quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A CORRUPÇÃO

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................................................................................................................ Corrupção, suborno Definição: Algo como dinheiro ou um favor, oferecido ou dado a uma pessoa em uma posição de destaque, para influenciar de forma desonesta o seu ponto de vista ou a sua conduta. Na Bíblia o Senhor despreza a corrupção de líderes religiosos e políticos, que usem de maneiras desonestas, para ganho monetário ou político.

A corrupção é combatida com a espada do espírito

“Vos deveis revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade.” — Efésios 4:24.

QUANDO o Império Romano estava no seu apogeu, era a maior administração humana que o mundo havia visto. A legislação romana era tão eficaz, que ainda é a base do código jurídico de muitos países. Apesar das consecuções de Roma, porém, suas legiões não foram capazes de vencer um inimigo traiçoeiro: a corrupção. Por fim, a corrupção acelerou a queda de Roma.

O apóstolo Paulo foi um dos que sofreram sob autoridades romanas corruptas. Félix, o governante romano que o interrogava, pelo visto reconhecia que Paulo era inocente. Mas Félix, um dos mais corruptos governadores do seu tempo, adiou o julgamento de Paulo, esperando que esse lhe desse dinheiro para ser solto. — Atos 24:22-26.

Paulo, em vez de subornar Félix, falou-lhe francamente sobre “a justiça e o autodomínio”. Félix não mudou de proceder, e Paulo continuou na prisão em vez de tentar evitar o processo jurídico por meio dum suborno. Pregava uma mensagem de verdade e de honestidade, e vivia em harmonia com isso. “Confiamos em ter uma consciência honesta”, escreveu aos cristãos judeus, “visto que queremos comportar-nos honestamente em todas as coisas”. — Hebreus 13:18.

Esta atitude estava em nítido contraste com a moral vigente naquela época. Palas, irmão de Félix, era um dos homens mais ricos do mundo antigo, e sua riqueza — calculada em US$45 milhões — fora acumulada quase que totalmente por subornos e extorsões. A fortuna dele, porém, não é nada em comparação com os bilhões de dólares que alguns corruptos governantes do século 20 ocultaram em contas bancárias secretas. É evidente que apenas os mais ingênuos acreditariam que os governos atuais ganharam a guerra contra a corrupção.

Visto que a corrupção já ficou entrincheirada por tanto tempo, será que temos de presumir que ela simplesmente faz parte da natureza humana? Ou pode-se fazer algo para coibir a corrupção?

Como se pode coibir a corrupção?

É óbvio que o primeiro passo para se coibir a corrupção é reconhecer que ela é destrutiva e errada, visto que beneficia os inescrupulosos em prejuízo de outros. Sem dúvida, já se fez algum progresso neste sentido. James Foley, secretário de estado interino nos Estados Unidos, disse: “Todos nós reconhecemos que o custo do suborno é elevado. Os subornos minam a boa governança, prejudicam a eficácia econômica e o desenvolvimento, deturpam o comércio e penalizam os cidadãos em todo o mundo.” Muitos concordariam com ele. Em 17 de dezembro de 1997, 34 dos principais países assinaram um “acordo no tocante aos subornos”, destinado a “ter um grande impacto na luta global contra a corrupção”. O acordo “torna crime oferecer, prometer ou dar suborno a um funcionário público estrangeiro para conseguir ou manter negócios internacionais”.

Os subornos para se conseguir contratos comerciais em outros países, porém, são apenas a ponta do iceberg da corrupção. A eliminação da corrupção abrangente exige um segundo passo, muito mais difícil: a mudança de coração ou, antes, a mudança de muitos corações. Pessoas em toda a parte precisam aprender a odiar o suborno e a corrupção. Só assim o suborno deixará de existir. Para conseguir isso, a revista Newsweek disse que alguns acham que os governos deveriam “incentivar o senso geral de virtude cívica”. Transparência Internacional, um grupo de movimento anticorrupção, também recomenda que seus apoiadores “injetem uma ‘semente de integridade’” no local de trabalho.

A luta contra a corrupção é moral, e não pode ser vencida apenas por meio de legislação ou pela “espada” de penalidades jurídicas. (Romanos 13:4, 5) É preciso semear no coração das pessoas sementes de virtude e de integridade. Consegue-se isso melhor pelo uso do que o apóstolo Paulo descreveu como “a espada do espírito”, a Palavra de Deus, a Bíblia. — Efésios 6:17.

A Bíblia condena a corrupção

Por que se negou Paulo a tolerar a corrupção? Porque queria fazer a vontade de Deus, “que não trata a ninguém com parcialidade, nem aceita suborno”. (Deuteronômio 10:17) Além disso, Paulo, sem dúvida, se lembrava das instruções específicas encontradas na Lei de Moisés: “Não deves ser parcial nem aceitar suborno, pois o suborno cega os olhos dos sábios e deturpa as palavras dos justos.” (Deuteronômio 16:19) O Rei Davi também entendeu que Jeová odeia a corrupção, e pediu que Deus não o considerasse como um dos pecadores, “cuja direita está cheia de suborno”. — Salmo 26:10.

Aqueles que sinceramente adoram a Deus têm motivos adicionais para rejeitar a corrupção. “Pela justiça o rei estabelece a terra”, escreveu Salomão, “mas o amigo de subornos a transtorna”. (Provérbios 29:4, Almeida, Edição Contemporânea) A justiça — especialmente quando praticada desde as autoridades de alto escalão para baixo — produz estabilidade, ao passo que a corrupção empobrece o país. É interessante que Newsweek salienta: “Num sistema em que todos querem sua parcela da corrupção e sabem como consegui-la, a economia pode simplesmente implodir.”

Mesmo que a economia não entre em colapso total, os que amam a justiça sentem-se frustrados quando a corrupção floresce sem controle. (Salmo 73:3, 13) Nosso Criador, aquele que nos deu o inerente desejo de justiça, também é ofendido. No passado, Jeová interveio para eliminar completamente a corrupção flagrante. Por exemplo, ele disse claramente aos habitantes de Jerusalém por que os abandonaria aos inimigos deles.

Deus disse por meio do seu profeta Miquéias: “Por favor, ouvi isto, vós cabeças da casa de Jacó e vós comandantes da casa de Israel, os que detestais a justiça e que perverteis mesmo tudo o que é direito. Seus próprios cabeças julgam apenas por suborno e seus próprios sacerdotes instruem somente por um preço, e seus próprios profetas praticam a adivinhação meramente por dinheiro. . . . Portanto, por vossa causa Sião será arada como mero campo e a própria Jerusalém se tornará meros montões de ruínas.” A corrupção havia devastado a sociedade em Israel, assim como corroeu Roma, séculos depois. Fiel ao aviso de Deus, cerca de um século depois de Miquéias ter escrito essas palavras, Jerusalém foi destruída e abandonada. — Miquéias 3:9, 11, 12.

Nenhum homem ou nenhuma nação, porém, precisa ser corrupto. Deus exorta os iníquos a abandonarem seu modo de vida e mudarem seu modo de pensar. (Isaías 55:7) Ele quer que cada um de nós substitua a ganância pelo altruísmo e a corrupção pela justiça. “Quem defrauda o de condição humilde tem vituperado Aquele que o fez, mas aquele que mostra favor ao pobre O está glorificando”, Jeová nos lembra. — Provérbios 14:31.

A corrupção é combatida com êxito com a verdade bíblica

O que pode induzir alguém a fazer tal mudança? A mesma força que induziu Paulo a renunciar a uma vida como fariseu para se tornar firme seguidor de Jesus Cristo. “A palavra de Deus é viva e exerce poder”, escreveu ele. (Hebreus 4:12) Hoje em dia, a verdade bíblica ainda promove a honestidade, mesmo entre aqueles que ficaram muito envolvidos na corrupção. Veja um exemplo.

Pouco tempo depois de terminar o serviço militar, Alexander, que é da Europa Oriental, juntou-se a uma gangue que praticava chantagem, extorsão e suborno.* “Minha tarefa era extorquir de comerciantes ricos dinheiro de proteção”, explica ele. “Depois de eu granjear a confiança do comerciante, outros membros da nossa turma o ameaçavam com violência. Eu me oferecia então para cuidar do assunto — por um preço elevado. Meus ‘clientes’ me agradeciam por ajudá-los a cuidar dos seus problemas, quando na realidade eu era a causa deles. Estranho como possa parecer, este era um aspecto do trabalho de que eu gostava.

“Eu gostava também do dinheiro e da emoção que este estilo de vida me dava. Eu tinha um carro caro, morava num belo apartamento e tinha dinheiro para comprar o que quisesse. As pessoas me temiam, o que me dava um senso de poder. De alguma forma achava que ninguém me podia tocar e que eu estava acima da lei. Quaisquer problemas com a polícia podiam ser resolvidos quer por um advogado perito, que tinha um jeito de contornar o sistema judiciário, quer por um suborno dado à pessoa certa.

“Todavia, raras vezes há lealdade entre os que vivem dependentes da corrupção. Um da nossa gangue passou a não gostar de mim e eu perdi o favor do grupo. De repente, perdi meu carro ostentoso, meu dinheiro, minha namorada dispendiosa. Fui até mesmo brutalmente espancado. Este revés me fez pensar seriamente no objetivo da vida.

“Poucos meses antes, minha mãe se tornara Testemunha de Jeová, e eu comecei a ler as publicações delaou minha mãe se tornara uma das Testemunhas de Jeová. O texto em Provérbios 4:14, 15, me fez pensar seriamente: ‘Não entres na vereda dos iníquos e não te encaminhes diretamente para o caminho dos maus. Evita-o, não passes por ele; aparta-te dele e passa adiante.’ Textos assim me convenceram de que os que querem levar uma vida de crime não têm mesmo futuro. Comecei a orar a Jeová e a pedir-lhe que me guiasse no caminho certo. Estudei a Bíblia com as Testemunhas de Jeová e por fim dediquei minha vida a Deus. Desde então levo uma vida honesta.

“Naturalmente, levar uma vida honesta tem significado ganhar muito menos dinheiro. Mas agora acho que tenho um futuro, que minha vida tem verdadeiro sentido. Reconheço que meu anterior estilo de vida, com todos os seus apetrechos caros, era como um castelo de cartas, pronto para cair a qualquer momento. Antes, minha consciência era insensível. Agora, graças ao meu estudo da Bíblia, ela me cutuca sempre que fico tentado a ser desonesto — mesmo em assuntos pequenos. Procuro viver em harmonia com o Salmo 37:3, que diz: ‘Confia em Jeová e faze o bem; reside na terra e age com fidelidade.’”

“O que odeia o suborno viverá”

Conforme Alexander descobriu, a verdade bíblica pode levar a pessoa a vencer a corrupção. Ele fez mudanças em harmonia com o que o apóstolo Paulo diz na sua carta aos Efésios: “Deveis pôr de lado a velha personalidade que se conforma ao vosso procedimento anterior e que está sendo corrompida segundo os seus desejos enganosos; . . . deveis ser feitos novos na força que ativa a vossa mente, e que vos deveis revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade. Sendo que agora pusestes de lado a falsidade, falai a verdade, cada um de vós com o seu próximo, porque somos membros que se pertencem uns aos outros. O gatuno não furte mais, antes, porém, trabalhe arduamente, fazendo com as mãos bom trabalho, a fim de que tenha algo para distribuir a alguém em necessidade.” (Efésios 4:22-25, 28) O próprio futuro da humanidade depende de tais transformações.

A ganância e a corrupção sem controle podem arruinar a Terra, assim como contribuíram para a ruína do Império Romano. Felizmente, porém, o Criador da humanidade não planeja deixar tais assuntos entregues ao acaso. Ele determinou “arruinar os que arruínam a terra”. (Revelação [Apocalipse] 11:18) E Jeová promete aos que anseiam um mundo sem corrupção que em breve haverá “novos céus e uma nova terra . . . e nestes há de morar a justiça”. — 2 Pedro 3:13.

É verdade que talvez não seja fácil viver hoje segundo normas honestas. No entanto, Jeová nos assegura que, afinal de contas, “o que se dá à cobiça perturba a sua própria casa, mas o que odeia o suborno viverá”.* (Provérbios 15:27, Al) Por repudiarmos agora a corrupção, mostramos nossa sinceridade ao orar a Deus: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” — Mateus 6:10.

Enquanto esperamos que o Reino aja, cada um de nós pode ‘semear em justiça’ por se negar a tolerar ou a praticar a corrupção. (Oséias 10:12) Se fizermos isso, nossa vida atestará o poder da Palavra inspirada de Deus. A espada do espírito pode vencer a corrupção.


No Brasil, até um tempo atrás, corrupção era vista como coisa normal; não havia tanta tensão sobre o assunto. Alguns aceitavam de forma pragmática; o suborno sendo visto como um pouco mais do que 'um jeito diferente de fazer negócios'. Outros apenas faziam 'vista grossa'.

Existe, é verdade, essa cultura do 'jeitinho', da 'malandragem' como parte da maneira de ser do brasileiro, quase que uma 'exaltação' dessa habilidade da nossa gente de encontrar formas 'criativas' para resolver problemas. A corrupção, como ela se manifesta em nosso país, entra também por meio dessa 'validação cultural' e quase que 'institucionaliza' a sua prática.

Com o desenvolvimento econômico do país, a indignação contra a corrupção, de alguma forma, se dilui.




Alexandro Salas, diretor para as Américas da Transparência Internacional diz o seguinte:

"Quando um país começa a ter uma economia mais sólida, é mais fácil ver um cidadão comum perdoando atos corruptos, porque ele não faz um vínculo direto de como a corrupção o afeta. Se agora ele tem um bom trabalho, um carro e se o ministro rouba, ele fica irritado, claro, mas acha que isso não o atinge diretamente."

No ranking de Percepção da Corrupção da ONG em 2011, o Brasil ocupou a 73ª posição, entre 183 países. Já no que lista o grau de proprinas pagas, o país ficou no 14º lugar - foram 28 países analisados.

O Promotor de Justiça Jairo da Cruz Moreira aponta os dez atos de corrupção mais presents no dia a dia do cidadão comum:
- Não dar nota fiscal
- Não declarar Imposto de Renda
- Tentar subornar o guarda para evitar multas
- Falsificar carteirinha de estudante
- Dar/aceitar troco errado
- Roubar TV a cabo
- Furar fila
- Comprar produtos falsificados
- No trabalho, bater ponto pelo colega
- Falsificar assinaturas


"Aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções", afirma o promotor. "Seguindo esse raciocínio, seria algo como um menino que hoje não vê problema em colar na prova ser mais propenso a, mais pra frente, subornar um guarda sem achar que isso é corrupção."

O antropólogo Roberto DaMatta defende que essa prática sistêmica é uma forte razão pela qual o brasileiro é complacente com a corrupção na política, por exemplo. Nas palavras dele, 'uma sociedade de rabo preso não pode ser uma sociedade de protesto'.

O ex-secretário geral da Nações Unidas, Kofi Annan, certa vez disse:

"A corrupção é uma praga insidiosa que tem um largo espectro de efeitos corrosivos nas sociedades. Ela sabota a democracia e o texto da lei, leva a violações dos direitos humanos, distorce os mercados, corrói a qualidade de vida e facilita o crime organizado, terrorismo e outras ameaças ao florescimento da segurança da humanidade. A corrupção fere o pobre desproporcionalmente através dos desvios de fundos que deveriam ir para o desenvolvimento, compromete a habilidade do governo em prover serviços básicos, alimenta a desigualdade e a injustiça, além de desencorajar a ajuda e o investimento externo. Corrupção é o elemento chave no mau desempenhos das economias e o principal obstáculo ao desenvolvimento e ao combate à pobreza". (Kofi Anan)

Chico Buarque escreveu uma 'letra' em que homenageia o malandro às avessas; aquele que tem família, trabalha, que deixou a criminalidade. Penso que ela retrata bem essa mudança na maneira de enxergar o questão da corrupção no contexto brasileiro, apontando que há algo problemático com essa 'ética do jeitinho'.

Homenagem ao Malandro (Chico Buarque)

Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central


De que corrupção nós estamos falando?

A Bíblia trata do tema da corrupção da raça humana e do plano redentor de Deus, do Gênesis ao Apocalipse; a corrupção lato sensu (o pecado, de uma forma geral), que se desdobra em corrupções strito sensu (manifestações específicas da rebelião humana).

Nosso foco é na corrupção como ferramenta de opressão econômica, afronta ao pobre; a negação do acesso do outro aos direitos básicos pela malversação de dinheiro público, pagamentos de propinas, superfaturamentos, etc...

Bryan R. Evans, da Tearfund, em sua livro 'O custo da corrupção', circunscreve o entendimento de corrupção à fraude, apropriação indébita e suborno que podem ocorrer através do abuso de poder, formação de cartel ou negócios escusos/nebulosos; além disso ele categoriza a corrupção em três tipos: a incidental, a sistemática e a sistêmica.

O fato é que 'corrupção' andará sempre de mãos dadas com a pobreza e, por esse motivo, ela é uma questão de ordem moral e de direitos humanos.
Vejamos alguns efeitos práticos da corrupção: o alto custo do acesso aos serviços de saúde e educação; padrões de saúde e segurança públicas precárias, riscos ambientais, violação dos direitos humanos, precariedade do acesso à justiça. Além das mulheres e das crianças, os portadores de deficiência, pessoas com vírus HIV, idosos e os refugiados estão entre os que mais sofrem as consequências da corrupção.

O que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto? E, ao refletirmos sobre e as Escrituras, o que se espera que seja a nossa práxis como igreja de Cristo.

"E criou Deus o homem à Sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" (Gn 1:27)

"E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto" (Gn 1:31)

A desobediência da criatura humana abre as portas para toda a cultura de violência e morte que vai descaracterizar a imagem de Deus no homem.

"A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra." (Gn 6:11-12)

A corrupção, como a conhecemos e a tratamos hoje, é talvez a violência em sua forma mais cruel. Não é possível dissociarmos a ideia de corrupção daquilo que entendemos como violência à dignidade humana, seja pela precarização dos serviços públicos, seja pela facilitação do crime ou pelo aumento da miséria.

A corrupção aflige a terra desde a Queda. Não é surpresa, portanto, que muitos a vejam como algo normal, inevitável; um mal necessário na condução dos negócios e a forma como o rico e o poderoso levam sempre vantagem sobre o pobre e o fraco.

Porém as Escrituras deixam claro que a corrupção é uma injustiça e, mais do que isso, elas nos chamam a um posicionamento contra a corrupção.
O relato de corrupção, propina ou suborno mais conhecido da história está na Bíblia. Foram as 30 moedas de prata dadas pelos sacerdotes judeus a Judas Iscariotes para que ele os levassem até o Jardim do Getsemani, onde Jesus e os discípulos passavam a noite. Lá Judas mostrou a eles através do beijo da traição quem era Jesus. Judas era ganancioso e o dinheiro significava para ele, muito mais do que lealdade ou amor. Ele foi motivado por ganância e ganho pessoal. Quando ele se deu conta do mal feito e das consequências da sua traição, jogou as moedas no pátio do templo e cometeu suicídio (Mt 26 e 27; Mc 14; Lc 22).

Corrupção em forma de propina ou suborno é condenada ao longo de toda a Escritura Sagrada.
Samuel foi o primeiro dos profetas do Antigo Testamento e um grande líder em Israel. Porém, mais tarde em sua vida, em sua casa, ele acusou os seus filhos de não andarem em seus caminhos. Foram avarentos, aceitaram subornos, torceram a lei (I Sm8:3). A distorção da justiça é uma das piores consequências do suborno porque permite que o rico explore o pobre. Na despedida que Samuel fez junto ao seu povo na coroação do rei Saul, ele perguntou: "...diga-me de quem recebi suborno e com ele encobri meus olhos, e eu vo-lo restituirei?" (I Sm 12:3). Ele teve uma vida exemplar e a multidão não hesitou em responder: "em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem recebeste coisa alguma da mão de ninguém." (I Sm 12:4)

Davi, rei de Israel, fez uma pergunta retórica no Salmo 24: "Quem subirá ao monte do Senhor ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração. Que não entrega a sua alma à vaidade e nem jura enganosamente." No Salmo 26, porém, ele apresenta o homem que tem a mão direita cheia de subornos em contraste com o outro homem do Salmo 15:5 que "não empresta o seu dinheiro visando lucro e nem aceita suborno contra o inocente."

O profeta Isaías elogia "...aquele cuja mão não aceita suborno." (Is 33:15). E o profeta Amós denuncia "vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais." (Amós 5:12)

Em seu artigo 'O que a Bíblia diz sobre corrupção', Hermes C. Fernandes apresenta textos bíblicos categorizados em modos distintos de fraude financeira nas esferas pública e privada, mostrando a corrupção como algo inaceitável diante de Deus:

Advertência contra a corrupção no funcionalismo público

"Chegaram também uns cobradores de impostos, para serem batizados, e lhe perguntaram: Mestre, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não peçais mais do que o que vos está ordenado". Lucas 3:12-13

Advertência contra a corrupção policial

"Então uns soldados o interrogaram: E nós, o que faremos? Ele lhes disse: A ninguém trateis mal, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo". Lucas 3:14

Advertência contra a corrupção no Poder Judiciário

"Não torcerás a justiça, nem farás acepção de pessoas. Não tomarás subornos, pois o soborno cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos. Segue a justiça, e só a justiça, para que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te dá". Deuteronômio 16:19-20
"Também suborno não aceitarás, pois o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos".Êxodo 23:8
"O ímpio acerta o suborno em secreto, para perverter as veredas da justiça". Provérbios 17:23
"Ai dos que...justificam o ímpio por suborno, e ao justo negam justiça". Isaías 5:22a,23
"Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles nada sabem, e nada entendem. Andam em trevas". Salmos 82:2-5a
"Não farás injustiça no juízo; não favorecerás ao pobre, nem serás complacente com o poderoso, mas com justiça julgarás o teu próximo". Levítico 19:15

Independência entre os poderes

"Pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja reto. Todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com uma rede. As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores". Miquéias7:2-3

Advertência contra a corrupção no Poder Executivo

"Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas". Isaías 1:23
"Pela justiça o rei estabelece a terra, mas o amigo de subornos a transtorna". Provérbios 29:4
"Abominação é para os reis o praticarem a impiedade, pois com justiça se estabelece o trono". Provérbios 16:12

Advertência acerca dos assessores corruptos

"Tira o ímpio da presença do rei, e o seu trono se firmará na justiça". Provérbios 25:5

Advertência contra a corrupção no Poder Legislativo

"Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, e para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas, e roubando os órfãos! Mas que fareis no dia da visitação, e da assolação, que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória, sem que cada um se abata entre os presos, e caia entre os mortos?" Isaías 10:1-4

Advertência contra a corrupção e a ganância no meio empresarial

"No meio de ti aceitam-se subornos para se derramar sangue; recebes usura e lucros ilícitos, e usas de avareza com o teu próximo, oprimindo-o. E de mim te esqueceste, diz o Senhor Deus. Eu certamente baterei as mãos contra o lucro desonesto que ganhastes..." Ezequiel 22:12-13a
"Melhor é o pouco, com justiça, do que grandes rendas, com injustiça". Provérbios 16:8
"O que oprime ao pobre para aumentar o seu lucro, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá". Provérbios 22:16

Advertência contra juros absurdos praticados pelo Sistema Financeiro

"O que aumenta a sua fazenda com juros e usura, ajunta-a para o que se compadece do pobre". Provérbios 28:8
"Sendo o homem justo, e fazendo juízo e justiça (...) não oprimindo a ninguém, tornando ao devedor o seu penhor, não roubando, dando o seu pão ao faminto, e cobrindo ao nu com vestes; não dando o seu dinheiro à usura, não recebendo demais, desviando a sua mão da injustiça, e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; andando nos meus estatutos, e guardando os meus juízos, para proceder segundo a verdade, o tal justo certamente viverá, diz o Senhor Deus". Ezequiel 18:5,7-9
"Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre, que está contigo, não te haverás com ele como credor; não lhe imporás juros". Êxodo 22:25
"Aos retos até das trevas nasce a luz, pois é compassivo, compassivo e justo. Bem irá ao que se compadece e empresta, que conduz os seus negócios com justiça. (...) É liberal, dá aos pobres, a sua retidão permanece para sempre; a sua força se exaltará em glória".
Salmos 112:4-5,9

Advertência acerca dos Direitos trabalhistas

"Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando contendiam comigo, então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo ele a causa, que lhe responderia?" Jó 31:13-14
"Chegar-me-ei a vós para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o trabalhador, e pervertem o direito da viúva, e do órfão, e do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos". Malaquias 3:5
"Vós, senhores, dai a vossos servos o que é de justiça e eqüidade, sabendo que também vós tendes um Senhor nos céus". Colossenses 4:1
"Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás. O salário do operário não ficará em teu poder até o dia seguinte". Levítico 19:13

Advertência contra lucros desonestos

"O mercador tem balança enganadora em sua mão; ele ama a opressão". Oséias 12:7
"Não terás dois pesos na tua bolsa, um grande e um pequeno. Não terás duas medidas em tua casa, uma grande uma pequena. Terás somente pesos exatos e justos, e medidas exatas e justas, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Pois o Senhor teu Deus abomina todo aquele que pratica tal injustiça". Deuteronômio 25:13-16

"Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer". Provérbios 11:1
"O peso e a balança justos são do Senhor; obra sua são todos os pesos da bolsa". Provérbios 16:11
"Poderei eu inocentar balanças falsas, com um saco de pesos enganosos?" Miquéias 6:11
"Não cometereis injustiça nos julgamentos, nas medidas de comprimento, de peso ou de capacidade. Balanças justas, pesos justos, efa justo, e justo him tereis. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito."Levítico 19:35-36.

No primeiro século depois de Cristo, o apóstolo Paulo se recusou pagar suborno ao governador romano Félix. O governador admitiu que Paulo não havia feito nada de errado. Mas ele ainda assim o manteve na prisão porque "esperava que Paulo oferecesse a ele algum dinheiro" (At 24:26). Paulo não pagou o suborno e como resultado ele permaneceu preso. Esse tempo na prisão poderia ser gasto em visitas e encorajamento às igrejas que ele havia fundado ou, quem sabe, fazendo a tão sonhada viagem missionária à Espanha. Porém ele escolheu não pagar essa quantia em dinheiro que poderia ser facilmente arrecadada entre os cristãos ricos. Nenhuma 'justificativa' para o suborno poderia ser maior do que essa que o apóstolo teve; mas ele se recusou a faze-lo. Ao invés de visitar as igrejas, ele escreveu cartas para elas. Cartas que nós lemos hoje. O nosso sofrimento pelo evangelho não se perde dentro da providência divina.

Essas passagens nos mostram que, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, o suborno é entendido como um pecado contra Deus. Uma perversão da justiça que permite que o rico explore o pobre; e dentre os pobres, mulheres e crianças são os que mais sofrem. Abusos de poder que só satisfazem a ganância.
A corrupção não é apenas moralmente errada. Ela mina o desenvolvimento econômico, distorce a lisura na tomada de decisões e destrói a coesão social.
A corrupção mata! A corrupção é desonra a Deus e, por isso, é a antítese do amor ao próximo.

No episódio de Caim e Abel, em Gênesis 4, vemos Caim buscando 'comprar' o reconhecimento do Senhor e para tanto, Caim decide tirar a vida do seu irmão. O Senhor Deus questiona a Caim sobre o paradeiro de seu irmão. Caim responde com uma pergunta que tenta justificar a sua independência arrogante: "Acaso sou eu o guardador do meu irmão?" (vs 9). Somos, ou deveríamos ser, os guardadores do nosso próximo; promotores de conciliações, construtores de pontes e não agentes de violência e morte.

Como vimos no texto de Gn 6 "... a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência."
Considerando que a corrupção, na perspectiva que estamos tratando-a hoje, é um dos maiores, se não o maior, ato de violência direta ou indireta do homem contra o seu semelhante e contra a criação, o que, então, nós, discípulos de Jesus, podemos fazer? Que contribuição podemos dar na luta contra a corrupção?

Considerando que toda lei de Deus converge em Cristo nos conclamando ao amor a Deus e ao próximo (Mt 22:36-38), e ele é a expressão perfeita da vontade do Pai para o homem, penso que o próprio Cristo nos aponta o caminho a seguir.

1. Jesus nos apresenta o modelo da não-violência

Na noite em que foi preso, quando um soldado veio na direção de Jesus, o Mestre advertiu Pedro que já estava pronto pra briga: "Ponha a espada de volta...o que vive pela espada, morrerá por ela" (Mt 26:52). Os valores do reino de Deus são outros. Nosso poder é poder para ser e para servir; não para revidar na mesma moeda. O modelo de combate do cristão não passa pela reprodução da violência.

2. Jesus apresenta a fonte da violência

"E, chamando outra vez a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós, todos, e compreendei.
Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem.
Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios,
Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.
Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem."
Marcos 7:14-23

Ainda que a violência em forma de corrupção possa ser manifestada através de sistemas, esquemas e estratagemas, sabemos que a fonte será sempre o coração corrupto do homem. E é muito bom entendermos isso porque nos ajuda a colocar as coisas em perspectiva e a compreendermos pelo menos duas coisas:
Primeiro que, potencialmente, todos nós estamos sujeitos à corrupção e precisamos ser cuidadosos em como vivemos a vida. Segundo, ajuda-nos a entender que a corrupção é uma questão de escolha pessoal, e não o fruto de um sistema sem rosto. Para cada escolha, uma responsabilidade.

3. Jesus nos encoraja a enfrentarmos a violência com bravura
Jesus ensinou que o mundo é um lugar perigoso de se viver. Mas ele desafiou seus seguidores a não terem medo. "Não temam aqueles que matam o corpo mas não podem matar a alma." (Mt10:28)
Ele também disse: "Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo". João 16:33
Tenham ânimo! A tradução para o inglês é 'sejam bravos!'
Que tipo de bravura é essa que Jesus pede dos seus seguidores?

4. Jesus exige de nós uma resposta à violência

Penso que é no sermão do monte onde vamos encontrar aquilo que Jesus deseja que façamos em relação à corrupção e a qualquer forma de violência. As palavras de Jesus tratam dos desafios da vida real. É quando ele diz: "Felizes os pacificadores pois eles serão chamados filhos de Deus." (Mt 5:9). Fazer a paz dá trabalho, trabalho duro, trabalho frustrante, muitas vezes inconveniente. Felizes aqueles que gastam as suas vidas a serviço da reconciliação e da shalom.

Em seu livro, O Custo do Discipulado, Dietrich Bonhoeffer diz:"Os seguidores de Jesus foram chamados para a paz. Quando ele os chamou, eles encontraram sua paz, porque ele é a sua paz...Mas a eles foi dito que deveriam não apenas ter paz, mas fazer a paz."

John Stott, em seu comentário do sermão do monte diz, "Agora pacificação é uma obra divina. Por paz entenda-se reconciliação, e Deus é o autor de toda paz e reconciliação."

Pacificadores, portanto, são construtores de pontes num mundo de relações corrompidas.
Pacificadores agem em nome de Jesus, na base dos valores do reino de Deus, promovendo diálogos para a reconciliação.
Pacificadores enfrentam a corrupção de forma pacífica, inteligente e criativa, tendo sempre a justiça do Reino como referência para a Shalom.
Pacificadores vão às ruas e clamam pela paz; articulam-se com outros grupos que tenham interesse comum para fazerem trabalho conjunto; promovem campanhas; mobilizam igrejas na ação contra o mal em forma de violência e corrupção;
Pacificadores acompanham as decisões políticas e buscam incidência pública objetivando a implementação de mecanismos de controle social e transparência;
Pacificadores dão voz aos sem-voz.
Pacificadores buscam diálogos possíveis e quando não é possível, falam sozinhos.
Pacificadores são o sal que preserva o mundo da corrupção do mal.
Pacificadores são a luz que traz às claras aquilo que se esconde na escuridão.
Pacificadores bem-aventurados; que têm fome e sede da justiça de Deus.

Corrupção é uma questão de caráter. Não se garante transformação de caráter através de controle social e transparência na administração pública. Caráter, nós sabemos, só quem transforma é Deus.
Há, portanto, dois níveis de ação da igreja nesse terreno.
O primeiro é de fazer um chamado à própria igreja a um posicionamento ético que identifique os frutos de justiça produzidos pela ação do Espírito Santo na vida daqueles que se dizem nova criação. Ou seja, precisamos admitir que somos parte do problema desse país. Uma igreja corrompida e corruptora não tem o que dizer em matéria de ética na governança pública.
O outro nível de ação nos move na direção de uma maior incidência pública para a garantia do cumprimento das leis, ou a criação de novas leis, que contribuam para a construção de um ambiente social onde se garanta um mínimo de justiça.
Aqui eu quero citar o Pr Carlos Queiroz, para argumentar em favor de um engajamento da igreja nas questões de justiça e paz no mundo dos homens:

"A justiça de Deus é bem maior que o conceito de justiça do ser humano. É baseada em valores como mansidão, sensibilidade, misericórdia e amor. Mas isso não quer dizer que a justiça de Deus é menor do que o mínimo exigido pela justiça humana, como o direito à habitação, alimentação, saúde, educação, lazer, liberdade de exercer a vocação humana."

"Uma igreja socialmente responsável se utilizará dos instrumentos democráticos para que a sua espiritualidade em missão tenha incidência nas políticas públicas, nos direitos do cidadão e nos testemunhos de boas obras e prática da justiça."

Deus quer vida; a corrupção destrói a vida.
Deus quer justiça; a corrupção oprime o pobre roubando-lhe os direitos.
Deus quer riqueza honesta; a corrupção cria obstáculos ao desempenho econômico.
Deus quer comunidade; a corrupção destrói a confiança e a segurança.
Deus quer dignidade; a corrupção destrói a dignidade e a credibilidade.
Deus quer paz; a corrupção fortalece a violência e os aparatos militares.

A luta contra a corrupção, portanto, faz todo o sentido para aqueles que dizem conhecer o Deus incorruptível e almejam viver para servi-lo, refletindo na vida o Seu caráter santo. A revelação de Deus na Sua Palavra nos confronta, nos transforma e nos move à missão. A missão se dá no solo real de um mundo corrompido e fraturado. Sempre que a igreja busca se envolver na justa causa contra a corrupção estará respondendo à Deus de forma diferente de Caim:
'Eu sei, sim, onde está o meu irmão, porque sou responsável por ele. Sua vida me diz respeito. Como posso servi-lo?'


O evangelho é sem dúvida boas novas para o homem perdido. Ele nos fala do amor de Deus e de como, por sua graça e misericórdia, os mortos espiritualmente são vivificados(Efésios 2:1-8). Ele oferece cura para os enfermados pelo pecado e descanso para os que levam pesados fardos. Com gratidão e alegria, homens humildes responderam à mensagem e por meio da fé em Jesus Cristo escaparam da escravidão da iniqüidade. Como benfeitores do sacrifício de Cristo, foram libertos de um estado de pecado realmente desesperador e foram feitos filhos e herdeiros de Deus (Romanos 8:15-17). Agora vivem como filhos da luz, sendo exortados a andar "de modo digno da vocação a qual fostes chamados" (Efésios 4:1).

As práticas da carne não foram facilmente descartadas por muitos dos filhos de Deus. Os velhos costumes custam a passar, sobretudo se o compromisso da pessoa for incerto ou se o crescimento foi retardado pela insuficiência na nutrição ou na prática espiritual. A estrada que conduz à ruína está sempre aberta e facilmente é encontrada por aqueles cuja mente não está firmemente posta nas coisas de cima. Mesmo as pessoas mais justas podem tropeçar se baixarem a guarda e deixarem de "vigiar e orar". Será sempre necessário que os mestres fiéis ajam como vigias e advirtam sobre o mal iminente que espera os que praticam o pecado.

Paulo já havia advertido os gálatas sobre as conseqüências de andar na carne (Gálatas 5:21), e em sua epístola a eles mais uma vez implora para que se lembrem da lei de Deus acerca da colheita: "Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6:7).

Que o pecado produz desastre e tragédia deve ser óbvio para o homem honesto. Vivemos em um mundo que foi marcado e aleijado pela rebeldia do homem contra Deus. O pecado continuará a arruinar e destruir os que tolamente o abraçam.

Em primeiro lugar, pense que para praticar o pecado violamos o propósito que o Criador tem para nós. O homem foi feito à imagem de Deus e, embora revestido de carne, é um ser espiritual. O homem não se rebela "naturalmente" contra o seu Criador. Não prefere "por natureza" e escolhe as paixões degradantes da carne, resistindo às veredas da justiça. Na verdade, sua inclinação natural o encaminha para ter prazer na lei de Deus no homem interior (Romanos 7:22). Isso significa que o homem intuitivamente reconhece a natureza superior a "justiça" inerente dos princípios da verdade. Para que o homem viole esses princípios, ele tem que primeiramente voltar-se contra si mesmo. Suas circunstâncias passam a ser semelhantes aos pensamentos expressos por Paulo: ". . . pois não faço o que prefiro e sim o que detesto" (Romanos 7:15). Esse homem leva uma vida de conflito interno constante, perdendo respeito próprio e a paz de espírito, até que por fim a voz da consciência é calada e o engano próprio substitui a honestidade (1 Timóteo 4:2; Romanos 1:21-22). Uma transformação degradante começa, a qual o levará cada vez mais longe de Deus. Não nos surpreende que Paulo advertisse aos gálatas que viver pela carne destruiria toda a espiritualidade do homem "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer" (Gálatas 5:17). Cristão, tome cuidado! Um retorno ao pecado fará de você a mais infeliz das criaturas: "Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal" (2 Pedro 2:22).

Andar na carne também gera conflitos com o nosso próximo. É por isso que os homens mordem e devoram uns aos outros (Gálatas 5:13-15). O homem carnal fica desconfiado, sem fé, insensível. O ódio dele e a intolerância que tem para com os outros é um reflexo de seu próprio vazio e insatisfação com a vida. Ele pode apresentar uma fachada dizendo que é feliz, mas na verdade não pode escapar dos momentos inevitáveis em que a vida é medida e ele deve perguntar: "Isso é tudo?".

A maior tragédia do pecado é declarada por Paulo em Gálatas 5:21: "Eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam". Paulo refere-se aqui à existência eterna do homem com Deus no céu (Mateus 25:34; 2 Pedro 1:10-11), e não poderia haver um apelo mais solene feito para incitar o homem a andar no Espírito.

A natureza do pecado (rebelião contra Deus) determina que Deus não pode associar-se com os que se lhe opõem, e o desejo do homem de andar contrariamente às leis de Deus demonstra que ele não é digno dessa comunhão. O homem que tolamente prefere os prazeres sórdidos e profanos da carne aos tesouros de Deus virá a conhecer o máximo de horrores. Ele conhecerá uma eternidade intocada pela presença de um Deus justo e amoroso. Para sempre não terá mais acesso a todo bem e a toda coisa de valor que em qualquer momento existiu.

"Não vos enganeis . . . Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção" (Gálatas 6:7-8).


1. A Bíblia proíbe expressamente a entrega ou aceitação de subornos ou 'ofertas': 

Êxodo 32:8 Também suborno não aceitarás, pois o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos.

 Provérbios 29: 4 Pela justiça o rei estabelece a terra, mas o amigo de subornos a transtorna.

 Eclesiastes 7:7 Verdadeiramente a opressão faz endoidecer até o sábio, e o suborno corrompe o coração.

 2. Tanto o dar, como o receber subornos são geralmente motivados pelo egoísmo e pelo próprio interesse: 

Provérbios 17: 23 O ímpio aceita o suborno em segredo, para perverter as veredas da justiça. 22: 16 O que oprime ao pobre para aumentar o seu lucro, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá.

 Isaías 1: 23 Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas.

 Ezequiel 13: 19 Vós me profanastes entre o meu povo, por punhados de cevada, e por pedaços de pão, para matardes as almas que não haviam de morrer, e para guardardes vivas as almas que não haviam de viver, mentindo assim ao meu povo que escuta mentiras. 

Miquéias 7: 3 As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores. 
3. Exemplos bíblicos de pessoas que aceitaram subornos de pessoas imorais: 

Números 22:14-22a [Balaque tentou subornar Balaão para amaldiçoar os filhos de Israel.]
 14Levantaram-se os príncipes dos moabitas, voltaram a Balaque, e lhe disseram: Balaão recusou-se a vir conosco.
15 Balaque tornou a enviar outros príncipes, em maior número e mais honrados que os primeiros.
16 Chegando a Balaão, disseram-lhe: Assim diz Balaque, filho de Zipor: Rogo-te que não te demores em vir a mim, 
17 porque grandemente te honrarei, e farei tudo o que me disseres. Portanto vem, rogo-te, e amaldiçoa por mim este povo. 
18 Respondeu Balaão aos servos de Balaque: Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia desobedecer à ordem do Senhor meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande. 
19 Agora rogo-vos que também aqui fiqueis esta noite, para que eu saiba o que o Senhor me dirá ainda.
20 Veio o Senhor a Balaão, de noite, e disse-lhe: Visto que aqueles homens te vieram chamar, levanta-te, e vai com eles, mas farás somente o que eu te disser. 
21 Então Balaão se levantou de manhã, selou a sua jumenta, e partiu com os príncipes de Moabe. 
22 Mas a ira de Deus se acendeu quando ele se foi.

 Juízes 16:5 Os príncipes dos filisteus subiram a ela [Dalila], e lhe disseram: Persuade-o [Sansão], e vê em que consiste a sua grande força, e com que poderíamos dominá-lo e amarrá-lo, para assim o subjugarmos. Cada um de nós te dará mil e cem moedas de prata. 

1.Samuel 8: 1 Tendo Samuel envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel.
 2 O seu primogênito chamava-se Joel e o segundo Abias, e foram juízes em Berseba.
 3 Porém seus filhos não andaram nos caminhos dele, antes se inclinaram à avareza, aceitaram subornos e perverteram o juízo.

 Ester 3: 9 [Hamã subornbou o rei Assuero para destruir os judeus:]Se agradar ao rei, decrete-se que sejam mortos, e eu porei nos tesouros do rei dez mil talentos de prata para os homens que executarem este negócio.

 Mateus 28:12-15 [Os judeus subornaram os soldados que guardaram a tumba de Jesus para que eles ajudassem a espalhar suas mentiras:] 
12 Reunindo-se eles com os anciãos, deliberaram dar muito dinheiro aos soldados, recomendando: 
13 Dizei que vieram de noite os seus discípulos e, enquanto dormíeis, o furtaram. 
14 Caso isto chegue aos ouvidos do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. 
15 Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E espalhou-se esta história entre os judeus, até o dia de hoje.

 Marco 14: 10 Então Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus.
 11 Eles, ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro. De modo que ele procurava uma oportunidade para o entregar. 

Atos 24:26 [O governador Felix esperava um suborno de Paulo:] Esperava ao mesmo tempo que Paulo lhe desse dinheiro, para que o soltasse, pelo que também muitas vezes o mandava chamar, e falava com ele.

 4. Os ganhos provenientes de suborno são insignificantes em comparação com o que custam, em termos dos julgamentos de Deus: 

Jó 15: 34 Pois o ajuntamento dos hipócritas se fará estéril, e o fogo consumirá as tendas do suborno.

 Provérbios 15: 27 O que se dá à cobiça perturba a sua própria casa, mas o que odeia o suborno viverá. 

Provérbios 29:4 Pela justiça o rei estabelece a terra, mas o amigo de subornos a transtorna. 

Isaías 5:22a Ai dos que são poderosos para beber vinho, 23 que justificam o ímpio por suborno, e ao justo negam justiça.

Amós 2:6 Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sandálias. 

Amós 5: 11 Portanto, visto que pisais o pobre, e dele exigis tributo de trigo, edificareis casas de pedras lavradas, mas nelas não habitareis; vinhas desejaveis plantareis, mas não bebereis do seu vinho. 
12 Porque sei que são muitas as vossas transgressões, e enormes os vossos pecados. Afligis o justo, tomais suborno, e rejeitais os necessitados na porta.

 5. Deus prometeu abençoar àqueles que mantêm a sua integridade ao não dar nem receber subornos:

 1 Samuel 12:3 [Samuel julgava Israel honestamente e nunca aceitou um suborno:] Aqui estou. Testificai contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido: De quem tomei o boi? De quem tomei o jumento? A quem defraudei? A quem oprimi? Das mãos de quem recebi suborno para encobrir com ele os meus olhos? Se fiz alguma dessas coisas, eu a restituirei.

 Salmo 26:9 Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida com a dos homens sanguinarios, 
10 em cujas mãos há malefício, e cuja destra está cheia de subornos. 
11 Mas eu ando na minha integridade; livra-me, e tem compaixão de mim. 

Provérbios 15: 27 O que se dá à cobiça perturba a sua própria casa, mas o que odeia o suborno viverá. 

Isaías 33: 15 O que anda em justiça, e o que fala com retidão, que arremessa para longe de si o ganho de opressões, e que sacode das suas mãos todo suborno, que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de sangue, e fecha os olhos para não ver o mal; 
16 este habitará nas alturas, e as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio. O seu pão lhe será dado, e as suas águas serão certas. 

6. Há momentos em que dar um presente ou donativo é aceitável, como um gesto de bondade ou de reconciliação, mas não para corromper um julgamento: 

Gênesis 32:11-21 ; 33:8-11 [Jacó insiste em dar um grande presente para ajudar a reconciliar com seu irmão Esaú. Jacó ora:] 
11 Livra-me peço-te, das mãos de meu irmão, das mãos de Esaú, pois eu o temo, para que não venha ele matar-me, e a mãe com os filhos.
12 Mas tu disseste: Certamente te farei bem, e farei a tua descendência como a areia do mar, que, pela multidão, não se pode contar.
13 Ele passou ali aquela noite, e tomou, do que tinha, um presente para seu irmão Esaú: 
14 duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,
 15 trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentinhos.


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terça-feira, 22 de setembro de 2015

O QUE COMER?

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“Se quiser, e obedecer, você comerá o melhor desta terra”. Mas se recusar, e for rebelde, será morto à espada; assim diz o SENHOR”.(Isaias 1:19-20).

Certo líder religioso caminhava com seu discípulo quando o discípulo lhe perguntou: “Mestre, quando um homem deve se arrepender?” Com muita serenidade o líder respondeu: “Você precisa estar certo de que se arrependerá no último dia de sua vida”. “Mas, …” Protestou o discípulo, “Não sei quando será o último dia de minha vida”. Sorrindo, o líder concluiu: “A resposta para este problema é simples – arrependa-se agora”.

É muito comum ouvirmos pessoas dizerem que terão muito tempo para se arrependerem de seus pecados e pensar em Deus. “Tenho uma longa vida a viver… mais tarde pensarei nesse assunto. Preciso aproveitar minha juventude e gozar de tudo de bom que o mundo oferece”.

Como nos enganamos ao pensar assim! O mundo é traiçoeiro e seus prazeres enganosos. As luzes brilham apenas por um tempo e logo se apagam. Os sonhos transformam-se em pesadelos e a juventude pode ser grandemente desperdiçada.

Se você quer realmente aproveitar sua juventude e gozar a vida da melhor maneira possível, deve, enquanto tem tempo, entregar os seus cuidados a Aquele que pode dar ao homem a vida abundante e eterna. Se não quer correr riscos e “comer o melhor desta terra”, o melhor a fazer é abrir o coração para o Senhor Jesus Cristo.

Muitas vezes adiamos e vamos protelando para deixar a vida de pecados que tanto nos envolve. Pensamos que o que estamos fazendo é o melhor para nossas vidas, mas, em verdade, estamos apenas comendo migalhas em vez das finas iguarias que o Rei dos reis tem colocado à nossa disposição. Às vezes temos tempo de nos arrepender e desfrutar ainda de algum tempo de regozijo e felicidade, outras vezes, somos surpreendidos e não temos mais a oportunidade que julgávamos ter antes de morrer.

O QUE COMER?

Levítico capítulo 11 nos dá uma lista de restrições alimentares que Deus deu à nação de Israel. Essas leis incluíram proibições de comer porco, moluscos, a maioria dos insetos e vários outros animais. Nunca foi a intenção que essas regras alimentares se dirigissem a mais ninguém além de Israel. Jesus depois declarou que todas as comidas era puras (Marcos 7:19). Deus deu ao Apóstolo Pedro a visão na qual Ele declarou que todos os animais eram considerados impuros: “Pela segunda vez lhe falou a voz: Não chames tu comum ao que Deus purificou” (Atos 10:15). Quando Jesus morreu na cruz, Ele deu um fim à lei do Velho Testamento (Romanos 10:4; Gálatas 3:24-26; Efésios 2:15). Isso inclui as leis sobre as comidas puras e impuras.

Romanos 14:1-23 nos ensina que nem todo mundo é maduro o suficiente em sua fé para aceitar o fato de que todas as comidas são puras. Como resultado, se estivermos com alguém que se ofenderia por comermos comida “impura” – devemos parar de comer esse tipo de comida para não ofender a outra pessoa. Temos o direito de comer o que quisermos, mas não temos o direito de ofender a ninguém, mesmo se estiverem errados. Para o Cristão dos dias de hoje, no entanto, temos a liberdade de comer o que tivermos vontade de comer, contanto que não cause outra pessoa a tropeçar em sua fé.

Na Nova Aliança da graça, A Bíblia se preocupa muito mais com o quanto comemos do que com o que comemos. Apetites físicos são uma analogia de nossa habilidade de nos controlar. Se somos incapazes de controlar nossos hábitos alimentares, somos também incapazes de controlar outros hábitos, tais como: os hábitos da mente (desejo sexual, cobiça, ira/ódio injustos) e da nossa boca, como os de fofoca e brigas. Não devemos deixar que nossos apetites nos controlem; na verdade, nós que devemos controlá-los. Veja Deuteronômio 21:20; Provérbios 23:2; 2 Pedro 1:5-7, 2 Timóteo 3:1-9, 2 Coríntios 10:5.

O QUE COMER?

O que Paulo quis dizer no capítulo 14 de Romanos ao escrever as seguintes frases: V.2 …o débil come legumes; V.6 …Quem come para o Senhor come, quem não come, para o Senhor não come. Os versos 7 e 8 também. V.14 …nenhuma coisa é impura. V.21 …é bom não comer carne… Existe alguma explicação para estas afirmações?

Para algumas pessoas, o texto de Romanos 14 à primeira vista parece sugerir a abolição das leis dietéticas de Leviticos 11. Busquemos compreender a mensagem bíblica a respeito deste assunto.

O primeiro passo para compreensão deste texto, é analisar o fato de que em Deus não há nem sequer sombra de variação (Mal.3:6,Tia. 1:17, Heb.13:8), ele não pode mentir (Tito 1:2), Ele disse taxativamente: “Não alterarei o que saiu dos meus lábios” (Sal.89:34)

O segundo passo, é analisar o fato que a carta escrita aos Romanos foi escrita num período de menos de um ano da carta escrita aos Coríntios, ou seja, comparando-se os textos, chega-se a inevitável conclusão que Romanos 14 trata do mesmo assunto de I Corintios 8, ou seja, “carnes sacrificadas aos ídolos…”(I Cor.8:1).

Observe atentamente o que diz Romanos 14:2: “Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes.”, em I Corintios 8:7 definitivamente esclarece: “Entretanto, nem em todos há esse conhecimento; pois alguns há que, acostumados até agora com o ídolo, comem como de coisas sacrificadas a um ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, contamina-se.”

O fraco (Rom.14:2), ou de consciência fraca (ICor.8:7) mencionado por Paulo consiste na falta de conhecimento visto que alguns cristãos abstiam-se inteiramente de alimentos cárneos, o que significa que o seu alimento era restrito a “ervas”, isto é, vegetais “come só legumes”(Rom.14:2). Para o entendimento destas pessoas, os alimentos cárneos oferecidos aos ídolos não deveriam servir de alimento ao crente, no entanto Paulo repreendeu tal entendimento como imaturo: “Quanto, pois, ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só…”(I Cor.8:4). A partir deste verso passamos a compreender melhor o que Paulo disse aos Romanos: “estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo.”(Rom.14:14), ele ainda diz sobre o perigo do mal testemunho em I Cor.8:9-13 e também em Rom.14:13.

Resta salientar que não é por comer ou deixar de comer algo que nos recomendamos à Deus. Seguir as leis dietéticas não pode se transformar num meio de salvação. Em Romanos 14:17 diz: “porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo.”, e o mesmo entendimento se encontra em I Coríntios 8:8 “Não é, porém, a comida que nos há de recomendar a Deus; pois não somos piores se não comermos, nem melhores se comermos.”

Não devemos utilizar textos isolados ignorando a mensagem predominante na palavra de Deus sobre um determinado assunto.

Veja que Paulo tem em alta consideração o corpo. “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós…glorificai pois a Deus no vosso corpo.” (ICor.6:19-20). Ou seja, as leis dietéticas mencionadas na Bíblia, visam trazer saúde ao corpo, e isto é agradável à Deus.

Diversos textos Paulinos exaltam a importância do cuidado com a saúde física; I Cor.10:31, 3:17 e Rom.12:1, O Profeta Isaías escreveu: “Os que comem da carne de porco, e da abominação, e do rato, esses todos serão consumidos, diz o Senhor.” (Isa.66:17, ver também Isa.65:2-5, III João 1:2, Juízes 13:4)

Conclusão: Paulo em Romanos 14 está falando a respeito de comer ou não carnes sacrificadas a ídolos. Ele não está diminuindo a importância do cuidado com a saúde, nem abolindo as leis de saúde, dadas amoravelmente por Deus ao seu povo no Antigo Testamento.

O QUE COMER?



Os cristãos podem comer alimento com sangue e carne sufocada?




Muitos crentes sinceros se deparam com dificuldades durante a leitura bíblica. Todavia, como dizia o Dr. Martyn Lloyd Jones, "dúvidas não são incompatíveis com a fé". Deveras vezes, todos nós, nos deparamos com versículos e situações da vida onde não encontramos alguma solução imediata para a dúvida.


Dentre todas as incertezas, está aquela que diz respeito a licitude ou não de se comer alimentos com sangue e carne sufocada. Alguns são os versículos que suscitam tal ponto de interrogação:


- "Toda a pessoa que comer algum sangue, aquela pessoa será extirpada do seu povo" (Lv 7.27);
- "Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhum dentre vós comerá sangue, nem o estrangeiro, que peregrine entre vós, comerá sangue" (Lv 17.12);
- "Tão-somente o sangue não comereis; sobre a terra o derramareis como água" (Dt 12.16);
- "Somente esforça-te para que não comas o sangue; pois o sangue é vida; pelo que não comerás a vida com a carne" (Dt 12.23).


Antes de entendermos tal questão, é preciso fazer uma ressalva que, confesso, me deixa intrigado. Permita-me, o leitor, um brevíssimo desabafo.


Comumente os evangélicos cometem o grave pecado de afirmar que a Lei de Deus, isto é, as leis civis do povo de Israel do Antigo Testamento, não são mais válidas para nós - quando, no entanto, Cristo foi cristalino em dizer: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir" (Mt 5.17). Ele mesmo disse que era a Lei e os verdadeiros profetas eram Sua boca: "E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos" (Lc 24.44). Porém, embora tais pessoas digam que a Lei não está mais em vigor (somente porque não conseguem vê-la sendo aplicada), frequentemente fazem proibições aos membros e à igreja usando a própria Lei! Ora, isto é um disparate profundo! Ou a Lei é válida, dentro do correto entendimento, ou não é!


Bem, exposto o que me deixa intrigado (mas sei que não somente a mim), destrinchemos a questão.


O Antigo Testamento trabalha com formas visíveis que expressam realidades invisíveis. Por exemplo, o tabernáculo e o templo eram Cristo prefigurado, a saber, apontavam para o Cristo que viria (Mt 26.61); as leis de separação de animais, sementes e tipos de tecidos (Lv 19.19), ensinavam ao povo que eles deveriam ser separados ao Senhor (Lv 26.12); o ano do jubileu, tempo em que se restituía a terra àqueles que a haviam vendido para pagar dívidas (Lv 25.13), era uma demonstração do perdão dado por Cristo e do amor que une os irmãos (Jo 13.35). Assim, seguindo esta mesma sequência, temos as referências ao não comer sangue.


O primeiro fato que devemos notar é o sangue não ser o mal em si mesmo. O sangue não poderia ser a malignidade por si só, pois se assim fosse, os sacerdotes não seriam instados a aspergir sangue no templo (Lv 7.14) de Deus. Se a substância "sangue" fosse pecaminosa, de modo algum o Senhor a requereria de Seu povo.


O segundo fato é o sangue ser uma figura que indica vida: "Somente esforça-te para que não comas o sangue; pois o sangue é vida; pelo que não comerás a vida com a carne" (Dt 12.23 - grifo meu). Notemos que é uma "figura", algo que remete à vida. Bem sabemos que a vida não está somente no sangue. Uma gota de sangue na estrada não indica que há um ser humano, literal e completo, na partícula. Nosso corpo é formado de muitas "juntas e medulas" (Hb 4.12), "De pele e carne" (Jó 10.11a), "de ossos e nervos" (Jó 10.11b)...


O terceiro fato diz respeito à necessidade, assim como nas leis de separação de sementes e demais coisas, do povo ser instruído a valorizar o sacrifício. Lembremos que o povo de Israel convivia constantemente oferecendo holocaustos (ofertas totalmente queimadas), os sacerdotes degolavam animais (Lv 4.15) e criaturas eram frequentemente oferecidas em sacrifícios ao Senhor.


Assim, Deus havia proibido o comer/beber do sangue, não por uma propriedade intrinsecamente má no sangue, mas, sim, por causa da necessidade do povo aprender a não confundir e se perder na leviandade.


Este fato pode ser provado com os elementos da ceia sob a luz do Novo Testamento (leia 1 Coríntios 11). Nenhum cristão, durante a ceia, crê que os elementos sejam literalmente o sangue de Cristo [1], mas nem por isso é displicente com eles - não se põe a ficar "fazendo bolinha" com o pão ou erguendo o cálice para admirar a textura do vinho contra a luz. Por que assim não se procede? Porque o momento é diferente; mesmo que os elementos sejam os mesmos usados nas casas, para os jantares e confraternizações, naquele momento eles representam algo mais importante. Cuida-se para não banalizar o significado, não o elemento.


Desta forma, quando lemos na Escritura que não dever-se-ia comer sangue, o propósito era ensinar os judeus sobre a necessidade de serem santos (que significa ser separado) ao Senhor, não ingerindo o líquido que o Senhor requeria para apontar o perdão dos pecados em Cristo Jesus (Hb 10).


Portanto, hoje, nós cristãos do Novo Testamento, podemos livremente comer qualquer coisa com sangue (uma carne "mal passada" ou galinha ao molho pardo, por exemplo), pois não mais vivemos nas sombras do que os elementos tipificavam, e sim na luz, às asas do Altíssimo. O sangue, sim, para sempre continuará a significar "vida" (tanto que somos instados a somente o utilizar na ceia, a fim de seguirmos o padrão bíblico), mas não mais como motivo de separação. Pelo sangue de Cristo estamos unidos a Ele, de modo que o sangue, o líquido, não deve ser proibido aos cristãos.

O que dizer, por fim, do versículo, "Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes" (At 15.29; 21.15)? Para entendermos, é preciso analisar o porquê da recomendação apostólica.

No início do capítulo 15 é relatado que, "alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (At 15.1). Aqueles cristãos advindos do judaísmo não se conformavam com o fato de não haver mais necessidade de circuncisão física, pois agora ela se dava no coração (Rm 2.29). Havendo, então, esta dificuldade para conciliar a vida de judeus convertidos com gentios convertidos, "Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto" (At 15.16).

Tal assunto não foi facilmente resolvido, de modo que lemos haver ocorrido "grande contenda" (At 15.7) até mesmo entre os apóstolos e anciãos (demais presbíteros reunidos). Pedro se levanta em meio à assembleia e relembra aos irmãos, "que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem... dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?" (At 15.7-10). A razão para isso era a referência à Lei, que nos dizeres do escritor de Hebreus: "(Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou)" (Hb 7.19). Os judaizantes estavam tentando persuadir aos convertidos de que a observância da Lei, por si mesma, seria a causa da salvação - e nisto estavam errados.

Com isso em mente e a discussão em pauta, "tomou Tiago a palavra, dizendo: Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome...Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue" (At 15.13-14, 19-20).

Qual é, pois, a solução para nosso problema? Muito simples. Uma vez que a Igreja de Deus florescia com judeus e gentios vivendo conjuntamente, era necessário estabelecer um padrão, de modo que os judeus não se escandalizassem pela não prática de certos ritos da Lei que haviam cessado em Cristo e, também, de maneira a não levar os gentios (todos os outros povos que não eram judeus) a viverem licenciosamente, como se nada devessem observar.

Este mesmo princípio, a saber, o de não ser escândalo para o próximo, foi aventado pelo apóstolo: "Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize" (1Co 8.13). Ora, uma vez que a Bíblia não pode se contradizer e notro lugar lemos, "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo" (Cl 2.16-17), o entendimento só pode ser um: que o motivo pelo qual os crentes do início do Novo Testamento deveriam se abster de sangue e carne sufocada, não era pela natureza em si dos elementos ou pela forma como ela era obtida, e sim para evitar o escândalo e promover a unidade. Tal qual Paulo estava disposto a nunca mais comer carne (sacrificada a ídolos [veja os versículos anteriores de 1Co 8.13)], caso isto trouxesse consequências na vida dos irmãos mais fracos na fé, bem faremos se de igual modo procedermos.


Que este breve estudo, pela graça e misericórdia de Cristo, o salvador de todos os Filhos de Deus, no qual as cerimônias sangrentas (assim chamadas devido ao sangue) e todas as outras que envolviam prefigurações, foram encerradas e definitivamente substituídas pelo novo Adão, possa, longe de nos levar à devassidão, acima de tudo, nos instar a amar a Deus e ao próximo nos laços fraternais de Jesus.


Louvemos ao Senhor pelo precioso Sangue de Cristo e não temamos o comer e o beber.

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).



O QUE COMER?

#VocêPergunta: A Bíblia diz em Levítico 11. 7 que a carne de porco era considerada impura. Por isso, aquele povo não podia comê-la. Minha pergunta é: Comer carne de porco hoje em dia é pecado ao cristão? Por quê?

Caro leitor, o texto que você citou diz: “Também o porco, porque tem unhas fendidas e o casco dividido, mas não rumina; este vos será imundo;” (Lv 11. 7)

As restrições alimentares foram dadas por Deus aos israelitas (judeus). Nessa restrição Deus separou os animais em puros e impuros para a alimentação do povo. As restrições no Antigo Testamento parecem indicar que Deus, entre outras coisas, queria fazer distinção entre Israel e os gentios (os outros povos). Os animais puros representavam o povo de Israel, enquanto os impuros representavam os gentios. Essa distinção era vista em diversas leis para diversas áreas da vida, inclusive a alimentação.

Vemos Deus proibindo também várias praticas ao seu povo, que eram praticas comuns a povos pagãos, inclusive alguns hábitos alimentares.

Muito tempo mais tarde, quando a nova aliança mediada por Jesus Cristo passou a incluir os gentios (não-judeus), esses conceitos alimentares foram suspensos, pois, sendo os gentios participantes dessa aliança, já não há a necessidade dessa distinção. É o que chamamos da aplicação da Graça de Deus, que é superior à Lei, mas que a cumpre em todos os seus princípios morais.


Jesus demonstrou a suspensão das restrições alimentares nessa ocasião: “…porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos.” (Mc 7. 19).

O principio da lei é mantido quando a Bíblia no Novo Testamento sempre indica a importância da santidade e da pureza (em todas as áreas da vida), que são as marcas de um santo (de um separado, consagrado a Deus). Restrições alimentares, portanto, já não são necessárias.


Por isso, não há problema algum em o cristão comer carne de porco.

Para um aprofundamento maior sobre o assunto, leia Atos 10. 9-16

O QUE COMER?

Canibalismo, o extremo da fome ou da miséria espiritual



O canibalismo é uma prática comum para índios selvagens, mas para os demais seres humanos, representa uma aberração da natureza humana praticada apenas em casos extremos de fome, miséria espiritual ou de ambos, como foi o caso das mães canibais de Samaria (II Re 6:24-33).


No caso de grave fome, pessoas podem chegar ao extremo de se alimentarem de carne humana. Em uma história real, dezesseis sobreviventes de uma queda de um avião nos Alpes da América do Sul, depois de comerem os alimentos que restaram no avião e não haver mais o que comer, não tiveram outra opção de sobrevivência senão comerem os cadáveres das pessoas que morreram no acidente.

A Bíblia anuncia previsões de canibalismo para períodos de grave fome vindos em conseqüência do pecado e da ausência de Deus (Lv. 26:29, Jr 19:9; Lm 2:20; Ez.5:10). Infelizmente, há pessoas que interpretam essas previsões erradamente e afirmam que o Antigo Testamento (AT) incentiva o canibalismo. Isso não é verdade, pois, dentro do contexto, esses textos são previsões e não poderiam ser incentivos do canibalismo pois, no próprio AT, Deus proíbe comer sangue e tocar corpos mortos. Além disso, A Bíblia orienta desde o Gênesis uma alimentação saudável para o homem.

Já o canibalismo como miséria espiritual está relacionado a rituais satânicos ou a estado de grave loucura. Em rituais satânicos, acredita-se que comendo a carne de uma pessoa, absorve-se a energia, e o poder dessa pessoa. No caso de loucura, um exemplo foi o alemão Fritz Harmann, conhecido como o Vampiro de Hannover, que foi condenado em 1924 pelo assassinato de 27 garotos. Ele fazia salsicha da carne dos meninos, não somente para consumo próprio, como também para venda em seu açougue.

O canibalismo, portanto, sempre virá de uma necessidade, da loucura humana ou do primitivo desejo de poder, mas não de Deus.

O QUE COMER?

As mães canibais


Em tempo de extrema fome na terra de Samaria, duas mães combinam de cozinhar e comer os próprios filhos.


II Reis 6:24-33







No tempo em que Jorão reinava em Israel, Ben-Hadade, rei da Síria, cercou todas as terras de Samaria com suas tropas. Por ter suas fronteiras fechadas pela Síria, começou a faltar recursos dentro da cidade de Samaria. Como o comércio havia enfraquecido e a cidade estava desabastecida de recursos, até o que não tinha qualquer valor começou a ser vendido por alto preço. Em pouco tempo, faltava tudo na cidade e Samaria foi abalada por uma gravíssima fome. A situação ficou desesperadora tanto para ricos quanto para pobres. Em Samaria vendia-se até cabeça de jumento por oitenta peças de prata. Já a fome supervalorizou até as fezes de pombos, que eram vendidas por cinco peças de prata cada duzentas gramas.




Mas além da falência da terra, faliu-se também a humanidade das pessoas, que chegaram ao ponto de cometer atrocidades para matar a fome. As pessoas de Samaria, que viviam acostumadas à fartura, agora disputavam fezes de pombos para se alimentarem e algumas chegaram ao extremo de apelarem para o canibalismo para sobreviverem.




Certa vez, estando o rei de Samaria passando pelo muro da cidade, uma mulher tomada por uma aparência de desespero começou a gritar diante do rei dizendo: Acode-me, ó rei, meu Senhor!




O rei olhou para a mulher e friamente disse: Se o Senhor não te acode, de onde te acudirei eu? Terei eu trigo ou vinho para ajudá-la?




Mas vendo o estado de desespero da mulher, o rei disse-lhe ainda: que tens? Ao ouvir o que a mulher disse, o rei entrou em estado de grande abalo emocional.




A mulher apresentou ao rei uma outra mulher, que não tinha o mesmo parecer de desespero, mas, ainda assim, tinha uma aparência castigada pela miséria que assolava Samaria. Era como se o silêncio dessa segunda mulher disesse que pior do que estava não ficaria mais.




A primeira mulher então desabafou aos prantos o que havia acontecido. Ela disse ao rei que a outra mulher disse a ela: já que não temos mais nada para comer, vamos cozinhar o seu filho hoje e comê-lo, e amanhã cozinhamos o meu filho para fazermos a última refeição de nossas vidas. O rei, já em estado de choque, continuou ouvindo a história da mulher. Ela finalizou dizendo que elas jantaram o filho dela, mas que a outra mulher, no dia seguinte, recusou-se a cozinhar o próprio filho e o escondeu, não cumprindo o trato.




Sem poder suportar mais ouvir a miséria das palavras daquela mulher, o rei, em alto estresse emocional, rasgou as próprias vestes.




O rei começou a caminhar pelo muro da cidade em total desconsolo e o povo viu que ele, por dentro, vestia panos de saco, o que em Israel significava um manifesto de grande sofrimento interior.




O rei perguntou ao profeta Eliseu se foi Deus quem fez cair toda aquela desgraça sobre Samaria. O profeta Eliseu deu a seguinte mensagem da parte Deus ao rei: “Amanhã a esta hora, você poderá comprar em Samaria três quilos e meio do melhor trigo ou sete quilos de cevada por uma peça de prata.” Essa mensagem anunciava que a prosperidade estava chegando à Samaria e que os dias de fome chegavam ao fim.




No dia seguinte, os sírios já haviam fugido de Samaria e deixado no arraial muita abundância de alimentos. Conforme a palavra do Senhor, Samaria foi abençoada com muita fartura. Fiel é Deus!




Textos sugeridos




IIRe 7:1-2 - Eliseu anuncia, da parte de Deus, prosperidade e fartura para Samaria.

IIRe 7:16-18 - O povo recebe de Deus grande fartura.

IIRe 7:19-20 - A pessoa que não creu no anúncio de prosperidade do profeta Eliseu morre atropelada pelo povo que corria em direção à aos alimentos abandonados no arraial dos sírios.

Sl 37:25 - O justo e a sua descendência não mendigarão o pão................................................................................................................. .................................................................................................................
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domingo, 20 de setembro de 2015

A HIERARQUIA NA IGREJA

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LIDERANÇA E FUNÇÕES

PASTOR:
Homem ungido por Deus para apascentar o rebanho (Igreja).


EVANGELISTA:

Homem, conforme o próprio nome indica, responsável pela evangelização do campo ou área afeta à Igreja local. Tem atribuição básica de divulgar a mensagem. Sua função é parte do Ministério da Igreja. Tem voto como Pastor nas Assembléias de Convenção.


PRESBÍTERO:

É o auxiliar direto do Pastor, em alguns casos. Na falta do Pastor, o Presbítero pode assumir a direção da Igreja local (congregação). Mediante autorização do Pastor-Presidente, pode exercer funções Pastorais como pregar e realizar batismos e ceias. Em geral, realizam estes trabalhos em Congregações sempre com a Mediante autorização do Pastor-Presidente.


MISSIONÁRIO:
Enviado/Comissionado por uma Igreja local para evangelizar em outro local (Interior do Estado, do País ou no Exterior).


DIRIGENTE:
Pastor, Evangelista ou Presbítero com a responsabilidade de dirigir uma Igreja ou Congregação subordinada à Liderança da Igreja sede.


DIÁCONO:
Tem funções operacionais, cuidando da parte material da Igreja e de serviços como o preparo e a distribuição da Ceia do Senhor, organização, segurança e portaria, arrumação, ordem nos cultos, obras, recolhimento das ofertas e dízimos, recepção aos visitantes, ...


COOPERADOR:
(Auxiliares de Trabalho) Pode ter cargos ou administrar informalmente alguma área, como louvor, visitação, secretaria, guarda das ofertas, porteiro, etc. Também auxiliam nos diversos trabalhos da Igreja como: portaria, secretaria, tesouraria, manutenção, etc.


OBREIRO:
(Veja: PRESBÍTERO, DIÁCONO, COOPERADOR).


SUPERINTENDENTE:
Responsável pela Escola Dominical.


PROFESSOR:
Professor de Classes de Escola Dominical (Adultos, Jovens, Adolescentes, Crianças, Discipulado, Obreiros).


COORDENADOR:
(Veja: LÍDER).


LÍDER:
(COORDENADOR) Dirigentes de Departamentos (Círculo de Oração, Mocidade, Adolescentes, Infantil, Evangelismo, Coral, Banda, Louvor, ...).


MEMBRO:
(CRENTES ou IRMÃOS) Compõem o corpo da Igreja. As pessoas tornam-se membros da Igreja Espiritual pela experiência da salvação (arrependimento e aceitação de Jesus Cristo). Entretanto, tornam-se membros da Igreja local, através do batismo em água e, se vierem de outra Igreja, por Carta de Transferência ou por Aclamação.


CATECÚMENO/Congregado:
Membro novo em vias de preparação para o Batismo nas Águas.

Aumenta a cada dia o número de crentes que não se sujeitam aos líderes e pensam que estão certos. Não respeitam pastores, verberam contra a liderança e afirmam que só devem obediência a Deus. “Igreja não é quartel general”, argumentam. E, generalizando, chamam qualquer liderança firme, segura, de coronelista.



Entretanto, vemos na Bíblia que o próprio Deus prioriza e hierarquiza. Ele — que podia ter formado todas as coisas com uma única palavra — fez questão de formar tudo a seu tempo, dia a dia (Gn 1). O Senhor também pôs em ordem as tribos de Israel (Nm 2), pois o nosso Deus é um Deus de ordem (1 Co 14.40).


De acordo com 1 Coríntios 12.28, há uma hierarquização dos dons e ministérios — estabelecida por Deus, é evidente. Ela existe, não para que um portador de certo dom e ministério se considere superior aos outros, e sim para que haja ordem na casa do Senhor.


Deus pôs na igreja “primeiramente apóstolos” (1 Co 12.28; Ef 4.11). Existem apóstolos hoje? Sim! Mas é claro que há também pseudo-apóstolos, que propagam muitas “apostolices”. Quem são os apóstolos do Senhor, então? São homens de Deus, enviados por Ele, com grande autoridade, e não autoritarismo. Eles formam a liderança maior da igreja, independentemente dos títulos empregados pelas denominações (pastores-presidentes, bispos, reverendos, pastores, presbíteros, etc.).


É importante não confundir títulos com ministérios e dons. Estes vêm do Espírito Santo, enquanto os títulos são recebidos dos homens. Na Assembleia de Deus, por exemplo, não existe o título de apóstolo. Mas isso não significa que não exista o ministério apostólico. Este, segundo a Bíblia, perdurará “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).


O texto de 1 Coríntios 12.28 afirma, ainda, que Deus pôs na igreja “em segundo lugar, profetas”, mencionados — na mesma posição, depois dos apóstolos — em Efésios 4.11. Não confunda esses profetas com os crentes que falam em profecia nos cultos, também chamados de profetas em 1 Coríntios 14.29. O ministério profético neotestamentário é formado por pregadores (pregadores, mesmo!) da Palavra de Deus, portadores de mensagens proféticas.


Em seguida, a Palavra do Senhor, em 1 Coríntios 12.28, assevera: “em terceiro, doutores”. Veja como essa hierarquização ocorria na igreja de Antioquia da Síria: “havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo” (At 13.1). Nesse caso, os doutores, que atuam juntamente com os profetas, são ensinadores da Palavra de Deus.


Há casos, como o de Paulo, em que três ou dois dos ministérios mencionados (apóstolo, profeta e doutor) se intercambiam (1 Tm 2.7). Os ministérios de pastor e evangelista certamente fazem parte dos três escalões mencionados em 1 Coríntios 12.28, posto que são títulos relacionados com a liderança maior da igreja.


Finalmente, em 1 Coríntios 12.28, está escrito: “depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”. Milagres só vêm depois de apóstolos, profetas e doutores? Isso mesmo. Na hierarquização feita por Deus, o ministério da Palavra é mais prioritário que os milagres, haja vista serem estes o efeito da pregação do Evangelho (Mc 16.17). Observe que João Batista foi considerado por Jesus o maior profeta dentre os nascidos de mulher, mesmo sem ter realizado sinal algum (Jo 10.41).


Se não houver hierarquia nas igrejas, para que servirão os cargos e funções? Qualquer pessoa, dizendo-se usada por Deus, poderá mandar no pastor. Aliás, isso estava acontecendo na igreja de Tiatira, e o próprio Senhor Jesus repreendeu o obreiro frouxo que não estava exercendo a liderança que recebera do Senhor (Ap 2.20).


Deus é Deus de ordem! O princípio divino da hierarquização aparece em várias outras passagens neotestamentárias. Em 1 Coríntios 14.26, vemos que, no culto coletivo a Deus, deve haver ordem. Quanto à ressurreição, está escrito: “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.23). E, no Arrebatamento, tal princípio também será aplicado: “os que morreram em Cristo ressuscitarãoprimeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1 Ts 4.17).


Em 1 Tessalonicenses 5.23, vemos que Deus prioriza o espírito, na santificação. Muitos pregadores têm dito: “Deus nos quer por inteiro: corpo, alma e espírito”. Mas a Bíblia afirma: “e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Essa ordem mostra que a obra santificadora do Espírito Santo ocorre de dentro para fora, e não de fora para dentro.


O apóstolo Paulo também parabenizou os crentes da cidade de Colossos porque naquela igreja havia ordem (Cl 2.5). E ordem também significa respeitar a hierarquia! Afinal, os ministérios não são invenção humana. Eles foram dados por Deus para edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.11-15).




É normal para o homem estabelecer níveis e hierarquias para manter uma melhor administração e organização, e não é diferente quando não temos o entendimento bíblico sobre os dons ministeriais querermos instituir isto também dentro do Reino de Deus.

Existem pessoas e igrejas que entendem os dons ministeriais como uma pirâmide hierárquica instituída por Deus para a igreja, como se ao perceber um membro dentro da igreja que tivesse um chamado para atuar dentro desses cinco dons ministeriais citados em Efésios 4, esta pessoa teria que começar primeiro como evangelista, para somente depois de algum tempo e sendo aprovado em sua função instituída pela igreja, ela pudesse um dia vir a ser pastor, e após isso só um milagre e muito suor para o levar a ser um dia um apóstolo. E aqueles que entendem dessa forma, para não pararem de crescer e deixarem de receber suas promoções acabam criando outros títulos que nem vemos na bíblia. Quem sabe, estão tentando chegar um dia a serem chamados de semideuses.

Efésios 4
11 E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,

Percebemos no texto que Jesus designou dons para alguns e outros dons para outros. Está falando de cargos e pessoas diferentes. Não se trata de algo piramidal. Não quer dizer em nenhum momento que um dom é mais importante do que outro.

No texto de I Coríntios 12:28, que também estamos acompanhando nessa sequência de estudos, está enquadrado em um contexto onde Paulo está falando sobre a diversidade na unidade do corpo de Cristo, onde ele deixa claro que não existe qualquer parte do membro de um corpo que possa ser considerado menos importante que outro, mas que todos contribuem com seu propósito específico. (dica: leia o capítulo inteiro)

Diferente do que alguns pensam, os dons não são citados por ordem de importância ou hierárquica, pois se assim fosse, o próprio apóstolo Paulo que escreveu tanto o texto de Efésios 4 e também o de I Coríntios 12 estaria se contradizendo ao colocar, por exemplo, o dom de mestre em escalas diferentes nos dois textos.

Existem ministros da palavra que parecem se orgulhar mais do título que possuem, do que do privilégio que há em estar servindo ao corpo de Cristo naquela função. Há alguns que ao colocar o nome em um cartaz para a divulgação do evento o título aparece de todo tamanho na frente do nome. Há também aqueles que já até colocaram o título a frente do nome e não permitem serem chamados sem que se o mencione. Ex.: Oh, fulano! Ele responde: Fulano não, Pastor Fulano. Imagina, uma pessoa ficar chateada simplesmente porque o chamaram com o seu próprio nome?!

Preste atenção que quando a bíblia fala sobre os dons ministeriais em Efésios 4:11 e I Coríntios 12:28, não está se referindo a um título ou uma patente, ela está falando sobre a função que para alguns poderá ser de apóstolos, outros profetas, outros evangelistas, outros pastores e mestres. Note que os dons não são citados em letras maiúsculas, estão todos em letras minúsculas.



O GOVERNO DA IGREJA 

Cada denominação ou segmento evangélico tem sua forma de governo eclesiástico. De forma geral, encontramos duas distintas formas de governo. Algumas igrejas centralizam tudo numa só pessoa, o pastor-presidente; outras dão autoridade a um grupo eleito pelos membros que os representam e decidem tudo, cabendo ao pastor acatar suas decisões. Um deles julga que o governo não deve estar sobre um só homem, e sim com um grupo que fiscalize e cobre do líder; o outro grupo, por sua vez, nega qualquer prestação de contas e permite ao líder fazer o que quiser e como quiser.

Por um lado entendemos que ninguém deve governar sozinho, sem a necessidade de prestação de contas, e por outro lado entendemos que nenhum grupo, por melhores que sejam as suas intenções, deve tentar assumir a posição de autoridade que Deus concedeu ao governo espiritual da igreja (muitos grupos afirmam que os pastores deveriam governar só a vida espiritual da igreja e não a parte natural e administrativa). Porém, a Bíblia é clara quanto a QUEM governa e COMO governa:

“Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1 Timóteo 5.17 – ARC)

Em primeiro lugar, o texto fala quem governa: o presbítero. Em segundo lugar, o texto fala como se governa: em equipe (note o termo plural: “os presbíteros”). Ao usar o termo presbítero – palavra grega que significa “ancião” – a Bíblia fala da maturidade necessária para se liderar. O apóstolo Paulo escreveu a seu discípulo Timóteo e lhe disse: “Ninguém despreze a tua mocidade” (I Tm.4:12), indicando assim que a maturidade não era vista do ponto de vista cronológico, mas acima de tudo espiritual (e isto Timóteo esbanjava – At.16:2; II Tm.1:5 e 3:14,15).

O PRESBITÉRIO

Entendemos que nenhum homem deve governar uma igreja sozinho, pois o modelo do Novo Testamento nos fala de um corpo, um conselho de anciãos que decidem juntos; as Escrituras chamam este corpo de presbíteros de “presbitério”.

Na Bíblia, a palavra presbítero só aparece no singular quando se trata de uma menção de seu caráter; fora isto, todas as outras referências estão no plural “presbíteros” ou no coletivo “presbitério”. O próprio fato de Jesus ter enviado os discípulos de dois em dois (Lc.10:1) revela que o Senhor não quer nenhum dos seus trabalhando sozinho (Ec.4:9-12) ou isolado (Pv.18:1).

O livro de Provérbios nos declara que “na multidão dos conselheiros há segurança” (Pv.11:14), Por isso é melhor trabalhar em equipe. Além de que, numa equipe há equilíbrio de opiniões, ênfase ministerial, experiência de vida, etc.

Entendemos também que não basta apenas formar uma equipe, é necessário que haja entre seus componentes uma voz “maior”. Isto concorda também com o que encontramos nas cartas às sete igrejas da Ásia, no Apocalipse, onde Jesus se dirigia ao “anjo” (mensageiro) da igreja (Ap.2:1), o que nos mostra que, mesmo em igrejas que tinham um presbitério (como é o caso de uma destas – Éfeso, At.20:17) havia uma pessoa responsável perante o Senhor por ser o mensageiro principal da igreja.

O PRESBÍTERO SÊNIOR

Por isto afirmamos: ainda que o governo neo-testamentário seja plural, deve haver alguém responsável por ser a voz maior na igreja. A este membro do presbitério que se destaca em momentos de decisões mais delicadas e que tem a responsabilidade de ser o anjo da igreja, chamamos de “presbítero sênior”.

Muitos me perguntam: “Como distinguir quem, dentro de uma equipe, deve ser o pastor sênior?”
Sempre digo que este assunto é mais simples em igrejas que já começaram trabalhando com um presbitério. Normalmente a pessoa que estabeleceu a igreja forma uma equipe à volta de si ou prepara alguém que assuma este lugar se ela mesma for prosseguir para outros lugares plantando mais igrejas. Mas consideremos o modelo bíblico…

O primeiro presbítero-sênior que vemos no Novo Testamento é o apóstolo Pedro. Quando ele se levanta para pregar no dia de Pentecostes, os demais apóstolos se levantam com ele (At.2:14). Com esta atitude silenciosa, eles refletiam seu apoio ao que Pedro pregava e demonstravam também que ele falava em nome de todo o grupo, o que aconteceu outras vezes (At.4:8). Pedro já era um líder que se destacava entre os doze, e o Senhor parece ter dado evidências de que ele teria destaque na liderança (Mt.16:19; Lc.22:32).

Basicamente, percebemos que o líder principal tem uma direção de Deus e alcança o respeito dos demais de sua equipe. Porém quando uma equipe já existe e nunca definiu seu líder, quando decide fazê-lo é bom contar com a ajuda de outros líderes de fora que sejam bem respeitados por toda a equipe e os orientem nesta hora.

Para se estabelecer um presbítero, é importante que primeiro ele traga o respeito do povo por sua vida e ministério. Paulo falou a Timóteo a respeito de não impor as mãos precipitadamente (antes da prova) para estabelecer alguém e também falou acerca dos bispos e diáconos serem primeiro provados. Se você somar a tudo isto o que fato de os presbíteros eram eleitos… O texto bíblico declara: “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (At.14:23). A palavra grega traduzida para “eleitos” é “cheirotoneo” e, de acordo com a Concordância de Strong, significa: “1) votar pelo ato de estender a mão; 2) criar ou nomear pelo voto: alguém para exercer algum ofício ou dever; 3) eleger, criar, nomear”. Isto não fala do povo escolhendo por si estes presbíteros, e sim que o presbitério indicava as características que os aspirantes deveriam apresentar e então o povo apresentava os que tinham as características. Portanto, o reconhecimento do povo é importante.

PRESBÍTERO, BISPO OU PASTOR?

É importante não só entender que o governo está ligado aos presbíteros, mas quem são eles. Há muita confusão nas igrejas em geral por causa de termos distintos que o Novo Testamento emprega, como “presbítero”, “pastor” e “bispo”. Em muitas igrejas, estes três termos indicam uma hierarquia ministerial, onde geralmente o presbítero é inferior ao pastor, que por sua vez é inferior ao bispo. Mas o quê, de fato, ensina a Bíblia?

As Sagradas Escrituras jamais apre
sentaram estes termos como se referindo a pessoas e cargos diferentes; note o que diz a Bíblia:

“De Mileto mandou [Paulo] a Éfeso chamar os presbíteros da igreja”. (Atos 20:17)

E, quando o apóstolo se encontrou com eles, disse-lhes:

“…Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu BISPOS, para PASTOREARDES a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”. (Atos 20:28)

Observe que os três títulos são usados para as mesmas pessoas! Paulo chamou os presbíteros de bispos e disse que eles foram constituídos para pastorear a Igreja. O apóstolo Pedro também se referiu aos presbíteros como sendo pastores:

“Rogo, pois, aos PRESBÍTEROS que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: PASTOREAI o rebanho de Deus que há entre vós”… (1 Pedro 5:1,2)

Se os três termos se referem a uma só pessoa, então qual é a necessidade de nomenclatura diferente?
Entendemos esta diferença de nomenclatura como se referindo a aspectos diferentes de um mesmo ministério.

O termo “presbítero” fala da capacitação e sempre indica A PESSOA.
O termo “bispo” fala da hierarquia eclesiástica; indica A POSIÇÃO na Igreja.
O termo “pastor” fala do serviço realizado; indica o ministério.

No quadro abaixo estamos expondo esta definição dada acima (que aprendi com Frank Damazio, em seu livro “Princípios da Vida da Igreja” publicado em português pela Comunidade Cristã de Curitiba):



PRESBÍTERO-BISPO-PASTOR

Os três termos falam de uma só pessoa e não de uma cadeia hierárquica. Quero tomar como exemplo de diferentes nomenclaturas se referindo a uma só pessoa no caso de um médico. A graduação (conclusão e aprovação) no curso de medicina mostra a capacitação do indivíduo para ser médico; mas “médico” é o termo que indica o seu trabalho, enquanto que um termo como “chefe da pediatria” indica um cargo que ele possui dentro de um hospital. Neste caso você não separa os termos “graduado”, “médico” e “chefe da pediatria” dizendo que se referem a três pessoas, pois são três aspectos diferentes em uma só pessoa. O mesmo se dá com os termos pastor, bispo e presbítero.

Porque é tão importante entender isto?
Para vivermos a forma correta de governo bíblico.

Nossa é igreja é governada pelos presbíteros, que também são bispos, e que possui entre eles pastores. Mas vale ressaltar que nesta equipe de pastoreamento não temos só pastores, mas também os demais dons ministeriais de Efésios 4:11.

Todo presbítero é um bispo e todo bispo também é presbítero, estas duas características são inseparáveis; e onde estiverem estas duas, estará a terceira: o pastor (ou outro dom ministerial; Pedro, por exemplo, era presbítero e seu dom ministerial era de apóstolo – I Pe.5:1 e pastor – Jo.21:15-17).

Porém, nem toda pessoa com o dom ministerial (como um pastor ou evangelista, por exemplo) é um presbítero e bispo, pois pastor ou evangelista (ou qualquer outro dom ministerial) são um ministério exercido dentro da Igreja de Cristo, mas não são cargos e nem tampouco governo. Um bom exemplo disto é o caso de Felipe, a quem a Bíblia chama de evangelista (At.21:8). Contudo, mas mostrando que ele exercia um dos cinco dons ministeriais, a Bíblia mostra que o cargo que ele ocupava na Igreja era o de diácono, não o de um presbítero.

Quando examinamos a história da Igreja, descobrimos que foi só no segundo século que começaram a utilizar o termo bispo para designar um chefe de pastores ou o supervisor de uma região eclesiástica. Alguns crêem que as definições que a Igreja da primeira era apostólica não tinha, vieram depois (como esta definição de bispos como sendo apenas os que cuidavam de uma região eclesiástica). Não concordo com esta idéia. O modelo inicial foi estabelecido por direção de Deus e plena liderança do Espírito Santo; logo, se houve mudanças depois, prefiro descartá-las e permanecer com o modelo original. Um bispo, porque cuida de uma região de Igrejas não precisa ser chamado de outro nome, pode ser chamado de bispo. No entanto, isto não significa que o presbítero da Igreja não seja um bispo! Estes valores não podem ser confundidos…

COM O SE ESTABELECE UM PRESBÍTERO?

Segundo o ensino do Novo Testamento, um presbítero sempre tem que ser estabelecido por outros presbíteros. Paulo falou a Timóteo sobre ele ter recebido imposição de mãos do presbitério (I Tm.4:14). Quando uma igreja se inicia, um presbitério de outra localidade dá posse ao presbitério local:

“E, promovendo-lhes [eles, os de fora]* em cada igreja a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido”. Atos 14:23

Embora os presbíteros de Antioquia tenham estabelecido estes presbitérios nestas cidades visitadas pelos apóstolos Paulo e Barnabé, entendemos que depois de um presbitério já ter sido estabelecido, ele é responsável por estabelecer seus novos membros.

É muito importante que presbíteros da própria localidade sejam levantados (isto indica o crescimento em maturidade da própria igreja), como foi feito por Paulo e Barnabé em cada cidade. Contudo, não podemos deixar de destacar o fato de que, algumas vezes (normalmente ao iniciarem algo) os apóstolos se serviam de ministérios já formados de outras localidades para os auxiliarem, como fez Barnabé com Paulo (At.11:25,26) e Paulo com Timóteo (At.16:1-3).

Cremos nos cinco dons ministeriais como devendo funcionar na igreja em nossos dias, mas ninguém é ordenado ou estabelecido num dom ministerial específico, e sim como presbítero ou diácono. No Novo Testamento não vemos ninguém sendo ordenado como pastor, evangelista ou qualquer outro dom, mas somente como presbíteros:

“Por esta causa te deixei em Creta para que pusesses em ordem as cousas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi”. Tito 1:5

Alguns passos precisam ser observados antes de se estabelecer alguém como presbítero. Cremos em quatro etapas bíblicas distintas a serem seguidas:

1. A Vocação. Tudo começa com um desejo: “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (I Tm.3:1). A palavra traduzida por “aspira” no original grego é “oregomai” e significa: “esticar-se a fim de tocar ou agarrar algo, alcançar ou desejar algo”. Fala de alguém que não só tem um desejo, mas se esforça por alcançar aquilo. Esta é a fase inicial, o primeiro passo, uma vez que Deus opera em nós o querer e o realizar (Fl.2:13). O próprio anseio pelo ministério é um dos primeiros indícios de que há um chamado de Deus.

2. As Qualificações. O aspirante ao ministério precisa ter mais do que apenas o desejo, precisa de qualificações. É por isso que Paulo segue dizendo a Timóteo as características que o mesmo deve apresentar: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo” (I Tm.3:2-7). Vale ressaltar que de todas estas características só uma envolve habilidade ou aptidão para tarefa (apto para ensinar); as demais são traços de caráter que precisam estar presentes na vida de um ministro.

3. A Prova. Um período probatório é importante antes de estabelecer alguém. Paulo aconselhou Timóteo: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos” (I Tm.5:22); E como nos versículos anteriores ele vinha falando acerca dos presbíteros, entendemos que ele está dizendo que não se deve ordenar um presbítero depressa, pelo contrário, deve se ter paciência, dar tempo. E por que não ter pressa? Para que o aspirante seja provado. O apóstolo Paulo mencionou isto quando falou dos diáconos, mas o princípio vale pra todos: “E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis” (I Tm.3:10). O ser provado é demonstrar pelo trabalho e serviço as qualificações a ponto de alcançar bom testemunho diante dos líderes e do povo. Note que tanto na ordenação de presbíteros como de diáconos a Bíblia diz que elegeram tais pessoas (At.6:5 e 14:23); isto não fala de um processo eleitoral democrático, e sim que os presbíteros indicavam as características que os aspirantes deveriam apresentar e o povo indicava aqueles nos quais elas eram vistas. Este reconhecimento que vinha do povo era um sinal de que os aspirantes haviam sido aprovados no seu serviço.

4. O Estabelecimento. Este é o último nível deste processo. Depois de vocacionado, qualificado e provado, o aspirante ao presbitério deve ser estabelecido. Esta etapa do processo acontece com
outros presbíteros já estabelecidos ministrando sobre quem será estabelecido (Tt.1:5). Esta ministração envolve: oração e jejum (At.14:23) e imposição de mãos e profecia (I Tm.4:14), e deve acontecer perante o povo da Igreja que passará a se sujeitar à autoridade conferida a estes ministérios.

AS QUALIFICAÇÕES DE UM PRESBÍTERO

As Sagradas Escrituras são claras a respeito das qualificações que os presbíteros devem apresentar em suas vidas. Observe o texto bíblico:

“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo”. I Timóteo 3:2-7

Abaixo detalhamos cada uma destas características em seu significado no original grego e com alguns comentários do que é esperado do bispo/presbítero com mais alguns textos bíblicos que realçam a necessidade destas características:

1. Irrepreensível. Palavra grega “anepileptos” que significa: “não apreendido, que não pode ser repreendido, não censurável, irrepreensível”. Não fala de ser perfeito, mas de alguém que não anda no erro, que não merece ser corrigido (Fl.2:15). Fala do exemplo que o mesmo deve dar, seguindo o padrão ensinado por Cristo aos seus discípulos (Jo.13:15) e também pelos apóstolos (2 Ts.3:9).

2. Esposo de uma só mulher. É óbvio que o texto fala da monogamia. Um presbítero, à semelhança de qualquer outro cristão, não pode ter um caso ou relações extra-conjugais. Mas o enfoque aqui vai para a característica de não ser alguém casado de novo fora dos padrões bíblicos (Mt.19:9; I Co.7:39).

3. Temperante. Do grego “nephaleos”, significa: “sóbrio, controlado, abster-se de vinho, seja totalmente ou pelo menos do seu uso imoderado”. Como a seguir Paulo fala sobre ser sóbrio e depois sobre não ser dado ao vinho, entendemos que a temperança em questão fala mais do comportamento diante das circunstâncias. A NVI traduziu esta palavra como “moderado”, a Versão Corrigida de Almeida preferiu a palavra “vigilante”, enquanto que a Tradução Brasileira optou por “discreto”. A forma de falar pode refletir isto (Cl.4:6).

4. Sóbrio. Do grego “sophron”, significa: “de mente sã, equilibrado, que freia os próprios desejos e impulsos, auto-controlado, moderado”. Fala de auto-controle – não só quanto à bebida, mas também quanto a cada aspecto da vida espiritual, emocional e física (II Tm.4:5). A NVI traduziu este termo como “sensato”.

5. Modesto. Do grego “kosmios”, significa: “bem organizado, conveniente, modesto”. Fala de características como organização (pessoal e do trabalho), comportamento agradável e humildade. A Versão Corrigida de Almeida traduziu esta palavra como “honesto”, enquanto que a Tradução Brasileira optou por “circunspecto”. Já a NVI optou por “respeitável”.

6. Hospitaleiro. Do grego “philoxenos”, significa: “hospitaleiro, generoso para as visitas”. Fala de um coração aberto e amoroso que permite que seu lar seja um lugar de acolhida. Esta característica revela alguém que se importa com os outros e que não é egoísta (Hb.13:2).

7. Apto para ensinar. Do grego “didaktikos”, significa: “apto e hábil no ensino”. Fala do entendimento bíblico necessário para viver e ensinar a palavra de Deus em todos os aspectos, o que inclui a capacidade de correção e refutação do erro (Tt.1:9-11).

8. Não dado ao vinho. A palavra grega é “paroinos” e significa “dado ao vinho, bêbado”. Não proíbe a ingestão do vinho (Ef.6:18; I Tm.5:23), mas revela a necessidade de cuidado e atenção nesta área (Gn.9:21; Pv.20:1).

9. Não violento. Do grego “plektes”, significa: “brigão, pronto para um golpe, contencioso, pessoa briguenta”. A Versão Corrigida de Almeida e a Tradução Brasileira traduziram esta palavra por “não espancador”. Fala de alguém que se domina em suas emoções e não seja um “pavio-curto” (II Tm.2:24).

10. Cordato. Do grego “epieikes”, significa: “aparente, apropriado, conveniente, eqüitativo, íntegro, suave, gentil”. Fala de educação, amabilidade e simpatia. A NVI preferiu traduzir esta palavra como “amável”, enquanto que a Versão Corrigida de Almeida e a Tradução Brasileira traduziram esta palavra por “moderado”.

11. Inimigo de contendas. Do grego “amachos”, significa: “irresistível, invencível, pacífico, que se abstêm de lutar”. A Versão Corrigida de Almeida traduziu como “não contencioso” enquanto que a NVI optou por “pacífico”. Fala de alguém que não tem a briga (ainda que só verbal) ou intriga como opção.

12. Não avarento. Do grego “aphilarguros”, significa: “que não ama o dinheiro, não avarento”. A Tradução Brasileira optou pelo termo “não cobiçoso” enquanto que a NVI optou por “não apegado ao dinheiro”. Fala de contentamento (Fl.4:11; Hb.13:5) e ausência de ganância (I Pe.5:2).

13. Que governe bem a própria casa. “…criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)”. A família do líder deve ser referência e modelo ao rebanho. A principal razão de Deus ter eliminado a casa de Eli do exercício do sacerdócio foi a desestrutura familiar (I Sm.3:12-14).

14. Não seja neófito. “…para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo”. A palavra “neófito” significa “novo na fé” e foi traduzida pela NVI como “recém-convertido”. A maturidade advinda do tempo de caminhada cristã é essencial, uma vez que a palavra “presbítero” significa “ancião” e fala, como já vimos, não de maturidade cronológica, mas espiritual (I Tm.4:12).

15. Ter bom testemunho dos de fora. “…a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo”. Sua vida cristã deve primeiro ganhar o respeito dos que o conhecem no dia à dia, para depois servir de referência à Igreja, caso contrário será envergonhado e preso pelo inimigo.

AS DELIBERAÇÕES DO PRESBITÉRIO

O propósito de uma equipe é a soma (ou sinergia) produzida pelas diferenças de cada um. Isto proporciona equilíbrio de aptidões, supre as limitações pessoais de um com as virtudes de outros, propicia uma sabedoria maior com a opinião de outros presbíteros e ainda permite que a carga de tarefas e atividades seja melhor distribuída.

Entretanto, estas diferenças não significam que sempre haja divergência. Antes de mais nada, um presbitério deve ter fortes laços de unidade que sejam a manifestação de uma forte aliança, primeiro com Deus e depois com o restante da equipe. Quando Pedro se levantou para a sua primeira pregação públic
a em Jerusalém, no dia de Pentecostes, os onze (o restante do presbitério) se colocaram em pé juntamente com eles:

“Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos”… Atos 2:14

Nenhum deles falou, só Pedro (o líder, ou presbítero sênior da equipe então), mas os demais se levantaram junto. Vejo nisto uma forma de expressar publicamente apoio e concordância para com aquilo que estava sendo dito. Esta deve ser a essência da equipe de presbíteros: a unidade. O presbitério existe para promover acordo. Não quer dizer que não haja debate, divergência inicial ou diferença de opinião, mas deve terminar promovendo concordância nas suas decisões.

Todo presbitério deve se reunir para buscar a Deus e deliberar juntos sobre o que deve ser feito e quais as medidas a serem tomadas, sejam decisões ministeriais ou administrativas, preventivas, corretivas ou qualquer outra. Vejamos alguns exemplos das reuniões e deliberações dos presbíteros na Bíblia:

1. A decisão acerca dos diáconos. Em Atos 6:1-7 encontramos um problema a ser resolvido e os apóstolos vindo a público com a solução (obviamente já conversada entre eles). Eles não poderiam mais servir as mesas e decidiram estabelecer os diáconos que o fizessem, enquanto eles voltavam a priorizar o ministério da Palavra e a oração. Alguns acreditam que este processo foi algo democrático, uma vez que as palavras “eleição” e “escolha” estão presentes. Contudo, quando os apóstolos dizem ao povo que deviam escolher os diáconos, a palavra traduzida como “escolhei” é a palavra grega “episkeptomai” e significa: “inspecionar, examinar com os olhos, procurar por”. Os apóstolos, na verdade, vieram com as claras diretrizes de quem podia ser um diácono e, depois de apresentar uma decisão tomada, deixaram que o povo, de acordo com os critérios por eles mesmo impostos, escolhessem os que tinham tais características. O v.5 fala que eles “elegeram” sete pessoas. Esta palavra no original grego é “eklegomai” e significa: “selecionar, escolher (dentre muitos)”. Resumindo, vemos o governo permanecendo sobre os presbíteros; ainda que tenham permitido ao povo participar da decisão, ela veio à público já definida. E isto foi resultado de conversa entre a equipe ministerial.

2. A liberação de Paulo e Barnabé. Um presbitério deve gastar tempo diante de Deus. Os presbíteros devem buscar e ministrar ao Senhor juntos; suas reuniões não podem ser meramente administrativas. Vemos este modelo na Igreja de Antioquia (At.13:1-3). Os irmãos estavam perante o Senhor e receberam direção profética sobre a liberação de Paulo e Barnabé para uma obra apostólica; concordaram a respeito e os comissionaram ao trabalho.

3. O envio de Pedro e João à Samaria. Os apóstolos receberam notícias precisas do trabalho em Samaria (o que indica que havia prestação de contas) e reconhecem que precisam suprir algo que o ministério de Felipe, sozinho, não lhes havia suprido; então enviam Pedro e João (At.8:14-16). O texto não diz que Pedro e João foram sozinhos, mas enviados pelos apóstolos! Isto nos mostra reuniões entre eles que terminavam com diretrizes práticas, fruto do acordo chegado nas decisões tomadas em equipe.

4. Pedro fala do que houve na casa de Cornélio. Depois de Pedro ter pregado aos gentios da casa do centurião Cornélio, os apóstolos receberam notícias do ocorrido (At.11:1) e houve (dentro da equipe) discordância quanto às ações de Pedro. Este, por sua vez, lhes expôs a revelação que recebera de Deus, porque quebrara seus próprios paradigmas e os resultados do que o Senhor fizera por seu intermédio entre os gentios. Então os que eram da circuncisão (uma ala de pensamento mais forte sobre este assunto dentro da equipe apostólica) se apaziguaram e deram glória a Deus. Ou seja, terminaram removendo as divergências e entrando em concordância a respeito do assunto.

5. O Concílio de Jerusalém. Em Atos 15 vemos que todos os apóstolos e presbíteros se reúnem (incluindo presbíteros de outras localidades) para examinarem a questão da circuncisão entre os gentios. A divergência fica claramente percebida no v.7 que menciona ter havido grande debate. Pedro se levanta (v.7-11) e testemunha o que Deus fez por seu intermédio na casa de Cornélio e destaca a salvação pela graça, mediante a fé, o que fez a multidão silenciar (v.12). Então Paulo e Barnabé relatam os sinais e prodígios que o Senhor operara através deles, indicando com isto o aval de Deus sobre a fé dos gentios. Note que não foram todos os que falaram; a oportunidade foi cedida principalmente aos que tinham algo especial a ser comentado. Por fim, depois de Barnabé e Paulo testemunharem, Tiago se levanta e traz um posicionamento bíblico sobre a situação, mencionando o que foi profetizado acerca deles e como a igreja deveria tratar o assunto. E o v.22 diz que “pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros”, o que mostra a importância de se chegar a um ponto de concordância.

Além do tempo para buscar a Deus juntos (At.13:1,2) acredito que a equipe deva investir em relacionamento. Gastar tempo juntos em refeições, conversas, passeios, e até mesmo em entretenimento e diversão. Isto tudo, como em qualquer outro relacionamento, aproxima, fortalece vínculos, ajuda a criar mais cumplicidade e intimidade entre os membros da equipe. Os doze que caminhavam com Jesus viveram juntos, comendo, rindo, buscando a Deus; não pense que só trabalhavam feitos robôs!

READEQUAÇÕES

Por melhor que seja a equipe, não é eterna. Não só porque um dia irão morrer, mas pela dinâmica do Reino de Deus. O Senhor falou com o presbitério da igreja de Antioquia e Paulo e Barnabé foram enviados a cumprir outra missão. Muitas vezes, e por muitos e diferentes motivos, membros do presbitério podem ser trocados ou remanejados. Eis algumas razões:

1. Envio. Foi o que aconteceu com Paulo e Barnabé; reconheceu-se um chamado do Senhor para os dois e eles foram liberados para aquilo que se sentiam chamados (At.13:3,4).

2. Disciplina ou juízo. Foi o que levou Judas a ser substituído (At.1:16-26) e foi a possibilidade da qual Jesus falou ao anjo da igreja de Éfeso (Ap.2:5).

3. Morte. Ítem óbvio; ninguém dura para sempre e uma hora haverão substituições pela partida dos servos de Deus ao Lar Celestial (II Pe.1:14).
4. Remanejamento de posição. Embora inicialmente Pedro tenha se destacado como o líder da Igreja em Jerusalém, este lugar parece ter sido depois assumido por Tiago, irmão do Senhor (Gl.1.19). Paulo, ao mencionar as colunas da igreja de Jerusalém, menciona os nomes nesta ordem: Tiago, Pedro e João (Gl.2:9). No episódio ocorrido em Antioquia e descrito por Paulo aos galátas, vemos o apóstolo Pedro temendo o que os da parte de Tiago pensariam a seu respeito (Gl.2:12), o que indica que Tiago tinha, nesta ocasião, uma voz maior que a de Pedro. Parece que isto ocorreu depois da prisão de Pedro (At.12) e não sabemos a razão; talvez o próprio Pedro tenha sentido a necessidade de se dedicar mais às viagens… o fato é que readequações podem acontecer e devemos agir com sabedoria e sensibilidade à voz de Deus nestas horas.


SUBMISSÃO AS AUTORIDADES

SUBMETER-SE ÀS AUTORIDADES

TEXTO – RM. 13:-1-5
INTRODUÇÃO - Toda autoridade constituída deve ser obedecida. Existem pessoas que se submetem a uma autoridade e são rebeldes em relação a outras. A Bíblia nos ensina a sermos submissos a todo aquele que tem autoridade sobre nós. Deus trabalha dentro da visão de hierarquia(hierarquia=é uma ordenação de autoridade, em diferentes níveis, dentro de uma estrutura).
Procure identificar bem a hierarquia da igreja e se submeta a autoridade constituída.

1. TODA AUTORIDADE É CONSTITUÍDA POR DEUS – RM.13:1
Não existe autoridade que não venha de Deus, porque não há autoridade que não proceda Dele. Estou falando da permissão de Deus na investidura do cargo. Dn.4:17; João 19:11; Tg.1:17; João 3:27. Nenhuma autoridade existe que não tenha sua base na soberania de Deus.
2. QUEM RESISTE À AUTORIDADE RESISTE A ORDENAÇÃO DE DEUS – RM.13:2
Quando um filho é rebelde com os pais, ele está se rebelando diretamente contra Deus que estabeleceu os pais como autoridade sobre os filhos. Da mesma forma, um membro que se levanta contra um líder ou um líder da igreja que se levanta contra uma autoridade superior a ele. Se você aplicar o princípio bíblico de hierarquia você será abençoado.
3. O REBELDE ATRAI PARA SI MESMO MALDIÇÃO OU CONDENAÇÃO – RM.13:2
Rebeldia é uma atitude ilegal. Quem planta rebeldia vai colher o fruto da sua rebeldia. O rebelde sempre acaba mal. Se a rebeldia fosse uma coisa boa, o diabo teria se dado bem. Existem dois caminhos: submissão e a obediência para a bênção ou a rebeldia e desobediência para a maldição.
4. TEMOS QUE ESTAR SUJEITOS POR DEVER DE CONSCIÊNCIA – RM.13:5
Quando entendemos o princípio de autoridade, somos submissos não por causa do temor de sermos punidos, mas por causa da consciência que temos que toda autoridade vem de Deus, e quando estamos sujeitos às autoridades nos submetemos diretamente ao nosso Deus.

CONCLUSÃO - Deus é representado na autoridade, por isso nos submetemos aos nossos líderes(1ªPe.2:13; Ef.6:5). A submissão à autoridade é uma ordem de Deus, independentemente de concordância, de sentimento ou entendimento(v.1). Quando estamos sujeitos ou submissos à autoridade estamos honrando a Deus(1ºSm.2:30 “...aos que me honram, honrarei, porém, aos que me desprezam, serão desmerecidos.” Palavra de Deus ao sacerdote Eli).


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