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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ADORADORES




ADORADORES OU LOUVADORES?

Todas as maneiras de nos relacionarmos com Deus podem ser chamadas de oração. Definimos oração como uma comunicação do homem com Deus. E essa comunicação pode ter objetivos distintos ou focos variados. Isto é, podemos nos comunicar com o Senhor para interceder por alguém, ou simplesmente para ficarmos mais perto Dele. Podemos pedir ou agradecer, louvar ou interceder, sorrir ou chorar com o Senhor.
São muitas as maneiras de irmos a Deus e podemos separá-las em três tipos ou formas:
  1. Quando Deus é o foco
  2. Quando nós somos o foco
  3. Quando o próximo é o foco
Cada um dos focos acima possuem subdivisões, gerando uma melhor definição e entendimento. O primeiro item pode ser dividido em louvor, ações de graças e adoração. O segundo item pode ser dividido em consagração e petição. O terceiro item pode ser definido por intercessão, sendo este um conceito de grande abrangência.
Mas, para que possamos ser diretos, estaremos indo ao primeiro foco, pois é o assunto que queremos abordar nesse estudo. Veremos brevemente alguns conceitos de quando temos Deus como o foco das nossas orações.
Ao colocarmos Deus como o centro de nossas orações, entramos em princípios de louvor, ações de graças e adoração.
Serão sobre esses três princípios que falaremos nesse pequeno estudo.
Em primeiro lugar, vamos às suas definições:
Louvor: Exalta as maravilhas e os feitos de Deus. É um cântico ou são expressões que saem da alma, embasadas em emoções. Exaltações por feitos indiscutíveis e inegáveis em sua grandeza, beleza, eficiência. Atos de enaltecimento a alguém ou alguma coisa; elogios, apologias.
Ações de Graças: Expressão de agradecimento ou apreço a Deus. É conhecida pelo homem universalmente. No Velho Testamento as encontramos nas ofertas especiais de ação de graças e nas várias festividades de Israel. No Novo Testamento somos exortados a sempre darmos graças a Deus pelo que Ele tem feito por nós. Resumidamente, são atitudes de gratidões.
Adoração: A adoração nos traz o sentido de reverência, homenagem em um ato, pensamento ou sentimento. Nos fala de “veneração”, “inclinar-se perante”, “beijar a mão”, “fazer reverência” (Dicionário Bíblico Wycliffe)
Estas são algumas breves definições sobre os princípios que estamos abordando.
É notório que um forte direcionamento da parte de Deus tem ocorrido para que a sua Igreja entenda e viva melhor esses princípios. É comum vermos uma grande ênfase dada ao ensinamento dos princípios de adoração nas igrejas e no meio de tudo isso, muitas coisas estão acontecendo. Coisas boas e corretas, mas também, muitas que não são tão boas e corretas.
Ainda que estejamos tratando de um conceito e princípio divino, sua essência pode ficar comprometida quando o modismo assume o comando do barco. Infelizmente o louvor, a adoração e a ação de graças entraram em modismo religioso e perderam muito da sua essência.
Sabemos que Deus têm procurado adoradores, mas com características especiais: precisam adorá-Lo em espírito e em verdade (Jo 4:23).
Temos notado que muitos podem louvar a Deus e também render a Ele ações de graças, mas quando se trata de adoração, poucos estão prontos. Vamos entender isso melhor.
Quantos enxergam em Jesus o criador de todas as coisas, aquele que morreu na cruz, o reconhecendo como Deus, mas escolhem não se envolver com Ele? Isso é possível! Reconhecer Jesus como Deus, ser grato por tudo o que Ele tem feito, ter um entendimento (ainda que seja plenamente mental) de que Ele sustenta todas as coisas, mas ainda assim não ter com Ele um relacionamento que caracterize adoração. Isso é possível!
Quantos povos vizinhos ao povo de Israel temiam ao seu Deus e declaravam palavras de louvor a Ele, reconhecendo sua grandeza. Mas nunca se envolveram com Ele.
Ainda que os termos louvor e ações de graças devam ser usados e praticados com toda a entrega de coração, muitos remetem louvor e gratidão a Deus sem se envolver com Ele. É tempo de definirmos em que esfera nos encontramos.
Somos somente “louvadores” ou somos de fato adoradores? Todo adorador remete ao Senhor louvor e ações de graças, mas nem todos os que louvam ou são gratos remetem ao Senhor genuína adoração.
Temos na Palavra uma pessoa que demonstra essa atitude com clareza. Em João 3:1 encontramos Nicodemos, um fariseu, uma autoridade entre os judeus. Sabemos que Nicodemos reconhecia a Jesus como Mestre, mas não se comprometia definitivamente com o Senhor. Em João 7:50, o encontramos em um momento em que a prisão de Jesus foi ordenada pelos fariseus, grupo ao qual Nicodemos pertencia, mas não cumprida pelos guardas. Nesse texto, apesar de ele ter se calado enquanto os fariseus tramavam prender Jesus, em um dado momento se manifestou apontando a hipocrisia dos próprios fariseus, com quem ele estava envolvido. O vemos também, em João 19:39 levando mirra e aloés ao túmulo de Jesus. Mas tudo isso na maior discrição!
Encontramos nesses textos e comportamentos de Nicodemos uma simpatia e afeição por Jesus, mas simpatia e afeição não geram comprometimento. As atitudes de Nicodemos demonstravam que ele temia os homens mais do que amava a Jesus e que não abria mão da sua vida para assumir a vida de Deus, o próprio Mestre e Senhor.
A adoração genuína nos leva a um alto nível de comprometimento. Faz-nos caminhar às claras com o que é adorado. Traz-nos satisfação e prazer declarar em alto e bom som que somos do Amado e Ele é nosso! Não procuramos Jesus no período da noite, de maneira secreta e discreta, como fez Nicodemos (Jo 3:2). Somos adoradores a plena luz do dia. Assumimos essa relação a nós mesmos, diante de Deus e diante dos homens. A temos como digna e excepcional! Oramos para que outros assumam esse relacionamento.
Outro exemplo. Digamos que trabalhemos em uma empresa onde temos um excelente patrão. Reconhecemos que somos tratados com lealdade e dignidade, identificamos nele um grande potencial administrativo, reconhecemos que a prosperidade da empresa está grandemente ligada ao seu desempenho intelectual e administrativo. Carregamos a consciência de que somos colaboradores daquela empresa, mas que a chave mestre está nas mãos do patrão. Nós o louvamos por isso, damos a ele, ou seja, ao patrão a honra, o louvor e os méritos por edificar e manter tal empresa.
Reconhecemos também que o salário recebido é digno e enxergamos que através desse salário temos tido condições de adquirir e suprir todas as nossas necessidades. Vemos nossos filhos em boas escolas e logo nos lembramos do bom salário que o patrão nos dá. De quão justo ele tem sido, reconhecendo todo o nosso esforço e nos pagando por isso. Rendemos a ele gratidão!
Mas, ainda se agirmos dessa forma, nosso relacionamento com ele não deixa de ser superficial e formal, por mais que reconheçamos seu comando e controle. Não há entrega ou intimidade. Correríamos o risco de não termos toda essa consideração, caso não fôssemos beneficiados em algo. A consideração está relacionada com a troca. Sempre haverá algo a dar e algo a receber nesse tipo de relacionamento.
A única porção que existe de intimidade nesse tipo de relacionamento é que usamos o que recebemos do relacionamento para o benefício da NOSSA intimidade.
Perceba. Louvamos e somos gratos ao nosso patrão, mas não o levamos para nossa intimidade. Levamos somente o que ele nos proporciona, como os benefícios e a segurança de estarmos em uma empresa sólida. Vivemos da maneira como determinamos e com quem quisermos. Perceberam a diferença?
Todos podem louvar e ser gratos a Deus, até mesmo aquele que ainda não foi feito filho de Deus. Todos podem entender que Ele sustenta tudo, mas nem todos querem levá-Lo para uma vida de intimidade. Nem todos querem gastar tempo se relacionando com Ele, admirando sua presença, rendendo-se aos seus pés, expondo-se por amor a Ele. Trabalhar para Ele e fazer tudo para Ele não é sinônimo de adoração. Pode ser apenas ativismo espiritual e isso qualquer bom administrador, com boa oratória e disposição pode fazer.
A adoração consiste em amarmos e nos entregarmos sem pensar em receber algo em troca. A adoração não tem conexão com favores – ainda que eles existam – mas tem relação com o próprio Deus. Ela não se relaciona com as circunstâncias. O adorador depende da pessoa a quem adora e não do que gira em torno dessa pessoa ou do que ela possa oferecer. A adoração nos aquece, nos move, nos conecta ao sobrenatural de Deus. Adoramos com nossa mente, mas também com nosso espírito. Nossa porção espiritual se conecta ativamente ao Espírito de Deus. Ocorre uma verdadeira combustão espiritual. É tremendo!
Sermos feitos verdadeiros adoradores, é um processo. Muitas vezes um difícil processo. Quando pensamos que nada vai abalar o nosso relacionamento com Deus, algo nos aflige e percebemos que não estamos tão firmados na pessoa de Deus, mas ainda estamos em muito, alicerçados no que Ele pode fazer por nós. Estamos acostumados a amar se Deus… “.
Temos transferido para Deus os nossos padrões de relacionamentos. Geralmente e inconscientemente amamos e adoramos se… Ainda que estejamos cheios de vontade de adorar a Deus em espírito e em verdade.
Muitos têm se intitulado verdadeiros adoradores, mas são somente aqueles que têm procurado ir diante de Deus para contemplar mais da sua face. Estes que tem ido a presença de Deus, talvez ainda não estejam completos, mas estão no caminho certo para tocarem o coração do Pai de maneira mais profunda a cada dia.
O que temos entendido é que aqueles que andam pelo genuíno caminho da adoração, já não se veem unicamente como “gerados para adorar”, mas para serem manifestos como filhos de Deus. O padrão de relacionamento é alterado, perdendo as características padronizadas por homens, perdendo a rigidez. Torna-se livre e desprovida de tudo o que é pré-estabelecido, assim como deveria ser o relacionamento de um pai com um filho. Passa-se então a criar um relacionamento de total dependência. Aquele que adora não se vê sem o que é adorado. O filho não se vê sem o Pai.
Retirar a presença do Pai é como passar por um processo de amputação. Sim é trágico e forte assim! Esse é o sentido! Viver sem Deus, sem a sua Presença, sem o Pai, não tem sentido!
Adorar é ir além dos anjos! Estes foram feitos para adorar a Deus, mas são criaturas de Deus. Nós temos o Espírito de Deus, somos filhos, temos a essência de Deus. Por isso vamos além. Não admiramos somente a Deus pelos grandes feitos.
Não somente O reconhecemos pela sua bondade e misericórdia. Mas temos a Sua própria vida em nós. Temos a Sua porção. Ele nos chama de filhos e nós o chamamos de Papai, Paizinho querido! Nós O adoramos! Amamos a Sua presença.
Lançamo-nos completamente a Ele e ali permanecemos. Queimamos por Ele!
A nossa intenção é que haja uma reflexão de qual relacionamento temos tido com Deus. Qual a profundidade e o que nos leva até Ele.
Sabemos que o desejo do coração de Deus é se relacionar conosco. E o nosso? Relacionamento demanda tempo e atenção.
Será que estamos dispostos a lançar mão de tudo para mergulharmos verdadeiramente em Deus? Somos de fato adoradores ou “louvadores”?
Não nos enganemos pelo fato de sermos gratos a Deus por pertencermos a um Reino de total provisão e segurança. Por Jesus ter se entregado por nós. Isso não nos torna adoradores, pois pode não passar de conceitos estabelecidos em nossa mente. Reconhecermos mentalmente que sem Deus não somos nada, não nos torna adoradores. Isso precisa ser revelado em nosso espírito, pois as coisas espirituais se discernem espiritualmente e não mentalmente. É comum encontrarmos pessoas que declaram amar Jesus, que dizem: ”Jesus para mim é tudo!”, mas O negam com suas próprias ações.
A adoração genuína é caracterizada por uma forte paixão pela presença de Deus. Essa paixão só é satisfeita quando vamos a Ele e bebemos d’Ele, nos alimentamos d’Ele. É um paradoxo alguém declarar que ama a Jesus, que O adora, mas que não sente saudades de Sua presença. É um paradoxo ministros de louvor que declaram que O amam, levantam suas mãos em público, até choram diante da congregação, mas não choram na doce presença de Deus quando estão a sós com Ele. Se não houver presença íntima com Ele, isso certamente acontecerá! Isso é trágico e nos conduz a caminhos de hipocrisia diante de Deus e dos homens. Esses são os “louvadores”. Não queimam por Jesus. Cumprem apenas um papel dentro das igrejas.
Perguntamos mais uma vez: O que seremos? Adoradores? Oraremos para que o Espírito venha nos incendiar? Manteremos a chama acessa? Ou seremos meros “louvadores”, nos assemelhando à multidão?
Deus já fez a Sua escolha, Ele nos quer por perto, mas isso já não depende mais dele. Hoje nós escolhemos qual será o nosso padrão de relacionamento com o nosso Pai. Escolhamos ser adoradores, queiramos queimar por Ele. Certamente, não nos arrependeremos!
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