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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Por que Julgar?


Por que Julgar?

Não julguem, para que vocês não sejam julgados” (Mateus 7.1).
Vocês não sabem que os santos hão de julgar o mundo? Se vocês hão de julgar o mundo, acaso não são capazes de julgar as causas de menor importância?” (1 Coríntios 6.2)
Afinal: crente pode ou não julgar? Para algumas pessoas, o verdadeiro cristão é alguém que não julga. Ele sabe o que é o pecado, consegue reconhecê-lo quando ele acontece, mas ele nunca chamará outra pessoa de pecadora. Na verdade, ele sempre se mostrará compreensivo com o pecador, chegando a abrir mão da disciplina eclesiástica, pois, “quem sou eu para julgar o meu irmão?” Outros adotam uma postura mais agressiva: medem a espiritualidade das pessoas por meio de suas obras, não raro chegando ao ponto de criar uma escala espiritual dos crentes, aonde uns são santos e consagrados, e outros são mundanos e depravados. Os mais exagerados chegam até mesmo ao ponto de declarar que algumas pessoas são salvas, e outras não.
Por trás deste debate, está uma questão que é mal interpretada e compreendida nos círculos evangélicos. Afinal, o crente pode julgar? Se sim, quando e como deve ser este julgamento?

1) O CRENTE PODE JULGAR?

Como protestante conservador, entendo que não existe uma parte da Bíblia mais inspirada do que outra. Não acho que os Evangelhos sejam mais inspirados do que as epístolas, ou que a teologia paulina é superior à teologia de Marcos. Ler a Bíblia com este pressuposto significa entender que um ensino dos Evangelhos é tão autoritativo como um ensino contido em uma epístola. Os que dão preferência a uma porção da Bíblia em detrimento de outra acabam com uma teologia parcial e incompleta, além de quebrarem a unidade e harmonia das Escrituras.
Inicialmente, gostaria de dizer que, em algumas circunstâncias, o cristão pode fazer julgamentos. Embora Jesus Cristo tivesse dito que Ele não julgava as pessoas (João 8.15) ou que nós não deveríamos julgar (Mateus 7.1), podemos ver vários momentos em que o Senhor Jesus emitiu juízos:
“Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo”. (Mateus 23.13).
“Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo”. (Mateus 23.24).
“Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas” (Mateus 12.39).
“Bem profetizou Isaías acerca de vocês, hipócritas; ...” (Marcos 7.6).
“Respondeu Jesus: Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino” (Marcos 9.19).
“Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão” (Mateus 7.6).
Estes versículos são apenas uma amostra de vários juízos proferidos por Jesus. Além destes, podemos achar outros, como os ais pronunciados contra Corazim, Betsaida e Cafarnaum (Lc 10.13-15), a declaração de Cristo a vários judeus que haviam crido nele, dizendo que eles eram filhos do Diabo (Jo 8.44) e várias passagens aonde Cristo diz que quem não crê nele, já está condenado (Jo 3.17-18, 36, etc).
À luz destas passagens, revela-se falso o argumento de que, baseado no ensino dos Evangelhos e no modelo de vida de Jesus, o cristão não pode julgar a ninguém. Cristo julgou a vários grupos de pessoas. Ao contrário de nossa visão suavizada acerca do Senhor, vemos que Ele, em sua ira e verdade, chamou os fariseus de “hipócritas”, disse que não deveríamos jogar pérolas a “porcos” ou dar o que é santo aos “cães”, além de considerar a sua geração como sendo “perversa”, “adúltera” e “incrédula”. Em todos estes momentos, Jesus mediu estas pessoas, achou-as em falta e emitiu um comentário ou juízo sobre eles.
No entanto, alguém pode argumentar dizendo que Jesus, devido a sua condição única de Deus-Homem, tinha o direito de julgar aos outros. Afinal, de acordo com João 5.22:
“Além disso, o Pai a ninguém julga, mas confiou todo julgamento ao Filho”.
Em outras palavras, Jesus pode julgar as pessoas porque Ele é Deus. Ele nunca faria um julgamento incorreto ou impreciso, além de ter todas as qualificações morais necessárias para ser um Juiz. Nós não teríamos esta capacidade.
Mas, apesar de nossas limitações e finitude humanas, o ensino dos apóstolos nos diz claramente que devemos emitir juízos em algumas situações:
“Apesar de eu não estar presente fisicamente, estou com vocês em espírito. E já condenei aquele que fez isso, como se estivesse presente (...) entreguem este homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (1 Coríntios 5.3-5).
“Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer” (1 Coríntios 5.11).
“Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo- se apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11.13).
“Mas eles difamam o que desconhecem e são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção! Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram. Consideram prazer entregar-se à devassidão em plena luz do dia. São nódoas e manchas, regalando-se em seus prazeres, quando participam das festas de vocês” (2 Pedro 2.12-13).
“De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo. Tenham cuidado, para que vocês não destruam o fruto do nosso trabalho, antes sejam recompensados plenamente. Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus, quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. Se alguém chegar a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem. Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas” (2 João 7-11).
Vemos portanto que três apóstolos, Paulo, Pedro e João julgaram a pessoas em seu tempo. Na verdade, é impossível cumprir alguns mandamentos sem que se avaliem as pessoas. Paulo disse que não devemos nos associar a quem diz que é cristão, mas é imoral, avarento, idólatra, entre outros. Para que eu obedeça a este
mandamento, preciso olhar para a vida do cristão e ver se ele incorre em algum destes erros. João diz que não devemos nem saudar aqueles que negam a encarnação de Jesus e os hereges que vão além do ensino de Cristo. De igual modo, para que eu obedeça à instrução de João, devo julgar a meus semelhantes cristãos.

O bom senso também nos mostra que fazemos julgamentos o tempo todo. Na hora de escolher um pastor, presbítero ou diácono, nós devemos julgar o caráter do candidato à luz das exigências bíblicas (Tt 1 e 1 Tm 3) e ver se ele é aprovado para a liderança da Igreja. Quando convidamos alguém para pregar, também examinamos a vida e o ensino do pregador, pois, caso ele seja um herege, entregar-lhe o púlpito significa causar transtornos à Igreja de Cristo.
Vemos também, à luz destes versículos, que a disciplina eclesiástica também é uma ordenança divina. O próprio Senhor Jesus nos dá base para a exclusão de membros em Mateus 18.17:
“Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano”.

2) COMO JULGAR E COMO NÃO JULGAR AS PESSOAS

Esclarecido, pois, este primeiro ponto, precisamos analisar agora como as pessoas devem ser julgadas.
Olhando para o exemplo de Jesus, vemos que os religiosos que não vivem aquilo que pregam são dignos de julgamento. Os fariseus foram criticados por Jesus por serem hipócritas. Eles, por exemplo, davam o dízimo de temperos, mas negligenciavam a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23.23). Jesus também condenou os fariseus por sua doutrina distorcida (Mt 23). Olhando para os evangelhos, também vemos que os fariseus eram pessoas que impediam o acesso de outros pecadores ao caminho da salvação (Mt 23.13), orgulhosas acerca de sua fé (Lc 18.9-14) e resistentes ao ensino de Jesus, chegando até mesmo a atribuir as obras de Jesus ao próprio Satanás (Lc 11.14-15).
Jesus também julgou a sua geração por querer tentar a Deus, pedindo um sinal. Na verdade, a multidão não queria acreditar em Jesus, eles não tinham fé. Pela mesma razão, Jesus teve vários embates com a multidão ao longo do Evangelho de João. Jesus apontava o pecado da incredulidade para aqueles que se recusavam a admitir suas falhas. O Senhor também julgou os "cães" que rejeitam o seu Evangelho, chegando a dizer que não deveríamos lhes atirar as nossas pérolas (o Evangelho).
Os pecadores resistentes, aqueles que se recusam a admitir o seu pecado (como Ananias e Safira ou os fariseus), os hereges que não aceitam correção (como os falsos apóstolos descritos por Paulo), os que se fazem passar por irmãos, mas não o são (os fariseus e os homens com os quais não devemos nos associar), os imorais que não se arrependem de seu erro e continuam a praticá-lo (o caso de disciplina mostrado em 1 Coríntios 5), todos estes são exemplos de pessoas que são passíveis de julgamento.
Mas não devemos condenar os pecadores que reconhecem seu erro e se arrependem. A adúltera apresentada a Jesus (Jo 8.1-11), o publicano Zaqueu (Lc 19.1-9) e a pecadora que ungiu os pés de Jesus (Lc 7.36- 50) são exemplos de pessoas que foram julgadas pelas pessoas que os cercavam, mas que não foram julgadas por Jesus. Tratavam-se de pecadores que estavam buscando o arrependimento, corações que tinham sede de Jesus e que não foram resistentes ao Evangelho. O pecador que sabe a gravidade de seu pecado e que está lutando para abandoná- lo e se aproximar de Deus, deve ser acolhido.
Jesus também não julgou os pecadores que ainda não tiveram a oportunidade de aceitá-Lo ou rejeitá-Lo. Ele andava com os publicanos e pecadores (Mt 9.10), provavelmente evangelizando-os. O pecador que não participa da Igreja e que não rejeitou definitivamente o Evangelho deve ser evangelizado, e não condenado. Sobre isso, vale a pena ler 1 Coríntios 5.12, que dá a entender que não devemos julgar aqueles que estão fora da Igreja:
“Pois, como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro?”
Isso não quer dizer que não devemos falar para os incrédulos sobre os seus pecados. Ao contrário, toda evangelização séria mostrará, com clareza, que todos somos pecadores e merecedores de uma condenação eterna. Mas isso não nos dá o direito de condená-los, a nossa primeira preocupação deverá ser a de evangelizá-los, e, caso eles não aceitem o Evangelho, deixá-los e pregar o Evangelho a outros incrédulos (Mt 10.11-16).
Aquele que julga também deve ser uma pessoa de moral. Caso contrário, ela estará desqualificada para fazer qualquer julgamento:
“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: Deixe-me tirar o cisco de seu olho, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão” (Mt 7.3-5).
“Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas” (Rm 2.1).
Um adúltero não pode disciplinar outro, um ladrão não pode disciplinar outro ladrão, e por aí vai. Antes de alguém querer julgar a seu semelhante, convém recordar Mateus 7.2, que diz que:
“Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês”.
Uma última palavra deve ser dita. Condenar a alguém não significa tripudiar sobre a pessoa, nem caluniá-la ou ficar fofocando sobre o pecado alheio. Em Mateus 12.20, lemos que Jesus “não quebrará o caniço rachado e não apagará o pavio fumegante”. Jesus não foi enviado para condenar o mundo, mas sim para salvá-lo (Jo 3.17), e nem mesmo o arcanjo Miguel fez acusações injuriosas contra Satanás (Jd 9). A disciplina eclesiástica ou a condenação de alguém são eventos que devem despertar em nós tristeza e pesar, e não fofocas ou prazer. Se vemos que alguém está se desviando do Evangelho ou pregando heresias, o nosso objetivo principal deve ser conduzir o pecador ao arrependimento e a restauração. Caso a disciplina seja indispensável, ela deve ser feita com seriedade, amor e tristeza, sempre objetivando o arrependimento, e não a condenação eterna do pecador. E com muito temor também, afinal, não somos pessoas perfeitas e ninguém deve ser julgado ou condenado injustamente.
Espero que este estudo possa nos ajudar a entender melhor a questão da disciplina e possa nos dar uma visão bíblica e equilibrada sobre esta delicada questão que é a de julgar os outros.


AS PALAVRAS...

"O homem bom tira do tesouro bom cousas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira cousas más." (Mateus 12:35)
Mateus 12 é um dos capítulos mais penetrantes do Novo Testamento. Uma parte das palavras de Jesus aqui refere-se à língua. Ele está falando sobre a árvore e seus frutos.
"Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom, ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis falar cousas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração." (Mateus 12:33-34)
O CORAÇÃO É A ÁRVORE, E A BOCA É O FRUTO DA ÁRVORE
A árvore (o coração) é conhecida pelo fruto (as palavras). O que sai da sua boca demonstra o que está no seu coração. Jesus prossegue, aplicando isto especificamente às nossas palavras.
Não existe um nível intermediário entre o bem e o mal. Ou é bom até o fim, ou é mau até o fim. É a mesma corrente do início ao fim. Não pode se alterar.
"Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia de juízo; porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado." (Mateus 12:36-37)
Em última análise, o destino da nossa alma é determinado pelas nossas palavras. Teremos que dar conta de cada palavra frívola que pronunciamos.
DEUS NUNCA USA PALAVRAS VÃS
Ele sustenta cada palavra que profere. E nos diz: "Que suas palavras sejam assim. Não use palavras vãs. Se usar terá que dar conta delas."
A epístola de Tiago provavelmente examina o assunto da língua de forma mais completa e penetrante que qualquer outra parte do Novo Testamento. Olhe apenas um versículo:
"Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a sua língua, antes enganando o próprio coração, a sua religião é vã." (Tiago 1:26)
Não quero me tornar pessimista ou crítico, mas para mim, com este golpe de caneta, foram riscados setenta e cinco por cento da religião atual.
AS PESSOAS QUE PRATICAM RELIGIÃO NÃO TÊM DOMADO A SUA LÍNGUA
E a Bíblia diz: "Se você não dominar a sua língua, sua religião é vã."
- Vamos examinar problemas específicos que encontramos relacionados com a língua:

FALAR DEMAIS: A seguir temos duas passagens que tratam desta questão.

"No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os seus lábios é prudente." (Provérbios 10:19)
"Porque da muita ocupação vem os sonhos, e a voz do tolo da multidão das palavras." (Eclesiastes 5:3)
Se alguém conversa o tempo todo, está simplesmente demonstrando a todos o que realmente é, pois a voz do tolo se conhece pela multidão das suas palavras.
Além disso, lembre-se das palavras de Jesus: "Porque a boca fala do que está cheio o coração."
Uma língua irrequieta denota um coração irrequieto.
Uma pessoa que não pode ficar calada não está tranqüila, por mais que fale sobre paz e alegria. Em todas essas coisas, ela proclama sua inquietude interior pelo que flui continuamente da sua boca.

PALAVRAS VÃS: Como já tratamos deste problema nos parágrafos anteriores, vamos apenas mencioná-lo aqui.

Em Mateus capítulo 12 verso 36, já citamos: "Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo."
No Sermão da Montanha, há um versículo paralelo: "Seja porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar, vem do maligno." (Mateus 5:37)
Enfatizar exageradamente destrói rapidamente o efeito de uma palavra. A melhor maneira de impressionar os outros não é empregar palavras impressionantes; é simplesmente dizer o que você realmente quer dizer.

FUXICO (MEXERICO, MALEDICÊNCIA):
Vamos ver o que a Bíblia diz a respeito do fuxico.

Eu não brinco com o fuxico, porque é algo terrível. Embora seja verdade que os homens também fuxicam, basicamente concordo com o comentário de Ern Baxter que diz: "Fuxico é o risco ocupacional das mulheres". A mulher normal da nossa sociedade tem muito mais tentação e oportunidade de fuxicar do que o homem. Entretanto, estou ciente de que o homem também fuxica.
"Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo: não atentarás contra a vida do teu próximo." (Levítico 19:16)
"As palavras do maldizente são doces bocados, que descem para o mais interior do ventre." (Provérbios 18:8)
VOCÊ SABIA QUE É POSSÍVEL LITERALMENTE MATAR UMA PESSOA ATRAVÉS DE PALAVRAS?
Sei de casos reais onde ministros morreram sob o opróbrio, vergonha e feridas de línguas maliciosas.
Em Jeremias capítulo 18 verso 18 diz que os inimigos de Jeremias falaram: "Vinde, firamo-lo com a língua, e não atendamos a nenhuma das suas palavras."
Muitos servos de Deus morreram de feridas causadas pela língua.
No Novo Testamento, examinaremos duas passagens: "Além do mais aprendem também a viver ociosas (falando a respeito de mulheres na igreja), andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o que não devem." (1 Timóteo 5:13)
"Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócio de outrem." (1 Pedro 4:15)
Você não acha interessante o intrometido ser classificado junto com os assassinos, ladrões e malfeitores?
A maioria dos religiosos ficaria horrorizada ao ser classificada como um assassino, ladrão ou malfeitor; no entanto, muitos deles são intrometidos.

MENTIRA:
Vamos começar novamente no livro de Provérbios.

"Seis cousas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos." (Provérbios 6:16-19)
Das sete coisas abominadas pelo Senhor, três se relacionam com a língua:
  • A língua mentirosa,
  • A testemunha falsa,
  • E o que semeia contendas entre os irmãos.
Provérbios capítulo 12 verso 22 confirma isto, quando diz:
"Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite."
"ABOMINAÇÃO" é a palavra mais forte que se pode usar para descrever o que desagrada a Deus.
Encontramos mais um versículo sobre mentir no Apocalipse, onde há três advertências a respeito do perigo de mentir nos últimos dois capítulos. Apocalipse capítulo 21 verso 8 diz:
"Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe seja no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte."
TODOS OS MENTIROSOS SÃO DESTINADOS PARA O LAGO DE FOGO
Não quero estender-me nesse assunto, mas sejamos honestos - há muitos cristãos mentirosos. Embora eu não seja o juiz, fico me perguntando o que lhes acontecerá no último dia. Não quero ignorar a Palavra de Deus que afirma que todos os mentirosos acabarão no lago de fogo.
Creio que isto significa literalmente o que está escrito; contudo, lembremos também que sempre há arrependimento para aqueles que quiserem voltar-se a Deus.

A BAJULAÇÃO: Creio que a maioria das pessoas não entende o perigo da bajulação, e nem o quanto isso é desagradável a Deus. Como pregador da Palavra, aprecio a genuína gratidão e sou estimulado pelas expressões de estima das pessoas que me ouvem; entretanto, aprendi a vigiar contra bajulação, pois muitos servos de Deus têm se enredado por meio desse instrumento.

Eu poderia citar os nomes de diversos homens que foram bajulados a ponto de serem cativados e de perderem os seus ministérios.
"Socorro, Senhor! porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens. Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido. Corte o Senhor todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente." (Salmos 12:1-3)
São palavras bem claras, e outra vez acho que a maioria das pessoas concordaria que há uma abundância de insinceridade entre o povo religioso - uma riqueza de palavras açucaradas que no fim não significam nada.
TOME CUIDADO COM PESSOAS DE LÁBIOS BAJULADORES!

PALAVRAS PRECIPITADAS:

Provérbios capítulo 29 verso 20 diz: "Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o insensato do que para ele."
Esta é uma afirmação muito penetrante. Não diga tudo que sente na hora que sente. Se você fizer assim, acabará entrando em problemas sérios.
Aprenda a se dominar.
No Salmos 106 temos um quadro bem trágico de Moisés, que perdeu o privilégio de guiar o povo de Deus para a terra prometida por causa de uma frase impetuosa que pronunciou. Nada poderia melhor nos mostrar até que ponto Deus é exigente quanto a nossa maneira de falar do que esse acontecimento com Moisés.
Os filhos de Israel estavam se queixando da falta de água, e Deus ordenou a Moisés: "Volte ao povo, e fale à rocha. Quando você falar, a água sairá."
Da outra vez, Moisés havia tirado água da rocha, ferindo-a com a sua vara. Agora, por estar realmente irado com o povo, ao invés de fazer como Deus ordenou, ele feriu a rocha outra vez e disse: "Precisamos tirar água para esses rebeldes?" Deus o honrou, e a água saiu, mas depois, numa conversa particular com Moisés, Deus disse: "Moisés, você perdeu o privilégio de guiar o meu povo para a terra prometida, porque não me honrou com as suas palavras."
Salmos 106 versos 32 e 33 refere-se a isso: "Depois o indignaram nas águas de Meribá, e, por causa deles, sucedeu mal a Moisés, porque irritaram o seu espírito de modo que falou imprudentemente com seus lábios."
Você sabia que quando seu espírito se provoca, muitas vezes você fala imprudentemente? Isto é falar precipitadamente, e Deus nos adverte a esse respeito.

PALAVRAS NEGATIVAS:
Este é um dos "pecados respeitáveis" praticados regularmente por pessoas religiosas. Normalmente não é considerado pecado.

  • "Não tenho fé."
  • "Não creio que conseguirei o dinheiro a tempo."
  • "Tenho certeza que será preciso fazer uma operação."
As palavras podem ser muito educadas, respeitáveis e religiosas, mas em muitos casos são inaceitáveis a Deus.
MUITAS VEZES, CAVAMOS NOSSAS PRÓPRIAS SEPULTURAS COM NOSSAS BOCAS
Há muitas pessoas mortas hoje que não deveriam ter morrido. Morreram por causa daquilo que falaram.
Darei um exemplo de Números 13, onde temos a história dos doze espias que foram enviados para a terra prometida. Os doze espias viram a mesma coisa e tiveram a mesma experiência.
Não houve diferença entre suas circunstâncias nem entre sua procedência.
  • Dez voltaram dizendo: "Oh, é uma boa terra, mas está cheia de gigantes. As cidades são muradas até os céus, e sentimo-nos como gafanhotos aos nossos próprios olhos."
  • Dois espias disseram: “É uma terra maravilhosa. Entremos para possuí-la.”
O contraste entre os dois pontos de vista pode ser visto claramente em Números capítulo 13 versos 30 e 31:
"Então Calebe, fazendo calar o povo perante Moisés, disse: Subamos animosamente, e apoderemo-nos dela; porque bem poderemos prevalecer contra ela. Disseram, porém, os homens que subiram com ele: Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nos."
  • Josué e Calebe disseram: "Somos capazes."
  • Os outros dez falaram: "Não somos capazes."
Cada um selou o seu próprio destino pelo que disse.
Aqueles que disseram que não podiam subir, realmente não puderam. Aqueles que disseram que podiam subir, puderam de fato subir.
Selaram seu próprio destino pelo que disseram, e assim acontece vez após vez com os cristãos até hoje.
CHEGAMOS AGORA AOS REMÉDIOS PARA ESSES PROBLEMAS COM A LÍNGUA!
- Remédio número um é reconhecer que o abuso da língua é um problema do coração.
Já vimos em Mateus capítulo 12 versos 33 e 34 que o problema está no nosso coração. Além disso, Tiago capítulo 3 versos do 10 ao 12 diz:
"Da mesma boca procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos, que se faça assim. Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce."
Assim, novamente se compara o coração com a árvore, e as palavras que saem com o fruto.
Em Provérbios capítulo 4 verso 23, uma das minhas passagens prediletas, diz: "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida."
O que sai da sua boca vem do seu coração. A boca é o barômetro do coração.
- Remédio número dois: Confesse os seus pecados e seja purificado.
Muitas pessoas não gostam de usar a palavra "pecado" para descrever suas faltas no uso da língua. Mas palavras erradas constituem pecado. Quando as encararmos como pecado, começaremos a ver resultados.
Enquanto as tolerarmos, nos desculparmos, ou tentarmos nos esquivar da responsabilidade, não haverá modificação.
Em 1 João capítulo 1 verso 9 nos diz: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça."
Deus tem um remédio para os problemas da língua, mas enquanto não os reconhecermos como pecado, confessando e nos arrependendo deles, e buscando de Deus o perdão e a purificação, não estamos aceitando o remédio de Deus.
- Remédio número três: Recuse o mal, entregue-se a Deus.
Há uma dupla decisão que precisamos tomar. Paulo diz em Romanos capítulo 6 versos 12 e 13 que primeiro devemos recusar que os membros do nosso corpo sejam usados como instrumentos de injustiça e pecado.
Diga ao diabo: "Você não pode ter minhas mãos; você não pode ter meus pés; e acima de tudo, não pode ter minha língua. Quando Jesus morreu, ele comprou a minha língua junto com todo o meu ser, e, Satanás, não vou deixar que você domine a minha língua."
Segundo, entregue-se a Deus e os seus membros como instrumentos de justiça sob a obediência. Diga deliberadamente a Deus que você quer que sua língua seja um instrumento de justiça e que a está entregando a Ele para este fim.
- Remédio número quatro: Compreender porque você tem uma língua.
Se você não compreender isso, nunca há de entrar verdadeiramente naquilo que Deus lhe oferece.
PORQUE DEUS PÔS UMA LÍNGUA NA SUA BOCA?
As Escriituras nos esclarecem.
No Salmos capítulo 16 verso 9, o salmista Davi diz: "Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória: também a minha carne repousará segura."
A que Davi se referia quando disse "a minha glória"?
Encontramos a resposta em Atos capítulo 2 verso 26, onde Pedro cita este salmos: "Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou."
Sua glória e a sua língua. Por quê?
Porque lhe foi dada para um supremo propósito: GLORIFICAR A DEUS!
SUA LÍNGUA É A SUA GLÓRIA
Se você puder alcançar essa verdade e meditar sobre ela e agir sobre ela, sua vida será revolucionada.
- Remédio número cinco: Resolva louvar a Deus.
Louvor é resultado de uma decisão. Foi por isso que Davi disse: "O meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores." (Salmos 57:7)
Uma vez eu disse: "Mesmo que o telhado caia, vou louvar ao Senhor."
No momento, eu estava pregando longe de casa, e telefonei para casa para perguntar:

- "Como estão as coisas?"
- "Tudo bem", veio a resposta, "o telhado caiu."

Fui apanhado pelo meu próprio testemunho e tive que dar graças!
VAMOS EXAMINAR UMA DAS DECISÕES DE DAVI
O título introdutório do Salmos 34 nos conta que Davi estava na corte do rei filisteu fugindo para salvar a sua vida, e fingindo ser maluco. Nesta época, ele tomou a decisão:
"Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no Senhor a minha alma; os humildes o ouvirão e se alegrarão. Engrandecei o Senhor comigo e todos à uma lhe exaltemos o nome." (Salmos 34:1-3)
Primeiro você toma uma decisão individual: "Eu vou agir assim. Depois, você encontra outras pessoas de igual pensamento, e diz: "Vamos fazer isso juntos". Porém, a decisão individual vem primeiro.
- Remédio número seis: Lembre-se de Cristo, seu Sumo sacerdote.
Aqui está uma verdade importantíssima. Cristo é o nosso sumo sacerdote, que intercede por nós, e que nos representa diante de Deus no céu.
O que você diz com a sua boca limita o que ele pode fazer por você no céu. Se fizer uma confissão fraca, você terá um sumo sacerdote fraco em seu favor, pois ele é o sumo sacerdote da sua confissão.
Hebreus capítulo 3 verso 1 diz: "Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus."
Ele é o sumo sacerdote das suas palavras. Se você cerrar os seus lábios, ele terá nada para dizer a seu respeito.
Hebreus capítulo 10 versos do 21 ao 23 o expressa dessa forma:
"E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa."
Faça sua confissão, continue fazendo e não pare. É isto que significa em português claro.
- Remédio número sete: Submeta-se à disciplína do corpo de Cristo.
Esta é a última recomendação. Uma área da nossa vida que está inquestionavelmente sujeita à disciplina do corpo é a maneira pela qual falamos uns sobre os outros. Se você estiver sujeito a disciplina do corpo, não falará a respeito de outras pessoas, porque, por uma razão, será embaraçoso você ter que ir pedir-lhes perdão. E se você não for pedir perdão, estará caminhando para um apuro pior ainda. Portanto, é melhor ficar livre disso desde o princípio.
Vamos examinar a passagem de Mateus capítulo 18 versos do 15 ao 17:
"Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano."
"Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só." Isso é disciplina. Não vá contar a todos os outros primeiro. Esta seria a reação da maioria dos cristãos. Se alguém me ofender, não falo com ele - falo com todos menos com o irmão que me ofendeu. Depois torna-se quase impossível curar a ruptura.
"Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano."
ISSO É DISCIPLINA
Todos estamos sujeitos a ela se formos membros do corpo de Cristo. Agora, há dois aspectos disso:
  • Primeiro: Se alguém cometer algo que considero errado, o que devo fazer? Devo ir à pessoa para curar a ruptura. Na maioria dos casos, se você agir assim, a ruptura será curada.
  • Depois, há outro lado - e é aí que a maioria das pessoas cai. Quando alguém vai a você e diz: "Você sabe o que o irmão Antônio falou sobre mim? Você sabe como ele está me tratando?", você tem que responder: "Você já conversou com irmão Antônio?" Se a resposta for "não", você tem que dizer: "Então não converse comigo."
Essa é a verdadeira disciplina. Doutra forma, você se torna um cúmplice posterior, em termos jurídicos, e responsável por explodir a situação e criar uma ruptura no corpo de Cristo.
É aí que a maioria de nós tropeça.
Em Provérbios capítulo 25 verso 23 diz: "O vento norte traz chuva, e a língua caluniadora, o rosto irado."
Se aparecer uma língua caluniadora, deve aparecer também o rosto irado. É legítimo ser irado. Não receba a pessoa que proferir palavras caluniadoras. Se pessoas vierem constantemente ao seu lar para contar estórias sobre os outros, diga-lhes que sua sala não é um depósito de lixo.
Se quiserem se dispor do seu lixo, que procurem outro lugar.
Em conclusão, depois de ler essa mensagem, se você reconheceu que tem pecado com a sua língua, ou tiver algum dos problemas que descrevemos, sugiro que você aplique estes sete remédios, e confesse o seu problema agora como pecado.
Se tiver ferido um outro crente, pode ser necessário ir a ele e pedir que lhe perdoe.
Enfrente a verdade sobre o seu pecado e peça que Deus lhe perdoe. Peça que ele o purifique, e então creia que recebeu dele o perdão e a purificação.


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