dos levitas é muito importante e cada vez mais deve ser ensinado tirando a falsa idéia de que apenas músicos são levitas. Os levitas separados por Davi para servirem na caso do Senhor eram quase quarenta mil, contudo, apenas cerca de 3600 eram músicos ou cantores. Isso mostra a imensa deficiência de levitas que temos nas igrejas atuais. Muitos são levitas e não tem consciência disso, outros não são porque nunca foram ensinados sobre como podem ser e não há nada melhor do que Ter verdadeiros levitas trabalhando na casa do Senhor em todos os departamentos. Os levitas são leais, dispostos, peritos, unidos e abraçam a visão do ministério completamente.


Levitas da casa de Deus.




AMADURECENDO COMO LEVITAS

Buscar a Deus em primeiro lugar...

OSÉIAS 6: 1,2 e 3
"Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra."

A Palavra do Senhor é sempre muito clara. Ele, em todo o tempo nos orienta a buscá-lo mais, conhecê-lo mais, e crescermos espiritualmente. O apóstolo Paulo nos fala de deixarmos de ser meninos, e crescermos em maturidade.

1 CORINTIOS 14.20
" Irmãos, não sejais meninos no entendimento; na malícia contudo, sede criancinhas "

É tempo de deixarmos de ser apenas músicos e cantores, e darmos alimento mais sólido aos que estão famintos.
É hora de deixar nascer dentro de nós verdadeiros adoradores, com sinceras intenções de alimentar-se em Deus, e ser fontes de bênçãos à Igreja.
Deus está preocupado com o nosso crescer. O nosso Deus é um Deus de processos. Por exemplo, Ele consumou a criação em seis dias e descansou no sétimo, mas Ele não precisava de seis dias, Ele precisava de apenas um segundo. Ele tinha poder para isto mas não o fez desta maneira.
Outro exemplo foi a gravidez de Maria, que durou nove meses. Você acha que Deus não poderia ter enviado Jesus pronto do céu? Sim, mas ele respeitou todo o processo humano.
O nosso Deus é um Deus que respeita o processo humano. Da mesma forma, tenho convicção de que Deus também respeita o nosso processo de crescimento espiritual. Ele tem paciência quando erramos e sabe que precisamos de tempo para aprender.
Com relação a isto, o problema maior é quando não nos dispomos a aprender e continuamos no mesmo patamar espiritual durante muito tempo. Ficamos a vida inteira dependente do pastor, dos líderes, dos presbíteros, dos pais, sendo tratados como crianças espirituais.
Levita, se você quer começar a amadurecer espiritualmente, você terá que estudar! "Corra atrás" de seminários, congressos, escolas de louvor, livros, etc.
Devemos estar dispostos a crescer, crescer, crescer, ...
Está na hora de resgatarmos a nossa identidade! Levita, está na hora de você começar a ganhar almas para Cristo! Está na hora de adorar em espírito e em verdade, de levar o evangelho ao perdido, ... de crescer espiritualmente!
Muitas e muitas pessoas sobem no palco para ministrar tendo ainda visão de criança espiritual, comportamento de criança espiritual, etc.
Muitas e muitas pessoas sobem para ministrar como uma fonte seca, sem nada para falar ou , quando falam, acabam se frustrando e frustrando a igreja.
Quantas vezes somos convocados por Deus para ser adoradores, enquanto estamos sendo apenas músicos e cantores esquecendo do verdadeiro propósito do nosso chamado.
O louvor é uma arma que está em nossas mãos, e armas não podem ficar nas mãos de crianças!
É tempo de despertar, de crescer, ... e nos tornar servos confiáveis nas mãos do nosso Deus.





A Música na Adoração a Deus

Deus sempre quis ser adorado por meio da música. Mas há uma diferença significativa entre o tipo de música que Deus desejava no Antigo Testamento e o tipo que ele autoriza no Novo. O objetivo deste estudo é descobrir nas Escrituras que tipo de música Deus deseja que usemos no culto cristão.

A lei de Moisés

A música que agradava a Deus no Antigo Testamento envolvia o uso de vários instrumentos. Logo após a travessia do mar Vermelho, Miriã e as mulheres de Israel adoraram a Deus com cânticos acompanhados de danças e tamborins (Êxodo 15:20-21). Os profetas dos tempos de Samuel usavam saltérios, tambores, flautas e harpas (1 Samuel 10:5). No período de Davi, Deus era adorado com cânticos acompanhados "com instru-mentos músicos" (1 Crônicas 15:16, 28). 1 Crônicas 16 menciona o uso de alaúdes, harpas, címbalos, trombetas e instrumentos de música (1 Crônicas 16:5, 42). Davi deu instruções específicas para o uso desses instrumentos (veja 1 Crônicas 23 e 25, em que a adoração é descrita detalhadamente). A adoração nos dias de Salomão era semelhante: "e quando todos os levitas que eram cantores, isto é, Asafe, Hemã, Jedutum e os filhos e irmãos deles, vestidos de linho fino, estavam de pé, para o oriente do altar, com címbalos, alaúdes e harpas, e com eles até cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas; e quando em uníssono, a um tempo, tocaram as trombetas e cantaram para se fazerem ouvir, para louvarem o Senhor e render-lhe graças; e quando levantaram eles a voz com trombetas, címbalos e outros instrumentos músicos para louvarem o Senhor, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre, então, sucedeu que a casa, a saber, a Casa do Senhor, se encheu de uma nuvem . . . Assim, o rei e todo o povo consagraram a Casa de Deus. Os sacerdotes estavam nos seus devidos lugares, como também os levitas com os instrumentos músicos do Senhor, que o rei Davi tinha feito para deles se utilizar nas ações de graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre. Os sacerdotes que tocavam as trombetas estavam defronte deles, e todo o Israel e mantinha em pé" (2 Crônicas 5:12-13; 7:6). Clarins e trombetas acompanhavam os cânticos de louvor a Deus na época de Asa (2 Crônicas 15:14). Atente para o fato de que nada disso era mera invenção humana; Deus tinha exigido esse tipo de adoração: "Também estabeleceu os levitas na Casa do Senhor com címbalos, alaúdes e harpas, segundo mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do Senhor, por intermédio de seus profetas" (2 Crônicas 29:25). Após a volta do cativeiro, a adoração foi conduzida de modo semelhante: "Quando os edificadores lançaram os alicerces do templo do Senhor, apresentaram-se os sacerdotes, paramentados e com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, para louvarem o Senhor, segundo as determinações de Davi, rei de Israel" (Esdras 3:10). Na cerimônia da dedicação pelos muros de Jerusalém havia címbalos, alaúdes, harpas e trombetas (Neemias 12:27-36). Como disse Isaías: "O Senhor veio salvar-me; pelo que, tangendo os instrumentos de cordas, nós o louvaremos todos os dias de nossa vida, na Casa do Senhor" (Isaías 38:20).

O Saltério (Salmos) era o cancioneiro de Israel. Os salmos dão muito destaque ao uso de instrumentos musicais na adoração a Deus. "Celebrai o Senhor com harpa, louvai-o com cânticos no saltério de dez cordas. Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilio" (Salmo 33:2-3). "Então, irei ao altar de Deus, de Deus, que é a minha grande alegria; ao som da harpa eu te louvarei, ó Deus, Deus meu" (Salmo 43:4). "Salmodiai e fazei soar tamboril, a suave harpa com o saltério. Tocai a trombeta na Festa da Lua Nova, na lua cheia, dia da nossa festa. É preceito para Israel, é prescrição do Deus de Jacó" (Salmo 81:2-4). Passagens semelhantes encontram-se espalhadas pelos Salmos. O salmo 92 menciona o uso de "instrumentos de dez cordas" junto com o saltério e a harpa (Salmo 92:1-3). "Celebrai com júbilio ao Senhor, todos os confins da terra; aclamai, regozijai-vos e cantai louvores. Cantai com harpa louvores ao Senhor, com harpa e voz de canto; com trombetas e ao som de buzinas, exultai perante o Senhor, que é rei" (Salmo 98:4-6). Embora de nenhum modo tenhamos citado todos os textos relacionados à questão, ficou mais que claro que Deus era adorado por instrumentos musicais no Antigo Testamento. As referências são bem freqüentes e não dão margem para dúvida. "Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa. Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas. Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes. Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia!" (Salmos 150:3-6). Veja também Salmos 147:7 e 149:3.

O evangelho de Cristo

A música no Novo Testamento apresenta um forte contraste com a do Antigo Testamento. Não se fazem referências ao uso da música instrumental na adoração do Novo Testamento! Após ler tantos textos que mencionam o uso dos instrumentos musicais no Antigo Testamento, a diferença é marcante e importante. Observe os seguintes textos: "Por volta de meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam" (Atos 16:25). "Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente" (1 Coríntios 14:15). "Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguem alegre? Cante louvores" (Tiago 5:13). O louvor que oferecemos deve ser aquele em que aconselhamos e instruímos uns aos outros: "Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração" (Colossenses 3:16). Deve estar claro que nenhuma harpa nem flauta tem condições de instruir. "falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais" (Efésios 5:19). Esse texto de Efésios é interessante porque especifica claramente qual instrumento deve ser usado: o coração. Jamais se menciona nenhum instrumento mecânico em relação à adoração de Deus no Novo Testamento. O escritor de Hebreus resume: "Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome." (Hebreus 13:15). O nosso sacrifício de louvor deve ser o "fruto dos lábios".

Isso não significa que os instrumentos musicais não existissem no período do Novo Testamento. Aliás, eles são mencionados diversas vezes, ligados a acontecimentos sem relação com o culto (Mateus 9:23; 11:17; Lucas 15:25, etc.). Mas jamais são mencionados em referência à adoração. Isso se assemelha ao uso do sacrifício de animais no culto. No Antigo Testamento, é difícil encontrar uma só página que não mencione o sacrifício de animais. No evangelho de Cristo, entretanto, não há nenhuma menção do sacrifício de um único animal. Isso, obviamente, não significa que não se cozinhavam nem comiam animais nos lares dos cristãos do Novo Testamento, mas sim que jamais eram usados para adorar a Deus.

Dois princípios fundamentais

É importante entender que não nos achamos mais debaixo da lei do Antigo Testamento. Vários textos insistem nesse ponto: Romanos 7:2-4; Efésios 2:14-15; Colossenses 2:14-17; Hebreus 8, etc.. Observe as palavras de Gálatas 3:24-25: "De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio." Mais adiante no mesmo livro, Paulo afirmou que quem se voltar para o Antigo Testamento e obedecer a uma parte dele o obrigava a cumprí-lo todo: "Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes" (Galátas 5:2-4). A lei do Antigo Testamento não é a autoridade para nós hoje. Às vezes, as pessoas afirmam que isso não se aplica aos salmos. Mas em João 10:34, Jesus se refiriu a Salmo 82:6 como "lei". Isso não é de surpreender. Os que recorrem a Davi como a autoridade para o uso de instrumentos no culto a Deus jamais se voltam para ele para autorizar a poligamia, o sacrifício de animais, a observância do sábado e das festas judaicas, mas ele fazia tudo isso. Nenhuma parte do Antigo Testamento, a não ser a que se repete no Novo, nos vale como autoridade.

Devemos também reconhecer a necessidade da autoridade da Bíblia em tudo o que fazemos. Uma vez que as Escrituras nos tornam completos para toda boa obra (2 Timóteo 3:16-17), então, se alguma coisa não se encontra no Novo Testamento, não é boa obra. O que ultrapassa a doutrina de Cristo é errado (2 João 9). Toda adoração procede ou da autoridade de Deus ou das ordenanças humanas. Se for proveniente da autoridade de Deus, existe a Escritura para comprová-la. Se não se acha no Novo Testamento, então a adoração procede do homem, e Deus a eliminará (veja Mateus 15:8-9, 13-14). Vários exemplos da forma em que Deus tratou o homem no passado exemplificam esse conceito. Quando Deus ordenou que o fogo para o altar do incenso fosse trazido de uma determinada fonte, e Nadabe e Abiú o trouxeram de uma fonte a respeito da qual Deus nada tinha dito, eles foram queimados com fogo do céu (Levítico 10:1-3). Quando Deus mandou que a arca da aliança fosse transportada nos ombros dos levitas, mas Davi a transportou de um modo não mandado por Deus, o Senhor o puniu.

A questão básica é esta: o Novo Testamento não contém a autorização do uso de instrumentos musicais na adoração a Deus. Sem dúvida não se trata de um descuido acidental de Deus, porque, quando ele quis que os instrumentos musicais fossem usados durante a época do Velho Testamento, ele o declarou muitas vezes. Já que não há base no Novo Testamento para o uso do instrumento musical na adoração, o homem que respeita à autorização divina não tocará instrumentos em adoração a Deus, assim como não oferecerá sacrifício de animais. A pessoa que hoje deseja justificar o sacrifício de animais na adoração, deve citar um texto no Novo Testamento que o confirme; o homem que hoje fizer questão do uso de instrumentos musicais no culto deve apresentar um texto no Novo Testamento que o autorize. Se não se puder achar nenhum, respeitemos o silêncio de Deus.

Apêndice: argumentos usados para fundamentar o uso de instrumentos musicais

Usados no céu

Alguns tentam justificar o uso de instrumentos musicais no culto pelo fato deles serem mencionados em Apocalipse como algo existente no céu (veja Apocalipse 5:8; 14:2). De fato, é improvável que se trate de instrumentos físicos, dada a natureza espiritual do céu e a natureza simbólica de Apocalipse. Mas, mesmo que fossem instrumentos musicais, isso não autorizaria o uso deles hoje no culto cristão. Haverá crianças no céu (já que não têm pecado), mas isso não autoriza que sejam batizadas hoje. A Bíblia fala de haver um altar de incenso no céu, mas isso sem dúvida não sustenta o uso dele no culto. Não há casamentos no céu (Mateus 22:30), mas não podemos usar isso para fundamentar uma ordem de celibato (1 Timóteo 4:1-3). Os que hoje desejam usar harpas, flautas ou outros instrumentos no culto, devem mostrar a autorização para usá-los como adoração. Se conseguissem fazê-lo, não haveria necessidade alguma de recorrer ao Antigo Testamento ou ao céu para fundamentar o uso.

Os salmos

Alguns se utilizam do fato de que devemos entoar salmos (Colossenses 3:16), a fim de tentarem fundamentar o uso do instrumento musical. O raciocínio deles segue mais ou menos assim: temos a ordem de louvar a Deus com salmos; os salmos se referem a instrumentos musicais; portanto, podemos usar instrumentos musicais. Colossenses 3 nos diz o que devemos fazer com os salmos -- cantá-los! Colossenses 3 não nos autoriza a fazer tudo o que os salmos mencionam. Por exemplo, os salmos ordenam os sacrifícios de animais (Salmos 20:3; 51:18-19; 66:13-15) e a dança para o Senhor (Salmos 150:4). O fato de cantarmos os salmos certamente não nos autoriza a sacrificar animais, nem a praticar a dança religiosa.

A palavra grega

De vez em quando você ouvirá alguém ensinar que a palavra grega traduzida por "louvando" em Efésios 5:19 significa cantar acompanhado de instrumento. Isso não é verdade. Mil anos antes do Novo Testamento ser escrito, a palavra (psallo) significava "dedilhar". Naquela época era então usada em referência ao instrumento musical. Mas, no período em que o Novo Testamento foi escrito, a palavra simplesmente significava "cantar". É por isso que quase todas as traduções da Bíblia, tanto em inglês, quanto em português, traduzem a palavra por cantar, louvar ou coisa semelhante. Os melhores e mais confiáveis dicionários gregos também deixam claro que a palavra significava cantar no período do Novo Testamento. Mesmo no antigo grego, na época em que a palavra significava "tocar um instrumento", o instrumento era sempre citado especificamente no contexto (mesmo naquela época não significava tocar se não houvesse menção a nenhum instrumento no contexto). No contexto de Efésios 5, o único "instrumento" é o coração! Podemos dedilhar as cordas de nosso coração enquanto cantamos, mas a palavra psallo não dá autoridade para tocar instrumentos.

Auxílios e acréscimos

Às vezes há quem afirme que o instrumento musical é meramente uma ajuda ao cântico, mas não de fato um acréscimo à adoração. No Antigo Testamento, no entanto, o instrumento era usado especificamente para louvar a Deus, e não apenas para ajudar a cantar. O fato é que estamos tratando de dois tipos de música: a vocal e a instrumental. O Antigo Testamento autorizava ambos; o Novo Testamento só autoriza a música vocal.

Reflexão

Música e adoração na igreja


Referência: Salmos 40.3

INTRODUÇÃO



1. Perguntaram para Rick Warren, o que faria de diferente se tivesse que começar sua igreja de novo. Ele respondeu: “desde o primeiro dia eu colocaria mais energia e dinheiro no ministério de música”.



2. Davi no Salmo 40:3 fala sobre quatro atributo da música: 1) A origem da música; 2) A natureza da música; 3) O propósito da música; 4) O resultado da música.



3. Davi diz que há uma clara conexão entre música e evangelismo. Aristóteles disse que “a música tem o poder de formar o caráter”. A música é a principal comunicadora de valores para as gerações:



a) Na Reforma – foi a música que popularizou a doutrina da reforma luterana;



b) As canções de rock dos anos 60 e 70 forjaram os valores dos americanos dessas duas décadas.



c) A MTV molda os valores da maioria dos adolescentes.



I. A IMPORTÂNCIA DO LOUVOR NA VIDA DA IGREJA



1. Quem louva agrada a Deus




O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.



“O que me oferece sacrifício de ações de graça, esse me glorificará” (Sl 50:23).



2. Deus nos criou para o seu louvor




“Ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43:21).



3. Devemos louvar a continuamente




Louvor em todo o tempo: “Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios” (Sl 34:1).



Louvor desde o amanhecer até o ocaso: “Do nascimento do sol até o ocaso, louvado seja o nome do Senhor” (Sl 113:3).



Louvor continuamente: “Os meus lábios estão cheios do teu louvor e da tua glória continuamente” (Sl 71:8).



4. O louvor e a adoração são as principais razões de virmos à igreja



“Vinde, ajoelhemos e prostemo-nos diante do Senhor que nos criou” (Sl 95:6-7).



Adoração implica sempre em reconhecimento da majestade de Deus. Sempre que a igreja adorou em Apocalipse ela estava prostrada.



5. Deus rejeita adoração da igreja se a vida dos adoradores não estiver certa com Deus



Isaías 1:11; Amós 5:21-24; Malaquias 1:10. Deus procura a verdade no íntimo. Deus vê o coração. O Publicano e o Fariseu foram ao templo. Quem saiu justificado não foi aquele que proclamou sua justiça, mas o que confessou o seu pecado.



Se contemplarmos vaidade em nosso coração, Deus não nos ouve (Sl 66:18). Coração quebrantado Deus não rejeita (Is 57:20). O que confessa e deixa alcança misericórdia (Pv 28:13).



Salmos 133 quando a igreja vive em união ali ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre.



6. O louvor alivia o fardo




Jó disse que Deus inspira canções de louvor nas noites escuras.



O louvor reduz o efeito da pressão. Satanás quer que estejamos desolados e melancólicos, quando passamos por tempos difíceis. Ilustração: Spafford.



Como nos libertar dessas nuvens escuras? Louvando a Deus continuamente! Quando louvamos, sacudimos o jugo da angústia. Trocamos o espírito angustiado por vestes de louvor (Is 61:3).



Enquanto estamos desolados e deprimidos, não manifestamos a vitória de Deus. Catarina Van Bora disse para Lutero: “Deus morreu”.



O louvor nos põe fora do problema, dentro da solução e sob as bênçãos de Deus.



7. O contínuo louvor transforma o temor em fervor



É impossível louvar a Deus e permanecer desanimado: “Por que estás abatida, ó minha alma? Espera em Deus, pois eu ainda o louvarei” (Sl 42:5).



Quando louvamos a Deus, a nossa fé se torna mais forte: “Firme está o meu coração ó Deus, o meu coração está firme: cantarei e entoarei louvores” (Sl 57:7).



O louvor transforma a adversidade em bênção, nossa fraqueza em força divina: “O senhor é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia; nele fui socorrido; por isso o meu coração exulta e com o meu cântico o louvarei” (Sl 28:7).



8. O louvor abre portas que doutra forma não seriam abertas



Reclamar, lamentar, murmurar, ficar magoado abre brecha para Satanás (Ef 4:26-27), mas o louvor amarra a Satanás (Sl 149:6-8). O louvor mostra ao inimigo que não caímos em seus truques, mostra que confiamos no Deus onipotente.



Deus habita no meio dos louvores e onde Deus está o diabo precisa fugir (Sl 9:1-3; 18:3).



9. O louvor não é consequência da vitória, é causa da vitória



2 Crônicas 20:21 e Atos 16 revelam que o louvor é a causa da vitória e não apenas sua consequência. Louvamos para vencer. Louvamos para derrotar o inimigo. O louvor nos põe acima das nuvens escuras. Ilustração: o dia que o meu pai morreu.



O louvor proclama a vitória antecipadamente: Miriã cantou o cântico certo no lugar e na hora errada.



10. Aspectos grandiosos do louvor



a) O louvor é da vontade de Deus



“Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5:18).



b) O louvor é resultado da plenitude do Espírito Santo



“Mas enchei-vos do Espírito Santo, falando entre vós com salmos , entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais…” (Ef 5:18-20).



Efésios 5:19-20: fala de comunhão; adoração e gratidão. Onde há contendas e ciúmes a adoração não pode subir como aroma suave.



c) O louvor é resultado da plenitude da Palavra em nós




“Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo… louvando a Deus com salmos e hinos e cânticos espirituais” (Cl 3:16).



II. A INSTRUMENTALIDADE DA MÚSICA NA IGREJA



1. A música é um veículo




A músca é um veículo de comunicação anterior à palavra. O ritmo interfere em nossa estrutura muscular, altera nosso pulso cardíaco, nossa velocidade de marcha, ou nosso sistema respiratório. A melodia interfere poderosamente com as emoções humanas e pode levar pessoas da alegria às lágrimas ou da euforia à calma em poucos instantes. A harmonia interfere no esforço intelectual do ouvite para apreciar a música.



a) 1 Sm 18:7; 21:11; 29:5 – A música das mulheres de Israel provocaram uma revolução em Israel: A música chegou aos ouvidos de Saul e do povo e permaneceu influenciado o povo durante muito tempo. A música espalha a mensagem.



b) A música de Lutero – espalhou-se além de Wittembert para os leigos, componeses e pobres aldeões a mensagem da Reforma.



2. A música como comunicação do homem para Deus e de Deus para o homem



Se o homem fala a Deus através dos cânticos religiosos, também Deus pode falar ao homem por seu intermédio. Música é um bom veículo para o homem falar com Deus, mas também é eficiente meio para Deus falar ao homem.



3. A música como impressão




A música impressão tem como propósito um apelo emotivo sobre as pessoas. O objetivo não é comunicar uma mensagem, mas provocar um sentimento.



Agostinho: “Quando, às vezes, a música me sensibiliza mais do que as letras que se cantam, confesso com dor que pequei” (Confissões, p. 219,220).



Nas Institutas Calvino alertou para o perigo da música impressão. “Impõe-se diligentemente guardar que não estejam os ouvidos mais atentos à melodia que a mente ao sentido espiritual das palavras… cânticos que têm sido compostos apenas para o encanto e deleite dos ouvidos nem são compatíveis com a majestade da Igreja, nem pode a Deus não desagradarem sobremaneira” (Institutas III, p. 20,32).



4. A música como expressão



Olha para música não como fim em si mesmo, mas como instrumento, canal para comunicação de uma mensagem. Os textos são bem elaborados e escolhidos para que sua mensagem seja entendida e fixada.



O que despertou certa antipatia nos Reformadores e pais da igreja quanto ao uso de instrumentos na igreja é que a música não estava sendo instrumento para a mensagem, mas substituto dela. Era a música pela música. A música tinha uma função apenas de impressão.



A música deve ser serva do texto e não espetáculo em si mesma. Lutero dizia que a música deve ser sermão em sons.



Na igreja não espaço para execução da música como espetáculo; na igreja ela é serva da mensagem, veículo da mensagem.



III. PRINCÍPIOS SOBRE ADORAÇÃO



1. Somente os salvos podem verdadeiramente adorar a Deus



Adoração é a expressão do nosso amor por Deus, por quem ele é, pelo que ele disse, pelo que ele está fazendo.



Não podemos confundir cantar com adorar. É possível cantar sem adorar e é possível adorar sem cantar.



2. Não precisamos de um prédio para adorarmos a Deus



Deus não habita em templos feitos por mãos de homens (At 17:24). Jesus disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20).



3. A adoração tem muito muito mais a ver com a essência do que com estilo



Ao redor do mundo, pessoas diferentes adoram a Deus com estilos diferentes. Entretanto, toda adoração precisa ser em espírito e em verdade. Ou seja, precisa ser verdadeira e sincera.



Adoração não é tanto uma questão de estilo de música ou quantidade de instrumentos que usamos, mas uma atitude de coração disposta a glorificar a Deus. Não é show. O show visa a glória do homem, a adoração visa a glória de Deus (Ap 14:7).



4. A adoração é um poderoso testemunho para os não crentes



Uma coisa é a doutrina da onipresença de Deus, outra é a presença manifesta de Deus. O que produz impacto nas pessoas é a presença de Deus perceptível no culto da igreja. Essa presença manifesta derrete os corações e destrói barreiras mentais.



Existe conexão estreita entre adoração e evangelismo. A meta do evangelismo é produzir adoradores para Deus. Evangelismo é a missão de recrutar adoradores para Deus.



5. A adoração precisa produzir em nós um profundo senso de admiração



Isaías quando contemplou o Senhor do seu santo templo ficou extasiado com a glória e a majestade do Senhor. Precisamos resgatar segundo Tozer essa percepção da mejestade de Deus em nossos cultos.



Isaías ficou extasiado com a santidade de Deus, com a pecaminosidade da sua vida, com a grandeza da graça e com a urgência da obra.



IV. A DINÂMICA DA MÚSICA NA IGREJA



1. Acelere o passo e o dinamismo do culto



No culto não pode ter improvisação.



O som precisa estar testado. Tudo precisa estar no lugar antes das pessoas chegarem.



Não deixe “hora morta” no culto: o solista que vai cantar, já precisa estar no primeiro banco. Entre um passo e outro não pode existir intervalo.



O dirigente de cânticos não deve parar em cada cântico para fazer um comentário, isso quebra a dinâmica. Não pode existir uma liturgia dentro da liturgia.



Uma pesquisa feita nos Estados Unidos revelou que a maioria das pessoas que saem da igreja é porque acham o culto boring.



2. Fuja da previsibilidade



O culto é um evento único, singular, irrepetível. É um tríplice encontro: com Deus, com os irmãos e consigo.



O culto precisa ser estudado, elaborado. Precisa existir uma expectativa da intervenção de Deus em cada culto. Deve existir um entusiasmo persuasivo no começo de cada culto que diz: “Algo bom está para acontecer”.



3. Escolha as músicas certas para cada momento



As músicas precisam ser oportunas, pertinentes para cada momento do culto.



É preciso conhecer a letra antes de ensinar um cântico. Hoje temos uma explosão de música de consumo cujas letras são sofríveis.



4. Enriqueça o repertório buscando coisas novas e antigas




Temos um reservatório imenso. Algumas igrejas só cantam as músicas clássicas. Outras só cantam as músicas contemporâneas. Nem tudo o que é antigo é bom e nem tudo que é novo é bom. Precisamos escolher o melhor do antigo e do contemporâneo.



5. A música pré-gravada antes e depois do exercício devocional é rico recurso espiritual



Hoje vivemos com música no carro, em carro, no banco, nas lojas. A igreja deve utilizar melhor o tempo que tem para veicular a melhor música. A música prepara, aquece, desperta, consola.



6. A celebração do culto precisa ser festiva



O culto não é um funeral. O Salmo 100 nos ensina a servir o Senhor com alegria e apresentarmo-nos diante dele com cânticos. ................................................................................................................ .................................................................................................................
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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O PECADO

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1) CONCEITOS HISTÓRICOS E TEORIAS SOBRE A ORIGEM DO PECADO

São os mais diversos os conceitos que ao longo da história surgiram acerca do pecado. Irineu, bispo de Lyon, na Ásia Menor (130-208 d.C.), foi, talvez, o primeiro dos pais da Igreja Antiga, a assegurar que o pecado no mundo se originou na transgressão voluntária do homem no Éden. O conceito de Irineu logo tomou conta do pensamento e da teologia da Igreja, especialmente como arma no combate ao gnosticismo, pois este ensinava que o mal é inerente à matéria.

2) DO GNOSTICISMO A ORÍGENES

O gnosticismo ensinava que o contato da alma humana com a matéria era que a tornava imediatamente pecadora. Esta teoria naturalmente despojou o pecado do seu caráter voluntário como é apresentado na Bíblia. Orígenes (185-254 d.C.) sustentou este mesmo ponto de vista por meio de sua teoria chamada “preexistencismo”. Segundo ele, as almas dos homens pecaram voluntariamente em existência prévia, e, portanto, todas entraram no mundo numa condição pecaminosa. Este conceito de Orígenes sofreu forte oposição mesmo nos seus dias.

3) OS PAIS DA IGREJA GREGA

Em geral os pais da Igreja Grega dos séculos III e IV se mostraram inclinados a negar a relação direta entre o pecado de Adão e seus descendentes. Em contraposição, os pais da Igreja Latina ensinaram com bastante clareza que a presente condição pecaminosa do homem encontra sua explicação na primeira transgressão de Adão no Éden.

4) DE AGOSTINHO À REFORMA

O ensino da Igreja do Ocidente quanto à origem do pecado teve seu ponto mais elevado na pessoa de Agostinho. Ele insistiu no ensino de que em Adão toda a humanidade se acha culpada e maculada. Já os teólogos semipelagianos admitiam que a mancha do pecado, e não o pecado mesmo, é que era causada pelo relacionamento humanidade – Adão. Durante a Idade Média, o que se cria a respeito do assunto era uma mistura de agostinismo e pelagianismo. Os Reformadores, particularmente, comungaram do ensino de Agostinho.

5) DO RACIONALISMO A KARL BARTH

Sob a influência do racionalismo e da teoria evolucionista, a doutrina da queda do homem e de seus efeitos fatais sobre a raça humana, foi descartando-se gradualmente. Começou a se difundir a idéia de que, se realmente houve o que a Bíblia chama “queda” do homem, essa queda foi para o alto. A idéia do pecado odioso, aos olhos santos de Deus, foi substituída pelo mal, e este mal se aplicou de diferentes maneiras. Por exemplo, Emanuel Kant o considerou como parte inseparável do que há de mais profundo no ser humano, e que não se pode explicar. O evolucionismo chama esse “mal” de oposição das baixas inclinações ao desenvolvimento gradual da consciência moral. Karl Barth, teólogo suíço (1886-1968), fala da origem do pecado como um mistério da predestinação.

Em suma: O que muitas correntes da teologia racionalista erradamente ensinam é que Adão foi na verdade o primeiro pecador, porém sua desobediência não pode ser considerada como causa do pecado no mundo. O pecado do homem estaria relacionado alguma forma com a sua condição de criatura. A história do Paraíso nada mais proporciona ao homem do que a simples informação de que ele necessariamente não precisa ser pecador.

6) O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE A ORIGEM DO PECADO

Na Bíblia, o mau moral que assola o mundo, normalmente chamado pelos homens de fraqueza, equívoco, deslize, queda para o alto, se define claramente como pecado, fracasso, erro, iniqüidade, transgressão, contravenção e injustiça. A Bíblia apresenta o homem como transgressor por natureza. Mas, como adquiriu o homem essa natureza pecaminosa? O que a Bíblia nos diz acerca disso? Para termos respondidos estas indagações são interessantes e indispensáveis considerar o seguinte:

a) Deus Não é o Autor do Pecado
Evidentemente Deus, na sua onisciência, já vira a entrada do pecado no mundo, bem antes da criação do homem. Porém, deve-se ter o cuidado para que ao se fazer esta interpretação, não fazer de Deus a causa ou o autor do pecado. “Longe de Deus o praticar ele a perversidade, e do Todo-poderoso o cometer injustiça”.(Jó 34:10) Deus é santo e não há Nele nenhuma injustiça. “Ninguém ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo a ninguém tenta”. Deus odeia o pecado e como prova disto enviou a Jesus Cristo como provisão salvadora para o homem. Assim sendo, as Escrituras rechaçam todas aquelas idéias deterministas, segundo as quais Deus é autor e responsável pela entrada do pecado no mundo.

b) O Pecado Teve Origem no Mundo Angélico
Se quisermos conhecer a origem do pecado, teremos de ir além da queda do homem, descrita no capítulo 3 de Gênesis, e por a nossa atenção em algo que aconteceu no mundo dos anjos.

Deus criou os anjos dotados de perfeição, porém, Lúcifer e legiões deles se rebelaram contra Deus, pelo que caíram em terrível condenação. O tempo exato dessa queda não é dado a conhecer na Bíblia. Jesus fala acerca do Diabo dizendo ser ele homicida desde o princípio. O apóstolo João diz que o diabo desde o princípio. Pouco se diz a respeito do pecado que ocasionou a queda dos anjos; porém, quando Paulo adverte a Timóteo no sentido de que nenhum neófito seja designado bispo sobre a casa de Deus, diz o apóstolo porque: “...para não suceder que se ensoberbeça e caia na condenação do Diabo”. Daí se concluir que o pecado do Diabo foi a soberba e o desejo de sobrepujar a Deus.

c) Origem do Pecado na Raça Humana
“Portanto, assim como por um só homem entrou no pecado o mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. (Rm 5.12)

7) O CONCEITO DE PECADO NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO

O Antigo Testamento descreve o pecado nas seguintes esferas:

a) Na Esfera Moral - A palavra mais usada para o pecado significa “errar o alvo”.

- Errar o alvo: Dá idéia de, como um arqueiro que atira, mas erra, do mesmo modo, o pecador erra o alvo no final da vida. - Tortuosidade ou perversidade: o contrário da retidão; errar o caminho, como um viajante que sai do caminho certo. - Falta: ser achado em falta ao ser pesado na balança de Deus. - Mal: “violência” ou “infração”

b) Na Esfera da Conduta Fraternal

A palavra usada para determinar o pecado nesta esfera significa, violência ou conduta injuriosa (Gn 6.11; Ez. 7.23; Pv 16.29) ao excluir a restrição da lei, o homem maltrata e oprime seus semelhantes.

c) Na Esfera da Santidade

As palavras empregadas
eram: “profano”, “imundo”, “contaminado” e “transgressor”. Estes termos empregados nesta esfera implicam que o ofensor já usufruiu a relação com Deus. Entendemos que os Israelitas como povo escolhido, deveriam ser santos, pois pelas leis, em toda as atividades e esferas de suas vidas, estavam reguladas pela Lei da Santidade. E que fosse contrário a isso se tornava imundo, (Lv 11.24, 27, 31, 33, 39)

d) Na Esfera da Verdade
“Engano”, “Mentira”. As palavras que descrevem o pecado nesta esfera dão ênfase ao inútil e fraudulento elemento do pecado. Os pecadores falam e tratam falsamente (Salmos 58:3; Is 28.15; Êx 20.16; Sl 119.128).
O primeiro pecador foi um mentiroso (Jo 8.44); o primeiro pecado começou com uma mentira (Gn 3.4); e todo o pecado contém o elemento do engano (Hb 3.13).

e) Na Esfera da Sabedoria
Os homens se portam impiamente porque não pensam ou não querem pensar corretamente; não dirigem suas vidas de acordo com a vontade de Deus, seja por descuido ou por deliberada ignorância. O homem precisa crescer na sabedoria para firmeza e fundamento moral, o que de palavras de sabedoria, ensino, exortação, fora escrito para ele não esquecer; para não ser facilmente conduzido ao pecado. (Mt 7.26; Pv 7.7; 9.4)

8) NO NOVO TESTAMENTO

Palavras que expressam o Pecado no Antigo e Novo Testamento:

a) Errar o alvo i) Fermento
b) Tortuosidade j) Desordem
c) Perversidade k) Iniqüidade
d) Lepra l) Desobediência
e) Violência m) Queda
f) Profano n) Derrota
g) Imundo o) Impiedade
h) Transgressor p) Erro

. Errar o Alvo - que expressa a mesma idéia que a conhecida palavra do Antigo Testamento.

. Dívida (Mt 6.12) - O homem deve a Deus a guarda dos seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida. Incapaz de pagá-la, a única Esperança do homem é ser perdoado, ou obter remissão da dívida.

. Desordem - O pecado é iniqüidade (I Jo 3.4), o homem escolheu a sua própria vontade, isto é rebeldia.

. Transgressão - literalmente “ir além do limite” (Romanos 4:15). Os mandamentos de Deus são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território perigoso e dessa maneira sofrer o prejuízo para sua alma.

. Queda - Cair para um lado, (Ef 1.7). Pecar é cair de um padrão de conduta.

. Derrota - é o significado literal da palavra “queda” em Rm 11.12. Ao rejeitar a Cristo, a nação judaica sofreu uma derrota e perdeu o propósito de Deus.

. Impiedade - de uma palavra, sem adoração ou reverência, (Rm 1.18; 2 Tm 2.16). O homem ímpio é o que dá pouca ou nenhuma importância a Deus e as coisas sagradas, pois não há temor ou reverência, porque está sem Deus e não quer saber de Deus.

. Erro (Hb 9.7) - Descreve aqueles pecados cometidos como fruto da ignorância, e dessa maneira diferenciam daqueles pecados cometidos presunçosamente, apesar da luz esclarecedora. O homem que desafiadoramente decide fazer o mal incorre em maior grau de culpa do que aquele que apanhado em falta, a que foi levado por sua debilidade.

O pecado tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento é considerado uma “brecha” ou “rompimento” de relações entre o pecador e o Deus pessoal. É o desvio do pecado da vontade de Jeová, ou seja, a quebra da lei, sendo que Jeová é a própria lei.

9) TEORIAS ACERCA DO PECADO

a) A Teoria Pelagiana do Pecado
O “Pelagianismo’’ (do latim: “pelagianismus”), é a Doutrina fomentada por Pelágio, clérigo britânico do século IV. Entre outras coisas, ele negava o livre-arbítrio e a influência da graça divina. É semelhante ao “Determinismo”, que nega o livre-arbítrio e que o pecado é algo natural do homem.

b) A Teoria Católica Romana do Pecado

Pecado Capital - expressão com que a Igreja Católica romana designa diversos pecados: orgulho, ódio, inveja, impureza, gula, preguiça e a avareza.

c) A Teoria Evolucionista do Pecado
Baseada e fundamentada na Teoria de Darwin, o Evolucionismo considera o pecado como herança do animalismo primitivo do homem, ou seja, na fase evolutiva do homem, erros e falhas são comuns, até que um dia o homem chegará a ponto de perfeição.

d) O Ateísmo

Nega a Deus, nega também o pecado, porque estritamente falando, todo pecado é contra Deus, e se não há Deus, não há pecado.

e) O Determinismo
Essa teoria filosófica afirma ser o livre-arbítrio uma ilusão, e não uma realidade. Uma conseqüência prática do Determinismo é tratar o pecado como se fosse uma enfermidade por cuja causa o pecador merece pena, compaixão ou misericórdia (dó), ao invés de ser castigado.

f) O Hedonismo
O Hedonismo (do grego: “hedoné” e do latim: “hedonismus”; prazer), é a teoria que sustenta que o melhor ou mais proveitoso que existe na vida é a conquista do prazer e a fuga a dor. Eles desculpam o pecado com expressões como estas: “Errar é humano”; “o que é natural é belo e o que é belo é direito”.

A consciência testifica inequivocadamente da realidade do pecado. Todos sabem que são pecadores. Ninguém, que tenha idade de responsabilidade, tem vivido livre do senso de culpa pessoal e contaminação moral. O remorso da consciência, por causa do mal praticado, persegue a todos os filhos e filhas de Adão, ao passo que as conseqüências entristecedoras e terríveis do pecado são vistas através da deterioração e degeneração física, mental e moral da raça.

( Rm 1.18-28)

A doutrina do pecado é apresentada na Carta aos Romanos de modo muito realista e numa perspectiva de sua prática. O pensamento moderno tenta salvar o homem pecador oferecendo-lhe educação, religião e filosofia, visando com estes intentos moralistas tornar bom o homem mergu-lhado na lama do pecado. Entretanto, a realidade do pecado é outra. O homem é pecador e indesculpável diante de Deus. Nesta primeira parte do estudo da Carta aos Roma¬nos, Paulo, sob a unção do Espírito Santo, como um médico capaz, diagnostica o mal que condena o homem pecador, mas apresenta, também, o remédio divino contra esse mal chamado pecado.

Para que tenhamos uma visão mais ampla sobre esta doutrina precisamos conhecer a essência do pecado conforme a Bíblia a apresenta. Existem palavras no Antigo e no Novo Testamento que mostram as várias facetas do pecado. As línguas originais da Bíblia, o hebraico e o grego, dão-nos vários significados acerca do pecado. Fundamentalmente, pecado no hebraico é"chattath" e no grego é "hamartia" - palavras que dão a idéia do pecado como "um mal moral", mas que, essencialmente, significam antes "errar o alvo". Entende-se, então, que o homem foi criado com um alvo específico, mas ao pecar, perdeu esse alvo.

Portanto, nesta carta, a doutrina do pecado é apresentada numa teologia realista em que os aspectos negativos e positivos da Justiça de Deus são colocados de modo prático na vida do pecador.

A IRA DE DEUS (1.18)

- Que é a ira de Deus? - É a reação natural e automática da santidade de Deus contra o pecado. Não significa que Deus se torna raivoso e furioso, nem tampouco significa alguma paixão que o provoque, à semelhança dos homens. Na verdade, Deus odeia o pecado, mas ama o pecador. Vários textos comprovam essa declaração: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Outro texto diz: "Mas Deus provou o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8). Esses dois textos declaram que Deus ama o pecador.

1. A santidade de Deus é a expressão de sua ira

Portanto, quando a ira de Deus se manifesta, é na verdade a sua Santidade que se levanta como uma barreira contra o pecado. Não que corra o risco de Deus ser alcançado ou afetado pelo pecado, mas porque sua natureza eterna e santa tem autodefesa. Deus é santo! Ele não precisa ser santo. A santidade nEle é um estado eterno, imutável e inconfundível. Na história da libertação do povo judeu do Egito destaca-se o seu líder Moisés. Quando Deus o convocou no monte Horebe e mostrou-lhe sua glória, Moisés temeu voltar ao Egito. Temia não ser acreditado nem aceito pelo seu povo. Por isso fez uma prova de Deus perguntando-lhe: "Eis que quando vier aos filhos de Israel, e lhes disser: - ‘O Deus de vossos pais me enviou a vós‘, e eles me disseram: - ‘Qual é o seu nome?‘ que lhes direi? E disse Deus a Moisés: ‘Eu sou o que sou‘. Disse mais: ‘Assim dirás aos filhos de Israel: Eu sou me enviou a vós‘" (Êx 3.13,14). Nesta identificação do "EU SOU" conhecemos aquele que não foi, nem pretendia ser, mas que é para sem¬pre. Ele é santo, três vezes santo, e nunca deixará de ser santo.

Portanto, sua ira é a barreira contra o pecado. É a muralha que impede a manifestação do pecado na sua presença.

2. A manifestação da ira de Deus

"Porque do Céu se manifesta a ira de Deus" (1.18). A manifestação da ira procede do Céu. - Que Céu é esse? -Não se trata do espaço entre o homem e o infinito. A procedência da manifestação da ira aponta para um lugar não-físico, mas um lugar onde Deus habita. "Do Céu" (1.18) para fortalecer o fato de que essa ira divina vem de cima.

"...se manifesta" (1.18) - A palavra manifestar signi¬fica neste texto revelar; ou resplandecer. Trata-se de uma manifestação literal. Não é fictícia nem simbólica. Sua realidade é conhecida na experiência humana.

"Sobre toda a impiedade e injustiça" (1.18) - A ira de Deus "se manifesta" para quê? ou por quê? O texto é objetivo e aponta para duas razões específicas:

a "impiedade" e a "injustiça". Quando a ira de Deus se manifesta contra ou "sobre toda a impiedade", refere-se à irreligiosidade do homem pecador. Significa a negação daquilo que é inerente ao homem, isto é, sua crença em Deus. Esse fato é indiscutível e inevitável dentro do ser humano. É natural que a ira divina reaja quando o homem nega o fato de Deus em sua vida, e muito mais, quando o homem deixa a piedade, isto é, sua religiosidade e se lança contra o seu próprio Criador. Negar a Deus é querer torná-lo mentiroso e viver como se Ele não existisse.

O texto acrescenta outra palavra, que é a injustiça, a qual significa deixar de fazer o que é reto. É o desvio premeditado para o pecado. É sair da rota divina e tomar o caminho da injustiça. Então aprendemos que a ira de Deus manifesta-se pela pertinaz rejeição a Deus. É a rejeição da luz reveladora da verdade.

O texto continua e acusa os homens que cometem a injustiça e a impiedade, de "que detêm a verdade em in¬justiça" (1.18). A verdade e a injustiça são detidas por aqueles que recusam a verdade. "Deter a justiça" significa reter, estorvar, aprisionar ou impedir que a verdade venha à luz. "Deter a verdade" significa impedir que ela tenha livre acesso para desenvolver-se. Significa estorvar pelo espírito do erro. A verdade deve encontrar caminho aberto e espaço livre para desenvolver-se na vida dos homens. Portanto, a ira de Deus manifesta-se contra aqueles que estorvam ou obstruem o caminho da verdade.

A RECUSA DO HOMEM À VERDADE (1.19-21)

Nestes três versículos nos deparamos com o homem evitando a verdade e rejeitando-a.

1. O conhecimento de Deus revelado na vida do ho¬mem (vv 19,20)

"Portanto o que de Deus se pode conhecer" (1.19). Indica que o conhecimento acerca de Deus é revelado na própria vida do homem, na natureza e em toda a criação. Diz mais o texto: "neles se manifesta" (1.19). É um fato inevitável no homem. Está manifesto na sua vida esse conhecimento. Confirma ainda mais o texto: "Porque Deus lho manifestou" (1.19). Isto prova que o homem pode ne-gar ou rejeitar esse conhecimento, mas não evitá-lo. No versículo 20, o apóstolo Paulo apresenta o tipo de conhecimento que o homem não deve evitar, mas, se o faz, é porque prefere viver dissolutamente. Se o homem disser que não conhece a Deus porque não o pode ver, por isso não existe, ele se depara com as obras manifestas de Deus: "Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas" (3.20). Como negar o fato da criação diante dos nossos olhos? Todas as formas de ateísmos se diluem diante das obras do Deus invisível. O mesmo versículo 20 termina com esta expressão: "...para que eles fiquem inescusáveis". - Que argumento levantará o homem no Juízo Final? - Nenhum! Pois todos os homens são inescusáveis diante de Deus. A negação da verdade tornasse um pecado irremediável diante de Deus.

2. O pecador, não glorifica a Deus, mesmo tendo-o conhecido (v 21)

"Porque tendo conhecido a Deus, não o glorificamos como Deus" (1.21). Este versículo não deixa dúvida. Ele afirma que o homem conhece a Deus e não pode fugir desse fato, mas o acusa por não conhecê-lo, mesmo sabendo que Ele é o Deus verdadeiro. O ato de dar glória neste texto re¬fere-se a reconhecer as obras de Deus.

3. O pecador não lhe dá graças (v 21)

"...nem lhe deram graças" (1.21) - A gratidão resulta de um coração sincero, que não detêm a verdade, nem a rejeita. Dar graças significa oferecer ao Criador o pleito de reconhecimento, pelo que Ele é e faz.

"...antes em seus discursos se desvaneceram" (1.21) -Isto é, Deus acusa os homens, não só por negá-lo, mas por lutarem contra Ele "em seus discursos" inflamados pelo pecado.

4. O pecador é insensato (v .21)

"...e o seu coração insensato" (1.21) - Diz respeito à falta de senso. A sensatez torna o homem prudente; ele mede as conseqüências de qualquer ação. Porém, quando o homem permite que "seu coração" se torna insensato, está tomando o caminho da destruição e do juízo. A insensatez cega o homem no sentido espiritual. Por isso, o texto diz: "o seu coração insensato se obscureceu". Quando a loucu¬ra domina os sentimentos do homem, ele se torna cego, obscuro. Não pode ver, nem sentir e nem agir inteligente¬mente. O pecado obscurece a mente e o espírito do homem quando ele rejeita a verdade e a luz de Deus. A verdade traz à tona o que está escondido. A verdade é luz que reve¬la o escondido no obscurecimento espiritual. A verdade li¬berta o homem. O pecado escraviza e prende. A verdade capacita o homem a reconhecer a Deus como Senhor e Criador.

DESORDENS FÍSICAS, MORAIS E ESPIRITUAIS (1.22-24)

Trágicas desordens na vida do homem foram provoca¬das pelo seu pecado de rejeição a Deus. A experiência hu¬mana testemunha esse fato. Quando o homem rejeita toda possibilidade de reconciliação com Deus, fica entregue à mercê da própria sorte!

O apóstolo Paulo destaca três principais desordens na vida do pecador que rejeita a graça de Deus:

1. (1.23) - A primeira desordem acontece nas relações do homem para com Deus. Essa desordem conduz o homem à idolatria, e esta é o maior pecado de rebelião contra Deus. Essa desordem está expressa no versículo 23, que diz: "E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis". Essa desordem provoca a manifestação da ira de Deus, isto é, a santidade divina abomina toda a idolatria. Esse pecado de idolatria ofende, também, a autoridade e o poder de Deus. Sua autoridade é incontestável e imutável. Quando o homem, conhecendo a verdade, se utiliza da idolatria, quer ferir a autoridade divina e anulá-la na sua vida. - E como subsistirá o homem sem Deus? - Não poderá!

2. (1.24) - A segunda desordem acontece na vida física do próprio homem. É a perversão de sua própria natureza. O homem se torna escravo de seus próprios desejos, os quais estão sob o domínio da força do pecado. Essa desordem está no versículo 24. A primeira parte do texto diz: "Deus os entregou às concupiscências de seus corações". A palavra "corações" refere-se aos sentimentos dos homens. Quando os sentimentos estão sob a tutela do pecado, eles pecam contra o espírito e são capazes de escravizar o homem com correntes carnais, conforme está exposto nos versículos 28 a 32.

3. (1.24) - A terceira desordem acontece nas relações do homem com o seu próximo. Diz o texto do versículo 24 no seu final:"...a imundícia, para desonrarem seus corpos entre si". Essa desordem para com o próximo mostra a perversão do coração do homem. Nos dias atuais, essa desordem, que acontece muito especialmente no aspecto sexual, está se tornando comum e aceitável no seio da sociedade. Admite-se hoje, com facilidade o que chamam de 3º sexo. Mestres de pornografia lançam o que está em seus corações, toda a imundícia e a perversão da criação divina. Deus criou o sexo como bênção e para a perpetuação das espécies. Porém, o pecado é o desvio do alvo divino, e ele penetra no coração do homem, escravizando-o ao mais baixo grau. Essa desordem resulta da rejeição do homem a Deus. É escolha dele e jamais poderá culpar alguém pela sua rejeição. No Juízo Final não escaparão, pois serão condenados, conforme já está predito: "Ficarão de fora os cães, e os feiticeiros, e os que se prostituem e os homicidas, e os idolatras, e qualquer que ama e comete a mentira" (Ap 22.15).

4. Conseqüências da rejeição a Deus (1.24-28) - Esses versículos indicam as conseqüências do pecado do homem, e se expressam com as palavras textuais: "Deus os entregou".

a) Primeira conseqüência: "Deus os entregou à imundícia" (1.24). Significa que, dada a rejeição consciente dos pecadores, Deus os entregou às garras dos sentimentos pervertidos, para que fossem lavados e varridos por seus impulsos pecaminosos. A palavra imundícia relaciona-se com toda sorte de pecados impuros, antinaturais. A expressão "Deus os entregou" deve ser entendida como: Deus desistiu de lutar por eles; não que não pudesse, mas porque preferiram o pecado a Deus. Distorções morais re¬sultam desse estado, e o homem fica entregue aos poderes destrutivos de sua natureza pecaminosa. É nesse estado que o homossexualismo, a pederastia, o lesbianismo e outras formas pervertidas da natureza agem livremente. Quantos milhões de pessoas são escravas da imundícia!

b) Segunda conseqüência - "Deus os entregou às paixões infames" (1.26). O texto diz: "Deus os entregou às paixões infames". O homem sem Deus torna-se vítima dos mais degradantes apetites e paixões. O Novo Testamento mostra, nas Epístolas Gerais e mesmo nos Evangelhos, que o ceder aos desejos impuros resulta em escravidão, e conduz a paixões ainda mais pervertidas. Quando o homem tem Deus na vida, ele pode dominar sobre os desejos da carne.

c) Terceira consequência - "Deus os entregou a um sentimento perverso" (1.28). Significa que Deus os deixou à mercê de seus próprios sentimentos. O texto aponta a ra¬zão que levou Deus a deixá-los entregues a um sentimento perverso: "E por haverem desprezado o conhecimento de Deus" - eis a razão. Numa tradução do Espanhol, o mes¬mo texto aclara melhor a razão que diz: "E como eles não aprovaram ter em conta a Deus, Deus os entregou a uma mente depravada". Ter uma "mente depravada" significa a perda da capacidade para discernir as diferenças entre "bem e mal".

Bibliografia E. Cabral

A origem etimológica da palavra hamartiologia

A doutrina do pecado é identificada como Hamartiologia. Essa palavra deriva de dois termos da língua grega, língua do Novo Testamento: “hamartia” e “logos”, que significam juntas “estudo acerca do pecado”. O termo “hamartia” tem, na sua etimologia grega, o sentido de “errar o alvo”. Portanto, o estudo acerca do pecado, como ato, estado ou condição, sugere que o pecado é “um desvio do fim (ou modo) estabelecido por Deus”.

Na Teologia Cristã, a doutrina do pecado ganha espaço porque o cristianismo representa a possibilidade de redenção do estado pecaminoso do homem. Três grandiosas doutrinas bíblicas ganham espaço na vida do homem, as quais são: a Doutrina de Deus, a Doutrina do Pecado e a Doutrina da Redenção. Existe uma relação essencial entre essas três doutrinas de tal modo que é impossível tratar do pecado sem tratar da Redenção e, naturalmente, ao tratar sobre Redenção, inevitavelmente a relacionamos com a sua fonte, que é Deus.

A questão do mal é tratada na Bíblia a partir do relato do livro de Gênesis sobre a Queda do homem. Esse relato descreve o princípio da tentação do homem e a sua concessão ao pecado, trazendo maldição à sua vida pessoal e a toda a Terra.

O pecado é um tipo de mal, porque nem todo mal é pecado. Existem males físicos conseqüentes da entrada do pecado no mundo. Na esfera física, temos um tipo de mal que se manifesta nas doenças. Entretanto, na esfera ética, o mal tem um sentido moral. É nessa esfera moral que se manifesta o pecado. Os vários termos hebraicos e gregos das línguas originais da Bíblia, quando falam do pecado, apontam para o sentido ético, porque falam da prática do pecado, ou seja, dos atos pecaminosos.

O pecado é, de fato, uma ativa oposição a Deus, uma transgressão das suas leis, que o homem, por escolha própria (livre), resolveu fazer (Gn 3.1-6; Is 48.8; Rm 1.18-22; 1Jo 3.4).

O Que é Pecado Original?

É o pecado herdado da desobediência de Adão e Eva. O primeiro homem, como representante da raça humana, corrompeu toda a humanidade ao transgredir a lei de Deus. O Senhor Deus ordenou ao homem:

"De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás"

A mulher, dando ouvidos à serpente, comeu do fruto da árvore proibida e cometeu o primeiro pecado da humanidade. "Como semente gera semente da mesma espécie", nós, sementes de Adão, herdamos a natureza pecaminosa. Assim, "por um só homem entrou o pecado no mundo / pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". (Gn 2.16-17; 3.1-6; Rm 3.23; 5.12). A esperança é que se

"pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos". (Rm 5.19).

O Pecado Original

O pecado original não é um assunto que é proeminente na teologia moderna, pois é contrária a grande parte das modernas crenças arrogantes, e conseqüentemente, nenhum pregador oportunista ousará apresentá-lo à congregação em que ele serve, a fim de não ofender as sensibilidades mais delicadas de um membro. Contudo, tem sido uma das doutrinas mais fundamentais e importantes das Escrituras, pois é o alicerce de muitas outras. Se não existe o pecado original, o homem não herdou natureza pecadora nenhuma, não há necessidade nenhuma de redenção do pecado e não há necessidade de um Cristo crucificado. Também as igrejas não têm nenhum trabalho para fazer, e tornaram inúteis muitas convicções e práticas cristãs.


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