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domingo, 14 de abril de 2013

PRIMICÍAS


Significado de Primícias

s.f.pl. Aquilo que começa ou se apresenta em primeiro lugar; prelúdios.
Os primeiros frutos que são tirados e/ou colhidos.
Os animais que primeiro nascem num rebanho.
Os lucros que são primeiramente apurados.
Os livros que vieram primeiro.
As primeiras causas, efeitos ou demonstrações de algo: as primícias de seu talento musical.
As emoções e/ou sentimentos que ocorrem antes dos demais: as primícias da infância.
(Etm. do latim: primitiae.arum)

Sinônimos de Primícias

Sinônimo de primícias: começo, início, prelúdios e primórdio

Definição de Primícias

Classe gramatical de primícias: Substantivo feminino plural
Separação das sílabas de primícias: pri-mí-cias




O que significa primícias?


O sentido bíblico mais comum da palavra primícia nos é revelada em Êxodo 23. 19: “As primícias dos frutos da tua terra trarás à Casa do SENHOR, teu Deus.” No Antigo Testamento havia ordem de Deus para que o povo dedicasse os primeiros (e melhores) frutos de suas colheitas ao Senhor. Isso era feito quando esses frutos eram colhidos e levados aos sacerdotes como oferta consagrada a Deus no tabernáculo e mais tarde no templo. Era uma oferta de gratidão acima de tudo.
O que é primícias, festas das primícias, festa das colheitas?
Inclusive, existia uma festa anual que focava bem essa questão das primícias. Era a Festa das Primícias. “Também tereis santa convocação no dia das primícias, quando trouxerdes oferta nova de manjares ao SENHOR, segundo a vossa Festa das Semanas; nenhuma obra servil fareis.” (Nm 28.26)
Essa festa também era chamada de Festa das Semanas (Dt 16. 9-12), pois era realizada sete semanas após a Páscoa. Também era chamada de festa das colheitas e da sega (Ex 23.16), pois era realizada ao início das colheitas. E também era chamada de festa de pentecostes (At 2.1; Lv 23.16), pois era realizada no quinquangésimo dia após a Páscoa.
Existem também outros sentidos da palavra primícia na Bíblia:
Aquele que creu primeiro: “saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles. Saudai meu querido Epêneto, primícias da Ásia para Cristo.” (Rm 16.5)
A primeira bênção que Deus dá aos seus fieis: “E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Rm 8.23)
O primeiro na ressurreição final: “Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, asprimícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.” (1 Co 15.23)
Lugar de prioridade entre as criaturas: “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.” (Tiago 1.18)
Os primeiros a serem apresentados a Deus: “São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro” (Ap 14.4)
Atualmente, como não estamos mais debaixo das leis cerimonias do Antigo Testamento, não observamos mais essas festas e nem as ordenanças sobre as primícias descritas ali. Porém, o sentido de dar o nosso melhor a Deus é preservado no Novo Testamento, principalmente como indicam dois textos que gosto muito:
“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força e amarás o teu próximo como a ti mesmo…” (Mc 12.30). Aqui vemos claramente o conceito de primícias sendo aplicado de nossa vida para com Deus e para com nosso próximo.
“buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça…” (Mt 6.33). Aqui também temos o conceito de “priorizar” encontrado nas primícias.
Quem cumpre esses mandamentos está dando a Deus as primícias em todas as áreas de sua vida! E o Senhor se agrada muito dessa nossa atitude!

Ofertas de Primícias

Nunca houve um momento que Deus não existisse. Ele era, é e será eternamente. Deus é imutável, não muda por nossa causa, mas nós devemos mudar para causa Dele.

“Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus" Sl 90:2

Esse Deus Eterno age por princípios que são leis. Existem coisas que por um momento não concordamos, ou gostaríamos que fossem diferentes, mas não dá! Mandamentos são ordens de Deus para serem cumpridas, e se não obedecermos arcaremos com as conseqüências, ou deixaremos de viver a plenitude de Deus. Sempre que em nossas vidas algo não estiver de acordo que aquilo que queremos ou sonhamos, devemos em primeiro lugar fazer uma auto-análise e perguntarmos: Quais os princípios tenho quebrado? A poucos dias recebi uma multa por ter passado no pardal a 70km na via de 60KM. Não adianta reclamar! Tenho que pagar! Um princípio foi quebrado!
Falamos sobre princípios, existe um princípio que, como igreja, não estávamos cumprindo, todavia, não é tarde para confessarmos nossos pecados e fazer como Ele manda! Refiro-me aOFERTA DE PRIMÍCIAS. Este é um princípio criado por Deus para nós abençoar! Quando Deus pede os primeiros frutos, Deus queria ser distinguido no coração de seus filhos. A entrega das primícias é uma forma de honrar ao Senhor

“Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.” Pv 3.9-10

A definição que o Dicionário Aurélio dá acerca de primícias é:



“Primeiros frutos; primeiras produções; primeiros efeitos; primeiros lucros; primeiros sentimentos; primeiros gozos; começos, prelúdios”.
A Bíblia está repleta de histórias de gente que manteve Deus em primeiro lugar em suas vidas a despeito do preço a ser pago. Abraão se dispôs a sacrificar seu próprio filho, mas não se atreveu a deixar de dar a Deus o primeiro lugar. José foi para a cadeia para não pecar contra Deus numa relação adúltera. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram lançados na fornalha por se recusarem a dar a uma estátua o lugar que pertencia só a Deus. Daniel foi lançado numa cova de leões pela decisão de manter Deus em primeiro lugar. Os apóstolos foram presos e açoitados porque importava antes obedecer a Deus do que aos homens. Estes são exemplos positivos que nos inspiram a seguir as mesmas pegadas dos que agiram corretamente. Além destas figuras e exemplos, o ensino explícito de Jesus não deixa dúvidas sobre a importância do assunto:

“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” Mt 6.33.


Os israelitas receberam do próprio Deus a ordem de consagrar a Ele os primeiros frutos do ventre de suas mulheres, do ventre de seus animais e também os frutos da terra. Na hora da colheita, o primeiro feixe pertencia a Deus e deveria ser apresentado perante o Senhor pelo sacerdote.
Ao santificar a primeira parte (a mais importante) você santifica também o resto que vem depois dela. Quando alguém santificava as primícias (primeiros frutos) santificava também tudo o que seria feito depois, incluindo a massa da oferta de cereais e a dos pães que viriam a comer depois.
Este era o entendimento que os judeus receberam da Lei de Moisés: ao santificarem ao Senhor as primícias de sua renda, estavam santificando o restante da renda que ficava em suas mãos. Por isso Deus poderia fazer encher fartamente os seus celeiros e transbordar de vinho seus lagares!


As Primícias no Velho Testamento
Deus ordenou clara e explicitamente a entrega das primícias (primeiros frutos) por meio de Moisés:

“As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à Casa do Senhor, teu Deus; não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.” Êx 34.26



As ofertas de Caim e Abel
O diferencial encontrado nas ofertas de Caim e Abel está diretamente ligado à entrega das primícias. Muita gente acha que o erro de Caim foi trazer uma oferta dos frutos da terra, em vez de ofertar um cordeiro (tipo do sacrifício de Cristo). Esse não era o verdadeiro problema. A Lei das Primícias fazia com que cada um trouxesse os primeiros do seu trabalho, e a Bíblia nos revela qual era o trabalho de cada um deles: Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador (Gn 4.2). Logo, as primícias de Caim teriam que ser do fruto da terra! A Bíblia diz que Deus atentou na oferta de Abel, a oferta correta. E a primeira menção das primícias nas Escrituras é encontrada justamente nesta oferta:

“Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das PRIMÍCIAS do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou.” Gn 4.3-5a


Note que Caim trouxe sua oferta NO FIM DE UNS TEMPOS. Independentemente de quais tempos sejam estes a que a Bíblia se refira (tempo de colheita, de ofertas etc.), Caim não honrou a Deus com os primeiros frutos. A entrega das primícias é uma forma de reconhecer Deus em primeiro lugar. Por outro lado, deixá-lo para o fim significa não dar a Ele o primeiro lugar. E o Senhor não aceitou isto de Caim, como não aceita isto de nós hoje.
Agora veja bem, se Caim não soubesse a forma correta de oferecer algo ao Senhor, não poderia ser culpado, mas ele sabia a forma correta de fazer. Vemos isto na conversa que Deus teve com ele depois de rejeitar sua oferta:

“Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. Então, lhe disse o Senhor: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” Gn 4.5b-7


O Senhor falou que Caim sabia que se procedesse bem seria aceito e que se procedesse mal o pecado estava à sua porta. Abel procedeu bem ao fazer de Deus o primeiro e trazer as primícias, enquanto Caim procedeu mal ao deixar Deus por último, para o fim.


Semente de Bênçãos

Na verdade, a entrega das primícias é uma semente para entrar nas bênçãos de Deus. O Senhor fez uma promessa a Abraão e sua descendência. Mas, como Paulo escreveu aos romanos, a forma de santificar o resto de alguma coisa, é santificando ao Senhor as primícias daquilo. Portanto, Deus, que se move por seus princípios, pediu a Abraão as primícias de sua descendência: Isaque. E depois, passa a defender toda a descendência de Abraão como se todos fossem aquele primogênito entregue. Veja a mensagem que Deus deu para Moisés entregar ao Faraó egípcio:

“Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. Digo-te, pois: deixa ir meu filho, para que me sirva; mas, se recusares deixá-lo ir, eis que eu matarei teu filho, teu primogênito.” Ex 4.22-23


Deus mandou dizer que Israel era seu primogênito (fruto da consagração das primícias de Abraão), e que se Faraó não o libertasse, então os primogênitos do Egito é que sofreriam. E foi o que aconteceu. Mas num registro posterior, no livro de Salmos, observe como é descrito o juízo divino sobre os primogênitos egípcios:

“Feriu todos os primogênitos no Egito, as primícias da virilidade nas tendas de Cam.” Sl 78.51

“Também feriu de morte a todos os primogênitos da sua terra, as primícias do seu vigor.” Sl 105.36


Em ambos os casos eles são chamados de as primícias dos egípcios. Isto faz com que entendamos aquela mensagem de Moisés a Faraó mais ou menos assim: “Assim diz o Senhor: Israel é o meu primogênito, as primícias consagradas de meu servo Abraão. Deixa ele livre para que me sirva, senão eu julgarei os seus primogênitos, primícias de sua força.”
A questão das primícias sempre traz conseqüências espirituais. Honrar ao Senhor com a entrega delas traz bênçãos, mas brincar com Deus no tocante a isto gera juízo!
Deus pediu aos israelitas a consagração de todo primogênito:

“Disse o Senhor a Moisés: Consagra-me todo primogênito; todo que abre a madre de sua mãe entre os filhos de Israel, tanto de homens como de animais, é meu.” Êx 13.1-2.

E explicou a razão disto:

“Quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, como te jurou a ti e a teus pais, quando ta houver dado, apartarás para o Senhor todo que abrir a madre e todo primogênito dos animais que tiveres; os machos serão do Senhor. Porém todo primogênito da jumenta resgatarás com cordeiro; se o não resgatares, será desnucado; mas todo primogênito do homem entre teus filhos resgatarás. Quando teu filho amanhã te perguntar: Que é isso? Responder-lhe-ás: O Senhor com mão forte nos tirou da casa da servidão. Pois sucedeu que, endurecendo-se Faraó para não nos deixar sair, o Senhor matou todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito do homem até ao primogênito dos animais; por isso, eu sacrifico ao Senhor todos os machos que abrem a madre; porém a todo primogênito de meus filhos eu resgato.” (Êx 13.11-16.)


Além de ensinar-lhes um princípio, o Senhor se movia por meio de um ato de legalidade. Na verdade, quando protegeu e guardou os primogênitos dos filhos de Israel, Deus os comprou. Usando a linguagem bíblica, podemos dizer que o Senhor os resgatou e se fez dono deles. Dali em diante, todo primogênito era dele e a consagração ao Senhor era o meio de reconhecer isto.
Para ficar com seus filhos, os pais deveriam resgatá-los de volta por meio de ofertas. Mas ao consagrarem o primogênito, estavam santificando a Deus o restante de sua descendência.


Conseqüências Espirituais
Porque Israel perdeu a batalha contra Aí? O que aconteceu de fato com Israel pelo pecado de Acã em Jericó? Vejamos: Jericó era a primeira cidade a ser conquistada em Canaã. Portanto, de acordo com o princípio das primícias, o despojo de guerra não era deles, e sim do Senhor

“Tão-somente guardai-vos das coisas condenadas, para que, tendo-as vós condenado, não as tomeis; e assim torneis maldito o arraial de Israel e o confundais. Porém toda prata, e ouro, e utensílios de bronze e de ferro são consagrados ao Senhor; irão para o seu tesouro.” Js 6.18-19.


Os israelitas estavam proibidos de apropriar-se de qualquer coisa em Jericó. Os tesouros deveriam ir para o templo e as demais coisas (chamadas de coisas condenadas) deveriam ser destruídas. Traduções bíblicas como a versão Corrigida de Almeida, traduzem esta palavra como“anátema” passando uma idéia de que a razão pela qual não se poderia tocar naqueles bens de Jericó eram por ser malditos. Mas a definição bíblica era de algo consagrado para a destruição. Poderia trazer maldição pela quebra de um princípio, mas não eram coisas malditas em si mesmas. Assim, como o primogênito da jumenta que não podia ser sacrificado e tinha que ser resgatado ou desnucado, assim também Deus especificou o que queria que fosse dedicado a Ele e o que fosse destruído. O importante não era achar um uso para aquelas coisas, e sim não tocar nas primícias do Senhor.
E o exército de Israel obedeceu à ordem que lhes fora dada

“Porém a cidade e tudo quanto havia nela, queimaram-no; tão-somente a prata, o ouro e os utensílios de bronze e de ferro deram para o tesouro da Casa do Senhor.” Js 6.24.


Mas um soldado chamado Acã desobedeceu à ordem divina: Prevaricaram os filhos de Israel nas coisas condenadas; porque Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zera, da tribo de Judá, tomou das coisas condenadas. A ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel. Josué 7.1.
A conseqüência de se quebrar este princípio, foi que a bênção para as demais conquistas foi retirada de sobre Israel. Eles foram derrotados na próxima batalha que exigia muito pouco deles, pois a Lei das Primícias não foi obedecida. Quando se santificam ao Senhor as primícias de algo, santifica-se, também, o restante. Quando se rouba a Deus nos primeiros frutos, perde-se a sua bênção no restante.
Este princípio funciona em todas as áreas. Ao separarmos um tempo pela manhã para buscarmos a Deus, e oferecermos em nosso devocional as primícias do dia, estamos santificando o restante dele ao Senhor. Quando separamos o dízimo, e aplicamos a Lei das Primícias dando a Deus a PRIMEIRA décima parte da renda, estamos santificando as outras nove partes restantes que ficam em nosso poder.
Alguns pregadores fazem diferença entre as primícias e o dízimo; ensinam o cristão a doar o equivalente ao ganho de seu primeiro dia de trabalho (além do dízimo). Outros ensinam a prática das primícias na entrega do dízimo. A idéia das primícias não se prende tanto ao fato de se é o ganho do primeiro dia ou o primeiro décimo da renda. O importante é dar primeiro a parte de Deus antes de gastarmos com as outras coisas.
Acredito que as primícias e o dízimo deve ser nosso item número um no plano de contas do orçamento. Além de ser dado primeiro, deve refletir o fato de que Deus vem em primeiro. Quando honramos ao Senhor com as primícias de nossa renda, Ele também nos honra em nossas finanças.
Por outro lado, quando pensamos somente em nós mesmos, e não nos preocupamos com as coisas do Senhor, ferimos sua primazia e perdemos suas bênçãos. É o que ocorreu nos dias de Ageu, quando ele profetizou que o povo só se preocupava com suas casas enquanto a Casa do Senhor estava em ruínas. E justamente por colocarem-se a si mesmos em primeiro lugar e deixar Deus por último (ou de fora) é que perderam as bênçãos divinas.
Acredito que o mesmo se dá com o ato de dar e ofertar ao Senhor. Foi por isso que Paulo instruiu os coríntios

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria.” 2Co 9.7

"Eis que, agora, trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó SENHOR, me deste. Então, as porás perante o SENHOR, teu Deus, e te prostrarás perante ele." Deuteronômio 26:10

"E, se forem santas as primícias da massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o serão." Romanos 11:16

"Elias lhe disse: Não temas; vai e faze o que disseste; mas primeiro faze dele para mim um bolo pequeno e traze-mo aqui fora; depois, farás para ti mesma e para teu filho. Porque assim diz o SENHOR, Deus de Israel: A farinha da tua panela não se acabará, e o azeite da tua botija não faltará, até ao dia em que o SENHOR fizer chover sobre a terra. " I Reis 17:13 e 14

"Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. " 1 Coríntios 15:20

Temos que nos libertar de pensamentos e argumentos que vão contra o conhecimento de Deus para sermos liberais em dar. Melhor é dar do que receber. Quando se fala e mais uma contribuição para o Reino, começam a vir os pensamentos: Para quem ganha duzentos reais talvez seja até fácil das prmícias, dízimos e ofertas. Mas, quem ganha mil reais talvez já começa a dizer: "será que isso é de Deus?". Quem ganha cinco mil clama até o sangue de Jesus. Quem ganha 20 mil fala até em línguas e diz "Senhor, repreende esse negócio!". Não pode ser assim: Sê fiel no pouco, para que você seja colocado no muito de Deus.


“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria.” 2Co 9.7.


A Lei das Primícias

Desde que comecei a publicar os meus livros, sempre repito o mesmo “ritual”. Pego o primeiro exemplar de cada novo livro impresso que me chega às mãos e faço nele uma dedicatória à minha esposa. A Kelly sabe que o primeiro exemplar de cada novo livro ou reimpressão sempre pertence a ela. Para a leitura do livro ou para se guardar de recordação, não faz a menor diferença se ela pega o primeiro ou o último exemplar. Então por que sempre separo o primeiro livro para ela? Porque, através deste ato, quero demonstrar que a minha esposa é a pessoa mais importante para mim e que eu quero sempre distingui-la das demais pessoas. A importância de se separar para ela o primeiro exemplar de cada livro é pelo fato de eu cultivar dentro de mim um valor, e não porque o primeiro exemplar seja diferente dos demais no aspecto prático.

Penso que seja este o princípio que Deus aplica na Lei das Primícias. Ao ordenar que o Seu povo Lhe entregasse os primeiros frutos, Deus queria ser distinguido no coração de Seus filhos. A entrega das primícias é uma forma de se dar honra ao Senhor. Observe a ênfase bíblica:

“Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.” (Pv 3.9,10)

Ao mencionar a necessidade de darmos honra ao Senhor em nossas finanças, a Palavra do Senhor fala sobre os nossos bens e também sobre as primícias da nossa renda. Não se trata apenas de honrá-Lo com os nossos bens, nem tampouco de honrá-Lo apenas com a nossa renda, e sim com as primícias desta renda.

A definição que o Dicionário Aurélio dá acerca de primícias é: “Primeiros frutos; primeiras produções; primeiros efeitos; primeiros lucros; primeiros sentimentos; primeiros gozos; começos, prelúdios”. A definição bíblica não é diferente. Por trás de toda uma doutrina fundamentada em ensinos explícitos e figuras implícitas, as Escrituras nos mostram a importância que Deus dá ao nosso ato de entregarmos a Ele as nossas primícias, cuja definição é: “a primeira parte de algo.”

Deus não instituiu as ofertas pelo fato de precisar delas, mas para provar o nosso coração numa das áreas em que demonstramos um grande apego. Com a Lei das Primícias não é diferente. Deus não precisa dos primeiros frutos. Nós é que precisamos d’Ele em primeiro lugar em nossas vidas, e este é um excelente exercício para mantermos o nosso coração consciente disto.

Lemos em Êxodo 13.13 que, se o primogênito (considerado o primeiro fruto do ventre) da jumenta não fosse resgatado, o seu pescoço deveria ser quebrado. A importância da Lei das Primícias não estava no que seria feito com a oferta, mas no princípio de ela não ser utilizada em benefício próprio.

Entregar ao Senhor as primícias da nossa renda é dar-Lhe honra. É distingui-Lo. É demonstrar o lugar especial que Ele ocupa em nossas vidas. Deus quer ser o Primeiro em nossas vidas. A rebelião de Satanás foi a tentativa de usurpação desta posição divina. E ainda hoje ele tenta tomar o trono de Deus em nossos corações. Mas devemos manter o Senhor em Seu devido lugar.

A Bíblia está repleta de histórias de pessoas que mantiveram Deus em primeiro lugar em suas vidas a despeito do preço a ser pago. Abraão se dispôs a sacrificar o seu próprio filho, mas não se atreveu a deixar de dar a Deus o primeiro lugar. José foi para a cadeia para não pecar contra Deus numa relação adúltera. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram lançados numa fornalha por recusarem-se a dar a uma estátua o lugar que pertence só a Deus. Daniel foi lançado numa cova de leões pela decisão de manter a Deus em primeiro lugar. Os apóstolos foram presos e açoitados porque importava antes obedecer a Deus do que aos homens. Estes são exemplos positivos que nos inspiram a seguirmos as mesmas pegadas dos que agiram do modo correto, mas também há os exemplos negativos de pessoas que não fizeram de Deus o Primeiro em suas vidas, e tornaram-se um exemplo a não ser seguido.

Além destas figuras e exemplos, temos também o ensino explícito de Jesus, que não deixa dúvidas sobre a importância do assunto:

“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.33)

A Concordância de Strong mostra que a palavra grega traduzida como “primeiro” neste versículo é “proton” e significa: “Primeiro em tempo ou lugar, em qualquer sucessão de coisas ou pessoas. Primeiro em posição, influência, honra; chefe, principal”.

Quando fui batizado no Espírito Santo, a minha vida mudou da água para o vinho. Cresci num lar cristão e tive o meu encontro com Cristo muito cedo. Mas foi somente aos quinze anos de idade que eu conheci a pessoa do Espírito Santo, e a minha vida em Deus aparentemente começou a desenvolver-se de fato. No fim de semana em que eu tive esta experiência e disse a Deus que agora eu O queria em primeiro lugar em minha vida, Ele me pediu que eu fizesse a minha primeira renúncia: que eu me desfizesse do que eu mais amava, a minha bike! Nessa época eu passava a maior parte do meu tempo livre treinando manobras de “freestyle” nesta bicicleta e não havia nada que eu amasse tanto quanto aquela bike especialmente montada. As condições financeiras da nossa família não permitiam que eu tivesse uma bicicleta. A única bicicleta que eu e os meus irmãos tivemos antes disto foi a que ganhamos de nossa tia Domingas, a qual, por sua vez, a ganhou numa espécie de concurso. No entanto, juntei o meu próprio dinheiro, fazendo os meus “bicos” aqui e acolá, e consegui montar uma das melhores bicicletas do gênero em meu bairro! Quando o Senhor me pediu para entregá-la, foi como entregar um Isaque no altar, mas eu o fiz! Esta foi a forma (que o meu coração entendeu naquela época) de colocar Deus em primeiro lugar em minha vida.

Quando damos a Deus o primeiro lugar, não nos frustramos. Pelo contrário, há um sentimento de realização em nosso interior que testifica que de fato fomos criados justamente para isto. Sem Deus em primeiro lugar, há um desequilíbrio em nossas vidas. Perdemos o propósito da nossa existência.

PRIMÍCIAS NO NOVO TESTAMENTO

Alguns crentes têm dificuldades com qualquer menção de princípios ligados ao Antigo Testamento, e, antes de aceitarem qualquer doutrina, já começam indagando: “Qual é a base disto no Novo Testamento?”

Pois bem! Na Igreja Neo-Testamentária não se guardava mais a Lei de Moisés com o peso das ordenanças que ela tinha no Antigo Testamento. O Concílio de Jerusalém deixou claro que não havia encargo algum a ser imposto aos gentios, além daquelas quatro áreas mencionadas: abstinência da carne sufocada, do sangue, do sacrifício aos ídolos, e da prostituição.

Isto não quer dizer que, depois do Concílio, a Igreja Gentílica não precisasse de mais nenhuma instrução ou doutrina. Caso contrário, o Novo Testamento não teria sido escrito. Aquilo limitava, naquele momento, a herança mosaica a ser passada aos gentios. Contudo, posteriormente, ao ensinarem os princípios divinos à Igreja Neo-Testamentária, os apóstolos ainda apresentavam figuras poderosas para fortalecerem doutrinas da Nova Aliança prefiguradas no que se fazia anteriormente nos dias do Antigo Testamento. Isto não significava que eles estavam tentando retroceder, e sim que queriam esclarecer as figuras que Deus havia projetado por intermédio dos princípios praticados na Antiga Aliança.

“Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem.” (Hb 10.1 – Tradução Brasileira)

A sombra é diferente do objeto real que a projeta. Assim também, o que se via nas ordenanças da Antiga Aliança eram características similares às dos princípios que Deus revelaria nos dias da Nova Aliança. As observâncias materiais eram figuras das práticas espirituais.

O cordeiro sacrificado na Lei Mosaica foi apontado como uma figura (ou sombra) de Jesus, que veio para morrer em nosso lugar (Jo 1.29). A oferta de incenso do Tabernáculo passou a ser reconhecida como uma figura da oração dos santos (Ap 5.8). A Ceia da Páscoa deixou de ser praticada, e esta festa passou a ser uma aplicação espiritual dos princípios que ela figurava (1 Co 5.7,8). Assim também, outros detalhes da Lei que envolviam comida, bebida, e dias de festa, começaram a ser vistos, não como ordenanças materiais pelas quais quem não as praticasse poderia ser julgado, mas como uma revelação de princípios espirituais, cabíveis na Nova Aliança:

“Ninguém, portanto, vos julgue pelo comer, nem pelo beber, nem a respeito de um dia de festa, ou de lua nova ou de sábado, as quais coisas são sombras das vindouras, mas o corpo é de Cristo.” (Cl 2.16,17)

Foi com esta mentalidade (de se aplicar as sombras e figuras), e não tentando retroceder a uma prática material da Lei Mosaica, que o apóstolo Paulo nos revelou a aplicação espiritual da Lei das Primícias no Novo Testamento:

“Mas se as primícias são santas, também a massa o é; e se a raiz é santa, também os ramos o são.” (Rm 11.16 – Tradução Brasileira)

Os israelitas receberam do próprio Deus a ordem de consagrarem a Ele os primeiros frutos do ventre de suas mulheres, do ventre de seus animais, e também dos frutos da terra. Na hora da colheita, o primeiro feixe pertencia a Deus e deveria ser apresentado pelo sacerdote perante o Senhor, numa oferta de movimento. Destes primeiros frutos, também era feita uma oferta de cereais.

Portanto, Paulo estava ensinando que, ao santificar a primeira parte (a mais importante), você santifica também o restante, que vem depois dela. Quando alguém santificava as primícias (primeiros frutos), santificava também tudo o que depois seria feito com a colheita, incluindo a massa da oferta de cereais e dos pães que eles comeriam depois.

Uma outra ilustração também é apresentada para fortalecer o entendimento deste princípio: se a raiz (que é a parte mais importante, que surgiu primeiramente na formação da planta) for santificada, então os ramos e tudo o que surgir dela também serão santificados. Este era o entendimento que os judeus receberam da Lei de Moisés. Se santificassem ao Senhor as primícias de sua renda, estariam santificando o restante da renda que ficava em suas mãos. Por isso Deus poderia fazer com que se enchessem fartamente os seus celeiros e transbordassem de vinho os seus lagares!

Isto não apenas explica o que são as primícias, mas também nos mostra o poder que elas têm de santificar o restante daquilo de onde foram tiradas.

AS PRIMÍCIAS NO ANTIGO TESTAMENTO

Deus ordenou ao povo de Israel, de forma clara e explícita, a entrega das primícias (primeiros frutos) por meio de Moisés:

“As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à Casa do Senhor, teu Deus; não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.” (Êx 34.26)

A Tradução Brasileira (SBB), ao invés de traduzir “primícias dos primeiros frutos” neste versículo, optou por “as primeiras das primícias da tua terra”, pois duas palavras foram usadas juntamente, com a idéia de “primícias” e “primeiros frutos”.

De acordo com a Concordância de Strong, a primeira palavra usada no original hebraico é “re’shiyth”, que significa “primeiro, começo, melhor, principal; princípio; parte principal; parte selecionada”.

A segunda palavra usada no original hebraico é “bikkuwr”, que significa “primeiros frutos, as primícias da colheita e das frutas maduras que eram colhidas e oferecidas a Deus de acordo com o ritual do Pentecostes; o pão feito dos grãos novos de trigo oferecidos no Pentecostes; o dia das primícias (Pentecostes)”.

Vemos, portanto, que as primícias eram uma ordenança da Lei de Moisés. Porém, mesmo antes da instituição desta Lei, já percebemos o Senhor Deus trabalhando nos homens a compreensão da importância da entrega da oferta de primícias; vejamos a seguir alguns exemplos.

AS OFERTAS DE CAIM E ABEL

O diferencial encontrado nas ofertas de Caim e Abel está diretamente ligado à entrega das primícias. Muitas pessoas acreditam que o erro de Caim foi trazer uma oferta dos frutos da terra, ao invés de ofertar um cordeiro (uma tipologia do sacrifício de Cristo), mas eu não penso que este seja o verdadeiro problema.

A Lei das Primícias fazia com que cada um trouxesse os primeiros frutos do seu trabalho, e a Bíblia nos revela qual era o trabalho de cada um deles: Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador (Gn 4.2). Logo, as primícias de Caim teriam que ser do fruto da terra!

A Bíblia diz que Deus atentou na oferta de Abel, a oferta correta. E a primeira menção das primícias nas Escrituras é encontrada justamente nesta oferta:

“Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou.” (Gn 4.3-5a)

Por outro lado, note quando foi que Caim trouxe a sua oferta ao Senhor: “no fim de uns tempos”. Independentemente do que sejam estes tempos a que a Bíblia se refere (tempo de colheita, de ofertas, etc.), o fato é que Caim não honrou a Deus com os seus primeiros frutos. A entrega das primícias é uma forma de se reconhecer a Deus em primeiro lugar. Por outro lado, deixá-Lo para o fim significa não dar a Ele o primeiro lugar. E o Senhor não aceitou isto de Caim, assim como Ele não aceita isto de nós hoje.

Se Caim não soubesse a forma correta de se oferecer algo ao Senhor, ele não poderia ser culpado, mas ele sabia a forma correta de se ofertar. Vemos isto na conversa que Deus teve com ele, depois de rejeitar a sua oferta:

“Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. Então, lhe disse o Senhor: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” (Gn 4.5b-7)

O Senhor falou que Caim sabia que, se ele procedesse bem, seria aceito, e que se ele procedesse mal, o pecado estaria à sua porta. Abel procedeu bem, ao fazer de Deus o Primeiro e ao trazer as suas primícias, enquanto que Caim procedeu mal, ao deixar Deus por último, para o fim. Mas isto não foi algo que cada um deles houvesse feito acidentalmente, e sim por conhecerem o que Deus esperava deles.

SEMENTE DE BÊNÇÃOS

Na verdade, a entrega das primícias é uma semente que dá acesso às bênçãos de Deus. O Senhor fez uma promessa a Abraão e à sua descendência. Mas, como Paulo escreveu aos romanos, a forma de santificarmos o restante de alguma coisa, é santificando ao Senhor as suas primícias. Portanto, Deus, que Se move por Seus princípios, pediu a Abraão as primícias de sua descendência: Isaque. Depois, Ele passou a defender toda a descendência de Abraão como se todos fossem aquele primogênito entregue. Veja a mensagem que Deus deu para Moisés entregar ao Faraó egípcio:

“Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. Digo-te, pois: deixa ir meu filho, para que me sirva; mas, se recusares deixá-lo ir, eis que eu matarei teu filho, teu primogênito.” (Êx 4.22,23)

Deus mandou Moisés dizer que Israel era Seu primogênito (fruto da consagração das primícias de Abraão), e que, se Faraó não o libertasse, então os primogênitos do Egito é que sofreriam. E foi o que aconteceu. Mas, num registro posterior, no Livro de Salmos, observe como é descrito o juízo divino sobre os primogênitos egípcios:

“Feriu todos os primogênitos no Egito, primícias da força deles nas tendas de Cão.” (Sl 78.51 – Tradução Brasileira)

“Também feriu de morte a todos os primogênitos da sua terra, as primícias do seu vigor.” (Sl 105.36)

Em ambos os casos eles são chamados de “as primícias” dos egípcios. Isto faz com que entendamos a mensagem de Moisés a Faraó em Êxodo 4.22,23 da seguinte maneira: “Assim diz o Senhor: Israel é o Meu primogênito, as primícias consagradas de Meu servo Abraão. Liberta-o para que Me sirva, senão Eu julgarei os teus primogênitos, primícias da tua força”.

A prática da Lei das Primícias (ou a falta dela) sempre traz consequências espirituais. Honrar ao Senhor com a entrega das primícias traz bênçãos, mas brincar com Deus no tocante a isto gera juízo!

A COMPRA DOS PRIMOGÊNITOS ISRAELITAS

Deus ordenou aos israelitas a consagração de todos os primogênitos:

“E disse o Senhor a Moisés: Consagre a mim todos os primogênitos. O primeiro filho israelita me pertence, não somente entre os homens, mas também entre os animais.” (Êx 13.1,2 – NVI)

E Ele explicou a razão disto:

“Depois que o Senhor os fizer entrar na terra dos cananeus e entregá-la a vocês, como jurou a vocês e aos seus antepassados, separem para o Senhor o primeiro nascido de todo ventre. Todos os primeiros machos dos seus rebanhos pertencem ao Senhor. Resgatem com um cordeiro toda primeira cria dos jumentos, mas se não quiserem resgatá-la, quebrem-lhe o pescoço. Resgatem também todo primogênito entre os seus filhos. No futuro, quando os seus filhos lhes perguntarem: Que significa isto?, digam-lhes: Com mão poderosa o Senhor nos tirou do Egito, da terra da escravidão. Quando o faraó resistiu e recusou deixar-nos sair, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, tanto os de homens como os de animais. Por isso sacrificamos ao Senhor os primeiros machos de todo ventre e resgatamos os nossos primogênitos.” (Êx 13.11-15 – NVI)

Além de ensinar-lhes um princípio, o Senhor também estava Se movendo de acordo com um direito legal. Na verdade, quando Deus protegeu e guardou os primogênitos dos filhos de Israel, Ele os comprou. Usando a linguagem bíblica, podemos dizer que o Senhor os resgatou e Se fez Dono deles. Daí em diante, todo primogênito era d’Ele, e a consagração ao Senhor era o meio de se reconhecer isto.

Para poder ficar com os seus filhos, os pais deveriam resgatá-los por meio de ofertas. Mas, ao consagrarem o primogênito, estavam santificando a Deus o restante de sua descendência.

CONSEQUÊNCIAS ESPIRITUAIS

O melhor ensino que já encontrei sobre a questão das primícias foi no livro “Quando Deus é Primeiro” (editado em português pela Willën Books) do pastor Mike Hayes. A sua leitura ampliou o meu horizonte acerca das primícias, e eu o recomendo de coração. Ele me abriu os olhos para o que foi de fato o pecado cometido por Acã em Jericó.

Jericó era a primeira cidade a ser conquistada em Canaã. Portanto, de acordo com a Lei das Primícias, o despojo de guerra não era deles, e sim do Senhor:

“Tão-somente guardai-vos das coisas condenadas, para que, tendo-as vós condenado, não as tomeis; e assim torneis maldito o arraial de Israel e o confundais. Porém toda prata, e ouro, e utensílios de bronze e de ferro são consagrados ao Senhor; irão para o seu tesouro.” (Js 6.18,19)

Os israelitas estavam proibidos de se apropriarem de qualquer coisa em Jericó. Os tesouros deveriam ir para o Templo, e as demais coisas (chamadas de coisas condenadas) deveriam ser destruídas.

A Concordância de Strong mostra que a palavra hebraica traduzida aqui como “condenadas” é “cherem”, que significa: “uma coisa devotada, uma coisa dedicada, proibição, devoção, algo que foi completamente destruído ou designado para destruição total”. Ela tem como raiz a palavra hebraica “charam”, que por sua vez quer dizer: “consagrar, devotar, dedicar para destruição”.

Algumas traduções bíblicas, como a Versão Corrigida de Almeida, traduzem esta palavra como “anátema”, dando a entender que a razão pela qual os bens de Jericó não poderiam ser possuídos era o fato de serem amaldiçoados. A definição bíblica, no entanto, era a de algo consagrado à destruição. Isto poderia trazer maldição, pela quebra de um princípio, mas não era uma coisa maldita em si mesma. Assim como o primogênito da jumenta, que não podia ser sacrificado e tinha que ser resgatado ou desnucado, assim também Deus especificou o que Ele queria que fosse dedicado a Ele e o que Ele queria que fosse destruído. O importante não era a descoberta de um uso para aquelas coisas, e sim não tocar no que era sagrado: as primícias do Senhor. E o exército de Israel obedeceu a ordem que lhes foi dada:

“Porém a cidade e tudo quanto havia nela, queimaram-no; tão-somente a prata, o ouro e os utensílios de bronze e de ferro deram para o tesouro da Casa do Senhor.” (Js 6.24)

Um soldado, no entanto, desobedeceu a ordem que o Senhor havia dado:

“Prevaricaram os filhos de Israel nas coisas condenadas; porque Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zera, da tribo de Judá, tomou das coisas condenadas. A ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel.” (Js 7.1)

A consequência da quebra deste princípio foi que a bênção para as demais conquistas foi retirada de sobre Israel. Eles foram derrotados na próxima batalha, que exigia muito pouco deles, pois a Lei das Primícias não havia sido obedecida.

Quando santificamos as primícias de alguma coisa ao Senhor, também santificamos o restante daquilo de que foi tirada. Portanto, inversamente, quando roubamos a Deus nos primeiros frutos, também perdemos a Sua bênção no restante!

Este princípio funciona em todas as áreas. Ao separarmos um tempo pela manhã para buscarmos a Deus e oferecermos em nosso devocional as primícias do nosso dia, também estamos santificando o seu restante ao Senhor. Quando separamos as primícias da nossa renda, também estamos santificando o restante da nossa renda a Deus!

O PRIMEIRO DIA

“Disse mais Jeová a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando entrardes na terra que eu vos hei de dar, e comerdes as suas searas, trareis ao sacerdote um molho das primícias da vossa seara. Ele moverá o molho diante de Jeová, para que seja aceito a vosso favor; no dia depois do sábado o moverá.” (Lv 23.9-11 – Tradução Brasileira)

A entrega do molho das primícias ao sacerdote tinha um dia certo para ser feita. A Tradução Brasileira diz: “no dia depois do sábado”. A Versão Atualizada de Almeida usa o termo “no dia imediato ao sábado”, e a Versão Corrigida de Almeida diz: “ao seguinte dia do sábado”.

Todas estas frases são claras e apontam para um dia certo: o domingo. Não creio que este princípio santifique o domingo, como o fazia com o sábado no Antigo Testamento, mas ele revela que a entrega dos primeiros frutos deve ser feita no primeiro dia da semana.

Por que é importante observarmos isto? Porque temos que dimensionar qual é a aplicação prática da simbologia deste princípio hoje. E, referindo-se à simbologia da Lei das Primícias, o apóstolo Paulo declara aos coríntios um fato importante acerca da ressurreição de Jesus:

“Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.” (1 Co 15.20)

A ressurreição de Jesus Cristo é vista como um cumprimento da tipologia das primícias, e aconteceu no dia depois do sábado (Mt 28.1).

Porém, cinquenta dias depois desta oferta de primícias, era necessário que uma nova celebração fosse feita ao Senhor, a qual também caía num domingo, depois de sete sábados da entrega da primeira oferta de primícias.

“Depois, para vós contareis desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então, oferecereis nova oferta de manjares ao Senhor.” (Lv 23.15,16 – ARC)

Este era o significado da Festa de “Pentecostes” (que significa “cinquenta”), a qual era celebrada cinquenta dias depois da entrega dos primeiros frutos. Esta festa, mesmo sendo celebrada depois de sete semanas, ainda era uma extensão da festa das primícias (Lv 23.17). E isto também aparece no cumprimento da tipologia do Antigo Testamento no Novo Testamento:

“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” (At 2.1-4)

A Igreja recebeu o selo da aprovação divina numa festa que era uma extensão da celebração das primícias. Esta é a razão pela qual também passamos a ser chamados de primícias para o Senhor.

“Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.” (Tg 1.18)

Portanto, a aplicação da Lei das Primícias não é somente financeira, ou literal, mas também simbólica, pois somos chamados de “primícias”.

E qual é a relação que o Novo Testamento faz entre as nossas contribuições e esta figura?

Paulo escreveu aos coríntios, fazendo uma destas aplicações simbólicas quanto às ofertas:

“Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.” (1 Co 16.1,2)

A orientação apostólica do dia específico para esta contribuição continua sendo o dia seguinte ao sábado: o domingo. Parece-me que a idéia das primícias abordada no Novo Testamento não se prende tanto ao fato de ser o ganho do primeiro dia ou o primeiro décimo da renda que está sendo entregue. O que precisa ser destacado é que eles separavam a parte de Deus no primeiro dia da semana. Ou seja, eles a entregavam em caráter de primazia.

O que aprendemos com isto é que não importa tanto se é o ganho do primeiro dia dado à parte, ou se são os dízimos e ofertas entregues em caráter de primazia. O mais importante é darmos primeiro a parte de Deus, antes de gastarmos com as outras coisas. Ao falar sobre a entrega das primícias, o Senhor instruiu claramente aos israelitas:

“Não comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até ao dia em que trouxerdes a oferta ao vosso Deus; é estatuto perpétuo por vossas gerações, em todas as vossas moradas.” (Lv 23.14)

Ninguém comia do fruto do seu trabalho antes de entregar os primeiros frutos ao Senhor. Creio que os dízimos e as ofertas devem ser o item “número um” no plano de contas do nosso orçamento. Além de ser dados primeiro, eles devem refletir o fato de que Deus vem em primeiro lugar. Este é o ponto mais importante. Por outro lado, ofertar o ganho do primeiro dia do mês também pode ser uma forma de se observar esta lei bíblica. Quando honramos ao Senhor com as primícias da nossa renda, Ele também nos honra em nossas finanças. Por outro lado, quando pensamos somente em nós mesmos, e não nos preocupamos com as coisas do Senhor, também ferimos a Sua primazia e perdemos as Suas bênçãos.

É o que ocorreu nos dias de Ageu, quando ele profetizou que o povo israelita só se preocupava com as suas casas, enquanto a Casa do Senhor estava em ruínas. E justamente por colocarem-se a si mesmos em primeiro lugar e deixarem a Deus por último é que eles perderam as bênçãos divinas.

COMO ENTREGAR AS PRIMÍCIAS HOJE

O assunto das primícias tem sido resgatado e restaurado recentemente (apesar de ser encontrado na “Didaquê” – um dos documentos mais antigos da História da Igreja, uma espécie de catecismo da Igreja do Primeiro Século). Eu mesmo nunca havia sido exposto a nenhum ensino sobre o assunto até alguns anos atrás, apesar de eu haver sido criado num lar cristão. Portanto, creio que ainda precisamos amadurecer na compreensão e aplicação prática deste princípio. Em função disto, eu gostaria de apresentar alguns conselhos (e não dogmas) sobre como podemos proceder para honrarmos ao Senhor com as primícias da nossa renda.

Alguns pregadores fazem uma distinção entre as primícias e os dízimos (e de fato era assim no Antigo Testamento) e ensinam o cristão a, além de entregar os seus dízimos, a também doar o equivalente ao ganho do seu primeiro dia de trabalho do mês. Uma vez que vivemos numa cultura de trabalho diferente, onde a maioria das pessoas não extrai os frutos da terra ou do gado para separar as primícias, como era feito na Antiga Aliança, estes pregadores nos aconselham a dividirmos o salário (que é um ganho mensal) em 1/30 avos, e entregarmos o ganho equivalente ao primeiro dia de trabalho do mês. Esta, acreditam eles, seria a forma contemporânea de se praticar este princípio.

Outros pregadores ensinam a prática das primícias na própria entrega dos dízimos e ofertas. Eles acreditam que os dízimos (e ofertas) devem ser entregues em caráter de primazia, ou seja, como sendo os primeiros frutos. A primazia, segundo estes pregadores, é determinada pelo fato de não gastarmos nada antes de dizimarmos.

Embora eu tenha sido ensinado desde criança que a oferta das primícias significa darmos a primazia a Deus na entrega dos dízimos e ofertas (como sendo os primeiros frutos porque os entregamos antes de gastarmos com outras coisas), e embora eu ainda veja muitas pessoas sendo abençoadas ao caminharem de acordo com este nível de entendimento, penso que podemos ir além e fazer algo mais na prática desta poderosa lei bíblica.

À luz do ensino do Novo Testamento, não consigo (nem ouso) afirmar que a entrega das primícias tenha que ser, necessariamente, uma contribuição a mais, além dos dízimos e demais ofertas. E eu não quero afirmar, em hipótese alguma, que a visão de contribuirmos, dando a Deus a primazia, não cumpra a Lei das Primícias. Por outro lado, não vejo nada nas Escrituras que nos impeça de agirmos assim. Não há nenhum princípio bíblico que venha a ser quebrado se assim procedermos! Portanto, com a devida consciência do ensino bíblico que diz: “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus” (Rm 14.22), e sem impor isto como um mandamento ou obrigação sobre outros, pergunto:

Por que não entregarmos as nossas primícias como mais uma forma distinta de contribuição?

No Antigo Testamento, os dízimos e as primícias eram duas contribuições bem distintas e complementares. Os cristãos do Primeiro Século, segundo a Didaquê, entregavam as suas ofertas de primícias (normalmente aos profetas ou líderes cristãos), embora estivessem vivendo sob a Nova Aliança. Os sacerdotes da Antiga Aliança eram sustentados pelos dízimos, porém eram honrados com as primícias. O Novo Testamento fala deste sustento dos ministros por meio de salários (2 Co 11.8; 1 Tm 5.17), mas nos instrui a procedermos com outras formas de honra aos que nos ministram a Palavra de Deus (Gl 6.6).

O fato de não podermos impor a oferta de primícias não significa que não podemos praticar este princípio! Em nossa igreja local, não ensinamos isto como uma imposição a ninguém, mas eu mesmo pratico este princípio e dou total liberdade (e incentivo) a quem quiser praticá-lo também. Contudo, uma vez que não vivemos nos dias da Antiga Aliança e não temos que seguir literalmente a Lei Mosaica, como aplicamos hoje a entrega das primícias?

No Antigo Testamento, as primícias envolviam a entrega dos primeiros frutos da colheita (que ocorria num intervalo de alguns meses), dos primogênitos dos animais (que ocorria uma vez na vida de cada animal), e dos primogênitos dos homens (que deveriam ser resgatados). Isto não significava uma contribuição substancial, a ponto de se garantir a sobrevivência dos sacerdotes, mas era apenas mais uma expressão de honra que Deus permitiu que Lhe oferecêssemos. E é com este entendimento que praticamos a entrega das primícias.

O PRIMEIRO DIA DE SALÁRIO

A nossa cultura atual, como já afirmamos, já não tem muito a ver com o cultivo da terra e com animais, como nos dias antigos. Porém, uma vez que fazemos parte de uma geração de cultura mensalista em seus recebimentos salariais, vários pregadores nos aconselham a ofertarmos como primícias o equivalente ao primeiro dia de trabalho do mês (dividindo-se o nosso salário por trinta e entregando-o como primícias). No entanto, é aqui que surge uma divergência entre alguns doutrinadores. Esta divergência advém principalmente do fato de que, excetuando-se o trabalhador assalariado (que sabe antecipadamente o quanto ganhará), a maioria dos profissionais liberais, autônomos, comerciantes, vendedores e muitos outros trabalhadores sem salário fixo, precisa primeiramente fechar um balanço (semanal ou mensal) para saber o quanto ganhou, e somente então apurar o valor das primícias e dos dízimos a ser entregue. Isto significaria uma oferta feita na parte final do processo, e não mais com o caráter de primazia!

Como, antigamente, ninguém poderia comer dos grãos da colheita antes da entrega da oferta de primícias (Lv 23.14), aconselhamos, no caso dos trabalhadores que não têm renda fixa, a entrega do primeiro ganho do mês (o lucro da primeira comissão, por exemplo). Neste caso, a entrega do valor referente ao ganho real do primeiro dia de trabalho poderia ser feita antes de se apurar o balanço final de ganhos (e de se comer dos frutos do trabalho). Quanto aos dízimos, eles poderiam ser entregues depois desta apuração de lucros.

ONDE DEVEMOS ENTREGAR NOSSAS PRIMÍCIAS?

Muitos me perguntam onde eles deveriam entregar as suas ofertas de primícias. Sugiro que o façam no mesmo local onde entregam os seus dízimos: na igreja local onde se congregam. Alguns dizem que as primícias devem ser entregues ao sacerdote. Isto era um fato na Antiga Aliança, mas, naquela época, os sacerdotes também recebiam diretamente para si os dízimos, porém isto não ocorre no Novo Testamento! Portanto, prefiro ser honesto e não “enlatar” a doutrina sem uma clareza bíblica. Não vejo uma base bíblica para dizermos que as primícias só podem ser entregues aos sacerdotes (os ministros). Por outro lado, também não vejo problema algum se isto for feito desta forma, uma vez que a Bíblia ensina este tipo de honra (embora sem necessariamente relacioná-lo com as primícias). Eu só não quero criar regras que não são claras no Novo Testamento.

Em nossa igreja local, as ofertas de primícias (que são assim identificadas no envelope de contribuição) são direcionadas a um fundo sacerdotal e visam tão-somente o apoio de ministérios em suas necessidades (tanto os de dentro como os de fora da igreja). No entanto, o ideal é que cada igreja, através da sua liderança e governo, decida qual é a melhor forma de se receber esta contribuição, como também a sua melhor aplicação!


A OFERTA DAS PRIMÍCIAS BÍBLICAS  
ESTUDO BÍBLICO: RESGATANDO A PRÁTICA BÍBLICA DE OFERTAS DAS PRIMÍCIAS:

Você sabe o que são as Primícias? Vamos quebrar mais um tabu com a Igreja e estudar sobre as primícias e colocá-las em prática, a fim de que recebamos as bênçãos de Deus prometidas sobre a vida, sobre a casa, a família daqueles que assim as praticasse (Ezeq 44:30 “... para fazer repousar uma bênção sobre a tua casa”)!

Israel viveu tempos de apostasia e nesses tempos, deixava de celebrar as ordenanças do Senhor, bem como as suas festas solenes que foram “mandamentos eternos” do Senhor para o seu povo. E deixavam, também, de entregar as Primícias, ofertas e dízimos (Joel 1:9 e 13- LEV 2:3. Malaquias. 3:8-12. Atos. 5. 2Cor. 9:6-8).


I-PRIMÍCIAS NO ANTIGO TESTAMENTO:

No A T encontramos 2 Palavras para primícias:

a) BIKKUR = 1° Fruto. Aparece 18 vezes: Ex 23:16,19; 34:22,26; Lev 2:14; 23:17 e 20; Num 28:26; II reis 4:42; Neemias 10:35 e Ezequiel 44:28-31;

b) RESHITH = Principal, Primeiro. Acontece 50 vezes e por 12 vezes tem o significado de

Primícias: Lev 2:12; 23:10; Num 18:12; Deut. 18:4; 26:10; II Cron 31:5; Neem 10:37; 12:44; Prov 3:9; Jer 2:3; Ez 20:40 e 48:14.



II- PRIMÍCIAS NO NOVO TESTAMENTO:

No NT encontramos a palavra Grega “APARCHÉ” = 1°s Frutos. Aparece 9 vezes: Rom 8:23; 11:16; 16:5;ICOR15:20 e 23; 16:15; II TES 2:13;TIAGO 1:18; APOC 14:4.

Paulo apresenta Jesus como “as primícias dos que dormem”: I Cor 15:20. Ele usa o termo “primícias” para ensinar aos “gentios” que eles foram enxertados na árvore (Rom 11:14), porque as “primícias”, que são os judeus, foram “quebrados” (Rom 11:19) e também ensina aos judeus que eles podem ser “enxertados” na árvore para a salvação (Rom 11:23). Observemos, portanto, que Paulo afirma que se as “primícias forem santas”, toda a massa também o será (Rom 11:16). Vemos que as “primícias” santificam todo o restante de onde elas foram retiradas!

Tiago, após dizer que Deus não muda, afirma que nós somos as “primícias das criaturas de Deus”, criados para a salvação (Tiago 1:17-18).

João, em APOC 14:1-5, fala dos fiéis “144 mil” que “seguem o Cordeiro”, esses foram comprados para serem as “primícias” do Cordeiro!



III- O QUE SÃO AS PRIMICIAS?

Era a consagração a Deus dos primeiros frutos da terra (Ex 22:29 e 34:18,22), das primeiras crias dos animais (Ex 13:2) e o primeiro produto do trabalho humano (Farinha de trigo, azeite, vinho etc.: Lev 23:16- 20//II Crôn 31:5).

ERA UMA EXPRESSÃO DE GRATIDÃO A DEUS E AOS SEUS SACERDOTES pelo sucesso da colheita daquele ano.

IV - O QUE SIGNIFICA A “FESTA DAS PRIMICIAS”?



Era a comemoração do início da colheita anual. Era o período em que o povo de Deus trazia as suas “primícias” para entregar aos sacerdotes. Em EXODO 23:14-19 encontramos as 3 Festas principais: Pães Asmos (Páscoa), Festa das Semanas ou “Sega dos Primeiros Frutos” ou “Primícias” (No Novo Testamento essa festa é chamada de “Pentecostes”) e a Festa dos Tabernáculos (seu nome mais antigo é “Festa da Colheita”). Em EXODO 34:22 faia claramente que a Festa das Primícias é a “Festa das Semanas”!

A Festa das Primícias foi esquecida pelos judeus por muitos anos e quando Israel voltou do cativeiro Babilônico, Neemias cuidou de restaurá-la: Neemias 10:35-37. Outro grande líder que também restaurou essa Festa, quando ela foi abandonada, foi o Rei Ezequias :11 CRON 31:4-10!



V - PARA QUEM SÃO AS PRIMÍCIAS?

Para o Sumo-sacerdote: Lev 23:17 e 20 “... para uso do sacerdote”. II II Reis 4:42-44 (Eliseu); Ezequiel 44:30. Para sustento dos mesmos.

Para o Sacerdote: DEUT 18:4-5!

Para os Sacerdotes, juntamente com a sua família: NUM 18:11-14, 19!



VI- PAULO E AS PRIMÍCIAS:



Teria Paulo sido sustentado pelas primícias enviadas pelos irmãos nas igrejas em Filipos, Corinto, Macedônia, Acaia...? FIL 4:15-18 “... cheiro suave, corno sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (expressões que falam das ofertas de sacrifício e das primícias do AT). LICOR 9:1-5 “... para que esteja pronta como beneficência e não corno por extorsão”. Beneficência, atitude do coração, espontânea, mas mesmo assim, Paulo enviou irmãos e os exortou a cobrar essa “beneficência”. Seria “beneficência” ou “primícias” que legalmente pertencem aos sacerdotes que ministram sobre a vida do povo? Estaria Paulo “cobrando” seu direito de “primícias”? (1 COR9:7-14)!



VII-JESUS E AS PRIMÍCIAS:



As Primícias foram determinadas por Deus na sua Lei para o seu povo, visando o sustento dos seus sacerdotes (TI CRON 31:4-5). E como Jesus “não veio anunciar a Lei, mas cumpri-la” (MÁT 5:17), Ele manteve todo o sistema sacrifical do Judaísmo, para que dessa forma o “Templo” continuasse em pleno funcionamento (MAT 23:23).

Jesus, ao curar Leprosos, mandou que eles fossem entregar a oferta do sacerdote, isto é, o que a Lei mandava que se fizesse para o sustento do sacerdote: MAT 8:1-4 que remete para LEV 14:1-4, 10 e 13! LUC 17:14 (10 leprosos).

Vemos em Hebreus toda uma atualização do Sistema Sacrifical do Antigo Testamento, tendo em Cristo a figura do “Sumo-Sacerdote”, aquele que “com seu próprio sangue” se ofereceu... (HEB 9:11-12). E para a continuidade da manutenção, agora, da Igreja do Senhor Jesus, o Novo Testamento manteve as Ofertas e os Dízimos. E como não encontramos em nenhum lugar na Bíblia, um texto sequer cancelando, anulando as Primícias, pelo contrario, encontramos textos que mantém as ofertas para os sacerdotes, e como sabemos que os “sacerdotes é que administram as primícias, ofertas gerais e dízimos”, devemos manter as Primícias, Ofertas Gerais e os Dízimos!



VIII- A IGREJA E AS PRIMÍCIAS:

Anular as Primícias seria anular uma parte importantíssima do sistema de ofertas deixadas por Deus para a manutenção dos seus sacerdotes e do Templo. E assim como cremos que devemos continuar entregando os Dízimos, devemos pelo mesmo princípio e fundamentação bíblica, continuar entregando as nossas Ofertas e as Primícias para os Sacerdotes!

Vemos que no AT, a preocupação inicial e conseqüentemente a distribuição dos recursos entregues pelo povo de Deus, era inicialmente para os SACERDOTES. Depois, o POVO era atendido nas suas necessidades (órfãos, viúvas, estrangeiros, pobres...) e em seguida vinha à manutenção do TEMPLO que basicamente era mantido pelas ofertas. Então, a ordem era: SACERDOTES — POVO — TEMPLO. Depois da instalação e desenvolvimento da Igreja, chegamos até os nossos dias com essa ORDEM completamente invertida, tendo o Templo como prioridade e os Sacerdotes como aquele que “vive das sobras”. E a ordem hoje tem sido:

TEMPLO - POVO - SACERDOTE! E muitas Igrejas constroem seus templos em cima do sacrifício dos seus sacerdotes, esquecendo-se muitas vezes de que “os sacerdotes comem do altar, vivem do altar...”! Isso tem afastado e desestimula-lo aqueles que são chamados por Deus para o Ministério!



IX - A PRATICA DAS PRIMÍCIAS:

O que vem primeiro, o Dízimo ou as Primícias? — O próprio nome já está dizendo o que vem “primeiro”. E todas as vezes que as “primícias” são citadas, ela sempre vem antes dos “Dízimos”: NEEM 10:35-37; II CRON 31 5; Deut 26:1-3 e 12!

Quais são os principais propósitos das Primícias? — a) Agradecer a Deus por bênçãos recebidas: Deut 26:10-11; b) Expressar a nossa adoração a Deus: Deut 26:10; e) Valorizar a “casa de Deus”: Neem 10:39; d) Recompensar o trabalho dos Sacerdotes: Dt. 18:4-5; e) Honrar a Deus: Prov 3:9.

Por que devo entregar as primícias? — a) Para receber de Deus prosperidade, fartura...: Prov 3:9-10; b) Para cumprir um “requerimento” de Deus: Ez. 20:40; c) Para Abençoar a sua casa, sua família: Ez. 44:30; d) Para santificar todo e seu salário, bens e propriedades: Rm. 11:16 “Se as primícias são santas, toda a massa o será. .“, isto é, se você “santificou”, “separou para Deus” as primícias da sua renda, todo o restante dela será santa!

Como devo entregar as Primícias? — Retire o valor correspondente ao seu 1° dia, ou seja, o relativo a 1 dia de trabalho e você terá o valor das suas Primícias que devem ser entregues ao Sacerdote (PASTOR PRESIDENTE)! Depois de retirar as “Primícias”, retire em seguida o Dízimo do seu salário! Ex.: Salário de R$ 300,00 VALOR BRUTO MENSAL. 300,00: 30 DIAS= R$10,00 -Valor das Primícias. Dízimos: R$300,0O — R$10,00 ref. As Primícias R$290,0O x 10% = R$29,00. Eis o valor dos Dízimos= R$29,00!



CONCLUSÃO:

JOEL 1:9 e 13. Vemos um quadro semelhante aos dos nossos dias, onde os “sacerdotes” perderam a alegria porque “foram cortadas as suas primícias”, “foi cortada a sua autoridade na administração das ofertas e dos dízimos”,. eles já não são mais tratados com aquele zelo, cuidado e amor, como Deus gostaria que fossem tratados.

Somos uma “geração de sacerdotes”, mas se queremos ver esses sacerdotes se dedicando a obra do Senhor de forma integral e exclusiva, precisamos manter os que estão hoje em atividade, para que amanhã tenhamos mais e mais sacerdotes...!!!



30/12/2005 – MIBA- Ap. Wagner.



Devolver os dízimos e as ofertas: Um ato de amor, fé, honra, gratidão e obediência a Deus!

Quem não sabe o que são estas coisas, nunca conseguirão ser fies a Deus.



Somente os fieis sabem honrar a Deus e aos seus pastores (sacerdotes)! Prov. 3:9-10.

“O que desvia seus ouvidos de ouvir a lei até a sua oração será abominável” Pv. 28:9.



Pobreza e afronta virão ao que rejeita a correção; mas o que guarda a repreensão será honrado. Prov. 13:18.





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